Programa gratuito de aceleração, tocado pelo Living Lab, chega à segunda edição com inscrições até 16 de agosto e promete jornada de seis meses voltada a vendas, gestão e preparação para captação de investimento
Empreendedores de Mato Grosso do Sul que já têm uma solução inovadora validada ou em operação ganharam, nesta última semana de julho, uma nova janela de oportunidade. Desde a segunda-feira, dia 27, o Sebrae/MS está com inscrições abertas para o Programa de Aceleração Decolagem 2026, iniciativa gratuita desenvolvida pelo Living Lab — o laboratório de inovação e prototipagem da instituição em Campo Grande. Serão selecionadas até 30 startups sul-mato-grossenses para uma jornada de seis meses de mentorias, capacitações e acompanhamento voltado a fortalecer gestão, vendas, produto e estratégia. As inscrições, gratuitas, seguem até 16 de agosto e podem ser feitas por formulário on-line, no endereço programas.sebraestartups.com.br/in/decolagemsebraems, onde também está disponível o edital completo.
O Decolagem não é uma novidade isolada: é a segunda edição de um programa cuja experiência piloto rodou entre setembro de 2025 e maio de 2026, e cujos aprendizados moldaram o formato atual. Segundo o Sebrae/MS, a nova versão foi redesenhada a partir da avaliação dessa primeira turma, com o objetivo de tornar a aceleração menos teórica e mais orientada a resultados mensuráveis. “A experiência da primeira turma mostrou a importância de uma aceleração mais prática, orientada à execução e baseada em resultados concretos, e não apenas em conteúdos ou capacitações. A partir desses aprendizados, o novo formato foi redesenhado para acompanhar a evolução das startups de forma mais objetiva e dinâmica, com indicadores, entregas práticas e avaliação de desempenho ao longo da jornada”, explica Caio Augusto Areco Roa, analista de startups do Sebrae/MS.
Quem pode participar
O edital estabelece critérios objetivos de elegibilidade: podem concorrer startups com CNPJ ativo e até dez anos de constituição, ou projetos de base tecnológica que estejam em fase de validação ou já em operação. É exigido também um Produto Mínimo Viável (MVP) demonstrável — ou já em funcionamento no mercado — e uma equipe mínima de duas pessoas dedicadas integralmente ao negócio, formada por dois sócios-fundadores ou por um fundador e um colaborador-chave. A régua de entrada, portanto, não é para ideias em estágio inicial, mas para negócios que já deram os primeiros passos e buscam ganhar tração, estruturação e, mais adiante, acesso a capital.
Ao longo dos seis meses de programa, os participantes vão receber mentorias especializadas e acompanhamento em áreas como estratégia, desenvolvimento de produto, vendas, marketing, finanças, tecnologia e gestão. Segundo o Sebrae, a programação inclui ainda conteúdos voltados especificamente ao universo de investimentos, para que os empreendedores compreendam as exigências desse ambiente e cheguem mais maduros a conversas com investidores, fundos públicos ou privados. O acompanhamento será mensal, com indicadores de desempenho, entregas práticas e reuniões de avaliação — uma tentativa explícita de fugir do formato “workshop” e aproximar o programa da rotina de uma aceleradora tradicional.
O ciclo se encerra com um Demo Day, evento em que as startups selecionadas apresentam os resultados alcançados ao longo da aceleração para representantes do ecossistema de inovação, parceiros e convidados — o momento em que, na prática, os negócios saem da “vitrine interna” do programa e passam a buscar visibilidade externa, incluindo diante de possíveis investidores.
Uma etapa a mais para quem se destacar
Uma novidade estruturante desta edição é a criação de uma fase complementar, reservada às startups com melhor desempenho ao longo da jornada. Nessa etapa extra, os empreendedores selecionados vão se aprofundar nas modalidades de investimento disponíveis para startups, receber orientação para estruturar apresentações de negócio (os chamados pitch decks), entender os requisitos de editais de fomento e conhecer alternativas de crédito e mecanismos de financiamento voltados à inovação. Na prática, o Sebrae/MS está tentando construir uma ponte mais direta entre a aceleração e o acesso a recursos — um gargalo histórico para negócios inovadores fora dos grandes centros financeiros do país.
Ao longo do programa, os participantes também devem desenvolver competências ligadas à validação do modelo de negócio, organização financeira, estruturação de processos internos, estratégias de vendas e marketing, redução de riscos jurídicos, comunicação para apresentação de negócios e ampliação da rede de contatos dentro do ecossistema de inovação — um conjunto de habilidades que, segundo o Sebrae, costuma ser o principal gargalo de startups em estágio inicial fora dos grandes polos como São Paulo e Rio de Janeiro.
Um ecossistema em movimento
O Decolagem chega em um momento de aquecimento do ecossistema de inovação sul-mato-grossense. Nos últimos meses, o Living Lab do Sebrae já vinha atendendo mais de 200 startups em Mato Grosso do Sul, enquanto a capital soma centenas de negócios de base tecnológica ativos e desponta como referência regional no Centro-Oeste. Paralelamente ao Decolagem, o Sebrae também vinha promovendo, até 31 de julho, a Jornada de Inovação Aberta — iniciativa nacional que conectou startups a médias e grandes empresas, com duas companhias de MS (Digix e Unimed Campo Grande) atuando como potenciais demandantes de inovação, prevendo projetos-piloto remunerados. Já o programa MS Inova Impacto, lançado em julho, iniciou uma jornada de aceleração com 30 negócios no Estado, mostrando que a política de fomento ao empreendedorismo inovador sul-mato-grossense tem operado em múltiplas frentes simultâneas — aceleração de gestão, conexão com corporações e fomento à captação de recursos.
Esse movimento também é sustentado por outras engrenagens do ecossistema estadual, como o Parktec CG (Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande), que hoje abriga dez empresas de base tecnológica residentes, e a Fundect, fundação estadual de fomento à ciência, tecnologia e inovação, que administra editais como o Programa Centelha. A combinação de aceleração privada e pública, mentoria estruturada e fomento financeiro é, segundo especialistas do setor, um dos fatores que explicam o crescimento acelerado do número de startups registradas no Estado nos últimos anos.
Próximos passos
Com as inscrições abertas até 16 de agosto, o Sebrae/MS deve anunciar a lista de selecionados nas semanas seguintes, dando início à jornada de seis meses de aceleração. Se seguir o cronograma da edição-piloto, o Demo Day de encerramento deve ocorrer no primeiro semestre de 2027, quando o mercado terá um primeiro parâmetro concreto para avaliar se o formato reformulado do programa — mais orientado a indicadores e menos a conteúdo teórico — de fato acelera a maturidade e a capacidade de captação de recursos das startups sul-mato-grossenses. Para os empreendedores interessados, informações adicionais estão disponíveis na Central de Atendimento do Sebrae, pelo telefone 0800 570 0800, ou no site ms.sebrae.com.br.
Fontes: ASN Mato Grosso do Sul – Agência Sebrae de Notícias, “Programa Decolagem abre inscrições para acelerar startups de Mato Grosso do Sul” (https://ms.agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/programa-decolagem-abre-inscricoes-para-acelerar-startups-de-mato-grosso-do-sul/); Perfil News, “Startups de MS podem apresentar soluções para desafios de grandes empresas do país” (https://www.perfilnews.com.br/2026/07/28/startups-de-ms-podem-apresentar-solucoes-para-desafios-de-grandes-empresas-do-pais/).
