Onze empreendedoras do programa Sebrae Delas cumprem agenda em Jujuy, Salta e Buenos Aires até sexta-feira (25) e fecham a Jornada Global, projeto piloto que já levou grupos ao Chile e ao Paraguai
Onze empresárias de Mato Grosso do Sul estão na Argentina, desde o último sábado (19), em uma missão empresarial que encerra um ciclo de três anos de preparação de mulheres empreendedoras para os negócios da Rota Bioceânica. Promovida pelo Sebrae/MS, a viagem inclui passagens pelas províncias de Jujuy e Salta e pela capital, Buenos Aires, e vai até sexta-feira (25). A agenda combina encontros institucionais, visitas técnicas e sessões de negócios com compradores argentinos. A missão marca o encerramento da Jornada Global, projeto piloto lançado em 2024 dentro do programa Sebrae Delas, que já levou grupos de empreendedoras sul-mato-grossenses ao Chile e ao Paraguai.
A iniciativa busca fortalecer a internacionalização de negócios liderados por mulheres, ampliar oportunidades comerciais e estreitar laços entre o Brasil e o país vizinho — um dos quatro que integram o Corredor Bioceânico de Capricórnio, ao lado de Paraguai e Chile.
Três países, três anos
A escolha dos destinos seguiu a lógica da própria Rota Bioceânica, eixo rodoviário que ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando o Chaco paraguaio e o noroeste argentino. A primeira edição da Jornada Global foi realizada entre 19 e 25 de outubro de 2024, em Iquique, no Chile. Na ocasião, 11 empresárias cumpriram agenda que incluiu encontros na Zona Franca e no Porto de Iquique, entre outros pontos, e o grupo registrou mais de R$ 880 mil em prospecções de negócios.
Em 2025, a missão seguiu para o Paraguai. Dez empresárias estiveram em Assunção e Ciudad del Este, com programação voltada ao comércio local, encontros institucionais e rodadas de negócios, que geraram prospecção estimada em mais de R$ 1 milhão. Agora, a terceira edição fecha o percurso na Argentina, cujas províncias do noroeste — Jujuy e Salta — estão no traçado do corredor.
De acordo com a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, o encerramento do projeto piloto ocorre em um momento em que o corredor deixa de ser apenas uma promessa. “Iniciamos a nossa missão com a nossa ida a Iquique, no Chile, no ano passado. Depois, esse grupo da Jornada Global esteve no Paraguai, em Ciudad del Este e Assunção, conhecendo aquele mercado. E agora concluímos na Argentina, porque o Corredor Bioceânico de Capricórnio é uma realidade e uma oportunidade para os pequenos negócios de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
A diretora completou: “Nossas empresárias se prepararam durante todo esse tempo para negociar nesses mercados. Internacionalizamos mentes e negócios. É com grande satisfação que encerramos esse projeto piloto com resultados para as mulheres sul-mato-grossenses”.
Agenda em Jujuy, Salta e Buenos Aires
A programação na Argentina foi desenhada para combinar diplomacia institucional e prospecção comercial. Em Jujuy, as empresárias cumprem agendas com a Casa de Governo e com autoridades da província, incluindo uma atividade na Assembleia Legislativa com rodadas de negócios junto a empreendedoras argentinas. Em Salta, estão previstos encontros institucionais e empresariais.
Já em Buenos Aires, o roteiro inclui visitas técnicas à Câmara de Comércio Argentino-Brasileira e à Embaixada do Brasil, além de sessões de negócios em que as sul-mato-grossenses apresentam produtos e serviços a compradores locais. A missão também reserva espaço para atividades culturais voltadas à aproximação entre as delegações.
Por que o noroeste argentino
A escolha de Jujuy e Salta não é casual. As duas províncias ficam no noroeste da Argentina, região atravessada pelo traçado do Corredor Bioceânico entre o Chaco paraguaio e a Cordilheira dos Andes, na rota em direção aos portos do norte chileno. Para quem produz em Mato Grosso do Sul, esses mercados tendem a ficar mais próximos à medida que a infraestrutura do corredor avança, com a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e as obras de pavimentação no lado paraguaio.
Estabelecer relações institucionais e comerciais antes da plena operação da rota é justamente a estratégia defendida pelo Sebrae/MS: preparar as empresas para que estejam posicionadas quando o fluxo de cargas e de pessoas aumentar. A inclusão de Buenos Aires no roteiro, por sua vez, garante acesso ao maior mercado consumidor argentino e às entidades de representação bilateral.
Quem está na missão
O grupo reúne negócios de perfis bastante diversos, do agronegócio à advocacia, da gastronomia à contabilidade. Participam da missão Carla Aquino (Elas Lideram o Agro), Denise Silva (Bruaca Negócios), Fabiana Duarte (Maxbrio), Fernanda Persi (Malinha da Fer), Paula Tenuta (Tenuta Advogadas Associadas), Monkysa Melo (Studeō), Claudia de Medeiros (Sapicuá Pantaneiro), Dayana Bizi (Bizi Água de Coco), Margareth Mello (Pontal das Águas), Jullyanna Morais (Café Abelha) e Susi Macedo (19 Contábil MS).
A diversidade da delegação reflete uma característica da internacionalização de pequenos negócios: nem sempre o que se exporta é uma mercadoria física. Serviços jurídicos, contábeis e de consultoria também encontram espaço em mercados vizinhos, especialmente num contexto de integração logística que tende a aumentar o fluxo de empresas brasileiras operando na região.
Seis meses de preparação
A viagem é a etapa final de um processo de capacitação que durou seis meses. Antes de embarcar, as participantes passaram por consultorias com diagnóstico individual de cada negócio e por capacitações em temas como vantagens da exportação e da importação, prospecção e seleção de mercado-alvo, acordos comerciais, atendimento a clientes internacionais, soluções logísticas e formação de preço. O roteiro incluiu ainda uma simulação de rodada de negócios internacional e um teste de pitch empresarial.
A gestora do programa Sebrae Delas, Vânia Bispo Torraca, detalha a carga de trabalho ao longo de 2026: foram 24 horas de mentoria voltadas à preparação prática para o mercado internacional, 31 horas de consultoria em exportação ou importação — conforme o objetivo de cada empresa —, para identificar países de interesse e mercados prioritários, e mais 20 horas de capacitação em temas como comércio exterior e formação de preço. O pacote envolveu também a preparação de pitch, portfólio, identidade visual e canais de comunicação e vendas, além da articulação com as três províncias argentinas que recebem o grupo.
Para a gestora, o principal ganho vai além dos indicadores. “O que é mais perceptível é a segurança que essas empresárias mostram após esses seis meses, na fala, na postura, na tomada de decisão. E a coragem. Coragem de se apresentar como dona do negócio, que sabe onde está pisando e o que quer. Elas sabem aonde querem chegar, e o mundo é o quintal delas”, afirmou Vânia.
Amadurecimento técnico
A consultora do Sebrae/MS na área de comércio exterior Andrea Afif acompanha as empresárias desde as primeiras edições da Jornada Global e observa uma evolução no perfil das participantes. “Cada ano que passa, o perfil das empreendedoras vai se aprimorando cada vez mais tecnicamente. Elas já estão bem-posicionadas no mercado interno e agora buscam o mercado externo”, avaliou.
Segundo Andrea, a preparação para a Argentina seguiu um plano estruturado a partir do diagnóstico individual de cada empresa, com foco em precificação, divulgação, questões relacionadas à exportação de produtos e serviços e postura em rodadas de negociação. Para ela, porém, o conhecimento técnico é só uma parte da equação. “Não é só a questão da parte técnica que eu passo, de procedimento, mas sim o empoderamento dessas mulheres para que estejam prontas para encarar o desconhecido e se sair bem, ter jogo de cintura e avançar”, disse.
Rota Bioceânica como vitrine
A missão se insere num esforço mais amplo de preparar o empresariado sul-mato-grossense para a abertura do corredor bioceânico. Nas últimas semanas, outras iniciativas foram na mesma direção. O Centro Internacional de Negócios de MS (CIN-MS), ligado ao Sistema Fiems, abriu inscrições para uma formação online em comércio exterior e Rota Bioceânica que começa em 1º de outubro. Já o próprio Sebrae/MS promoveu em Bonito, em meados de setembro, uma etapa do Circuito Turismo na Rota Bioceânica, com rodada de negócios entre fornecedores e compradores do trade turístico da região Oeste.
O movimento também dialoga com o fortalecimento do empreendedorismo feminino no Estado. A etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios de 2026, realizada no início de setembro, registrou recorde de 310 inscrições em Mato Grosso do Sul, sinal de uma base crescente de empresas lideradas por mulheres em busca de visibilidade e novos mercados.
Para pequenos negócios, a internacionalização costuma esbarrar em barreiras como falta de informação sobre regras de exportação, dificuldade de precificação em outra moeda e ausência de contatos nos mercados de destino. Programas estruturados em etapas — diagnóstico, capacitação, simulação e missão presencial — procuram reduzir esses obstáculos e transformar a proximidade geográfica proporcionada pelo corredor em oportunidade concreta de venda.
Próximos passos
Com o retorno da delegação, previsto para o fim desta semana, o Sebrae/MS deve consolidar os resultados da missão argentina, a exemplo do que fez nas edições do Chile e do Paraguai, quando divulgou os valores prospectados pelas participantes. O balanço das três edições será a principal referência para avaliar o projeto piloto e definir os rumos da Jornada Global a partir de 2027.
Empreendedores interessados nas ações de internacionalização do Sebrae/MS podem obter informações pela Central de Relacionamento da instituição, no telefone 0800 570 0800.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias MS — Empresárias de MS embarcam para missão na Argentina para encerrar ciclo voltado à Rota Bioceânica. Contexto: Campo Grande News; ASN MS; ASN MS.
