Evento de inovação em Campo Grande apresentou resultados do MS Inova Impacto e do ALI Produtividade e mostrou como os 13 ecossistemas locais de inovação querem levar novos negócios ao interior do Estado
Quinze empresas que passaram pelo MS Inova Impacto, programa de aceleração de negócios de impacto socioambiental aplicado pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, registraram aumento médio de 9,6% no faturamento mensal, e dez empresários fecharam negócios a partir das conexões feitas durante a jornada. Os números foram apresentados no i9-67, evento de inovação realizado pelo Sebrae/MS com o Governo do Estado, por meio da Semadesc e da Fundect, na quinta (29) e na sexta-feira (30), em Campo Grande.
O Empreenda MS antecipou a programação do evento na matéria publicada em 22 de outubro. O que há de novo agora são os resultados divulgados durante os dois dias: o balanço do programa de aceleração, os dados do programa de produtividade para pequenos negócios e o retrato dos 13 ecossistemas locais de inovação espalhados pelo Estado.
Além do Demoday que encerrou o MS Inova Impacto, o evento teve painéis sobre a pesquisa produzida a partir do programa Agentes Locais de Inovação (ALI) Produtividade e sobre a governança dos ecossistemas, com participação de representantes de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.
Os números do MS Inova Impacto
Desde julho, 30 empresas participaram da trilha do MS Inova Impacto, com foco na melhoria do modelo de negócio, na preparação para o mercado e na ampliação das possibilidades de investimento e escala. No Demoday, os dez empreendedores que mais se destacaram apresentaram seus negócios a uma banca avaliadora.
Em pesquisa com os participantes, mais de 80% disseram ter mais clareza sobre o modelo de negócio, tomar decisões mais acertadas e ter ampliado o acesso a oportunidades. Mais de 60% relataram melhora na forma de apresentar a empresa e maior acesso ao mercado. Na prática, além da alta média de 9,6% no faturamento mensal de 15 empresas, dez empresários fecharam negócios graças às conexões do programa.
Para o diretor de Operações do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, a primeira edição do programa no Estado já trouxe avanços. “Essa trajetória mostrou que é dando a mão ao empreendedor que conseguimos prepará-lo para os desafios do mercado”, afirmou, segundo a Agência Sebrae de Notícias.
O programa é voltado a negócios de impacto socioambiental, ou seja, empresas que buscam lucro ao mesmo tempo em que resolvem problemas sociais ou ambientais. Esse perfil tem ganhado espaço em editais de fomento e no interesse de investidores, mas costuma enfrentar dificuldade para provar viabilidade comercial, justamente o ponto em que a aceleração concentrou esforços nesta primeira turma.
O que dizem os empreendedores
Uma das participantes foi Wity Prado, responsável pela startup Helperia, que trabalha com tradução visual. Ela destacou a etapa de validação como a mais importante para testar a aceitação da solução e identificar mudanças necessárias no modelo de negócio. “Nesse processo é preciso testar, colocar a solução para rodar e observar se o mercado aceita”, relatou.
Marcos Afonso Ferreira, fundador da B2030.ai, startup que atua com sustentabilidade, crédito de carbono e meios de pagamento, disse que o contato com outras empresas e especialistas ajudou a decidir onde investir no desenvolvimento do produto. Segundo ele, a participação evita direcionar recursos “para algo que não terá aceitação” e ajuda a identificar o caminho da startup, economizando tempo e dinheiro.
Os relatos reforçam um movimento já observado em outras agendas do ecossistema local, como mostrou a reportagem do Empreenda MS sobre startups de MS que testam o caminho dos investidores e o dos grandes clientes: validar a solução com o mercado antes de buscar escala.
ALI Produtividade: 894 empresas e ganho acima de 30%
O i9-67 também olhou para negócios tradicionais que usam a inovação para melhorar processos. O programa ALI Produtividade oferece acompanhamento personalizado a microempresas e empresas de pequeno porte durante seis meses. Um agente capacitado pelo Sebrae/MS faz o diagnóstico da empresa, ajuda a montar um plano de ação e acompanha a implementação das melhorias.
Em Mato Grosso do Sul, o programa conta com 41 agentes, que atendem em média 25 empresas por ciclo. No último ciclo de 2025, foram acompanhadas 894 empresas no Estado. Segundo o coordenador do ALI Produtividade no Sebrae Nacional, Frederico Lopes Cabaleiro, no último levantamento as empresas participantes registraram, em média, aumento de produtividade superior a 30%.
Por ser uma iniciativa de extensão tecnológica, o programa prevê estudos de caso e artigos científicos a partir dos atendimentos. Os trabalhos produzidos em MS foram apresentados no painel “Impacto do programa ALI: da teoria à prática inovadora” e ficam disponíveis na plataforma ALI Academy, para servir de referência a novas pesquisas e ao aperfeiçoamento do atendimento.
Os 13 ecossistemas de inovação do Estado
Outro destaque do evento foi o painel sobre os ecossistemas locais de inovação, grupos que reúnem poder público, instituições de ensino, iniciativa privada e sociedade civil para estimular a cultura empreendedora e criar condições para novos negócios. Mato Grosso do Sul tem hoje 13 grupos estruturados.
Eles estão em Campo Grande, Chapadão do Sul, Coxim, Corumbá e Ladário, Aquidauana e Anastácio, Jardim e Guia Lopes da Laguna, Dourados, Maracaju, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. Em Ponta Porã, por exemplo, o ecossistema esteve por trás da Semana da Inovação, que levou rodada de negócios entre Brasil e Paraguai ao parque tecnológico da cidade.
Segundo Tito Estanqueiro, a estruturação dos grupos começou com o mapeamento do que já existia de inovação nos municípios e a mobilização dos atores locais, para depois construir ações conjuntas com as instituições parceiras. O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, definiu os ecossistemas como “um modelo de governança” que conecta academia, setor público e iniciativa privada, dos pequenos negócios às grandes empresas.
O presidente da Fundect, Cristiano Carvalho, afirmou que o Estado tem destinado recursos aos ecossistemas, principalmente para gerar uma governança saudável e integrar instituições de ensino e pesquisa aos empreendedores que estão começando.
Chapadão do Sul e Coxim mostram o modelo na prática
Em Chapadão do Sul, o ecossistema conta com a Agência Municipal de Inovação de Negócios (Agipec), que apoia empreendedores na implementação de modelos de negócio e na análise de mercado. O representante do grupo, Maxuel Andrade Soares, descreveu a divisão de papéis: a universidade entra com pesquisas e extensão, empreendedores mais experientes ajudam a validar soluções, a agência estrutura o modelo de negócio e as capacitações preparam o empreendedor. “Cada ator traz sua contribuição”, resumiu.
Em Coxim, o ecossistema tem promovido atividades de ideação, eventos voltados a startups e maratonas de inovação em parceria com instituições de ensino. Segundo o representante local, quando as empresas perceberam que as universidades também oferecem inovação, a interação ficou mais fluida, com o surgimento de novos negócios e novas tecnologias.
Os dois exemplos mostram que o modelo não depende de grandes estruturas. Em cidades médias, a combinação entre um campus universitário, uma agência ou secretaria municipal e o apoio de capacitação já é suficiente para criar um ambiente em que ideias saem do papel. O desafio, segundo os participantes, é manter a governança ativa e garantir continuidade às ações quando mudam as gestões públicas.
Integração com o Centro-Oeste
Na sexta-feira (30), o painel Eli Summit Centro-Oeste, realizado no Living Lab, o laboratório de inovação e prototipagem do Sebrae/MS, reuniu representantes do Sebrae em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal para discutir atuação conjunta entre os ecossistemas da região.
A mediadora, Lara Franco, do Sebrae Nacional, defendeu que a integração pode transformar capacidades locais em regionais. “O ganho deixa de ser apenas local e passa a ser regional”, afirmou, ao lembrar que os quatro estados têm realidades e níveis de maturidade diferentes, mas podem trocar conhecimento, soluções e oportunidades.
Na abertura do evento, a reitora da UFMS e conselheira do Sebrae/MS, Camila Ítavo, reforçou o papel da universidade nesse processo. “Não existe território desenvolvido sem ciência”, disse, ao defender que a pesquisa produzida nas instituições de ensino precisa chegar ao setor produtivo.
Como participar
Empreendedores interessados em programas de aceleração, no acompanhamento do ALI Produtividade ou em se aproximar do ecossistema de inovação do seu município podem buscar informações na Central de Relacionamento do Sebrae/MS, pelo telefone 0800 570 0800, ou no site ms.sebrae.com.br. A agenda de eventos do Sebrae no Estado segue em novembro, com ações voltadas a vendas de fim de ano e crédito.
Com a primeira edição do MS Inova Impacto concluída e os ecossistemas em fase de integração regional, o desafio para 2027 é transformar os bons indicadores de um grupo pequeno de empresas em resultado de escala, levando a mesma metodologia a mais municípios e a mais negócios do interior de Mato Grosso do Sul.
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Fontes: Agência Sebrae de Notícias MS (MS Inova Impacto e ALI) (https://ms.agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/inovacao-e-produtividade-para-fortalecer-pequenos-negocios-marcam-i9-67/); Agência Sebrae de Notícias MS (ecossistemas) (https://ms.agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/ecossistemas-de-inovacao-conectam-municipios-e-abrem-caminhos-para-o-desenvolvimento-de-ms/); Agência Sebrae de Notícias MS (abertura) (https://ms.agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/i9-67-reune-instituicoes-e-empreendedores-para-impulsionar-a-inovacao-em-mato-grosso-do-sul/).
