Pesquisa da ACICG prevê 9% menos contratações que em 2025, com pico em dezembro e menor intenção de efetivar. Para quem procura trabalho, a hora de se cadastrar é agora; para o lojista, o fim da escala 6×1 muda a conta.
O comércio e o setor de serviços de Campo Grande devem abrir cerca de mil vagas temporárias no último trimestre de 2026. A estimativa é da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), que divulgou na terça-feira (27) o resultado de uma pesquisa feita com empresários em outubro. O número representa uma queda de 9% em relação às 1.100 oportunidades projetadas para o fim de 2025 e revela um empresariado mais cauteloso na hora de reforçar as equipes para a Black Friday e o Natal.
O levantamento mostra que a maior parte das admissões vai acontecer em dezembro, que a quantidade de vagas por loja tende a ser pequena e que diminuiu a disposição de efetivar os temporários depois das festas. Ao mesmo tempo, a entrada em vigor do fim da escala 6×1, prevista para meados de dezembro, aparece como um fator novo na decisão de quem contrata: parte das empresas avalia trocar o reforço temporário por contratações permanentes.
Maioria vai manter o tamanho da equipe
Segundo a ACICG, 73% dos empresários consultados pretendem manter o mesmo volume de contratações temporárias do ano passado. Outros 22% planejam ampliar as equipes e 5% preveem redução. Em 2025, o ânimo era maior: 36% dos entrevistados diziam que iam contratar mais trabalhadores no fim de ano. A diferença de 14 pontos percentuais entre um ano e outro ajuda a explicar por que a projeção total encolheu.
O presidente da entidade, Omar Aukar, relaciona a queda também à mudança na jornada de trabalho. “Os dados mostram que a maioria dos empresários pretende manter o volume de contratações do ano passado, mas as empresas também estão avaliando suas demandas de pessoal diante das mudanças do fim da escala 6×1. Parte dessas vagas pode ser direcionada a contratações permanentes, o que também influencia a projeção de oportunidades temporárias para este fim de ano”, afirmou, em declaração divulgada pela associação.
A cautela combina com outros sinais do comércio da Capital. Como o Empreenda MS mostrou ao noticiar o evento gratuito do Sebrae/MS para pequenos negócios venderem mais no fim de ano, o índice de confiança do comerciante de Campo Grande ficou abaixo de 100 pontos em setembro, o que indica pessimismo, embora as expectativas para os próximos meses sigam positivas.
Dezembro concentra as contratações
Quem quer uma vaga temporária precisa ficar atento ao calendário. De acordo com a pesquisa, 32,35% dos empresários pretendem contratar na primeira quinzena de dezembro e 27,45% na segunda. Somados, os dois períodos reúnem quase seis em cada dez empresas que vão admitir. Outros 11,76% planejam reforçar as equipes já em novembro, mês da Black Friday, marcada para 27 de novembro.
Há ainda 13,73% de empresários que afirmaram já ter feito as contratações, o que mostra que parte das vagas já foi preenchida antes mesmo da divulgação da pesquisa. Outros 14,71% disseram que não pretendem admitir temporários neste ano.
O tamanho das contratações também é modesto. Entre os empresários que informaram a quantidade de vagas previstas, cerca de 76% pretendem admitir até dois trabalhadores. É o retrato de um comércio formado em grande parte por pequenos e médios negócios, em que cada contratação pesa no caixa.
Chance de efetivação caiu
Um dos dados que mais interessam a quem procura emprego é a possibilidade de continuar na empresa depois de janeiro. Neste ano, 75,3% dos empresários que responderam à pergunta disseram que pretendem manter os profissionais após o período de maior movimento. Em 2025, o percentual era de 88,6%. A queda é de 13,3 pontos percentuais.
Mesmo assim, o índice segue alto: três em cada quatro empresários ainda dizem ter a intenção de efetivar. Aukar lembra que a decisão final vai depender do resultado das vendas. “Mesmo em um cenário mais cauteloso, o trabalho temporário continua sendo uma oportunidade de entrada no mercado formal. A efetivação dependerá das necessidades de cada empresa, do desempenho dos profissionais e dos resultados das vendas no fim do ano”, disse.
Fim da escala 6×1 entra na conta
A mudança constitucional que acaba com a escala 6×1 foi promulgada em 16 de outubro. Pelas regras aprovadas, a jornada máxima cai para 42 horas semanais com duas folgas cerca de 60 dias depois da promulgação, ou seja, em meados de dezembro, justamente no pico das vendas de Natal. A ACICG cita 15 de dezembro como data de entrada em vigor. Depois, a jornada deve cair para 40 horas em até 14 meses, sem redução de salário.
Com menos horas por trabalhador, muitas lojas vão precisar de mais gente para manter o mesmo horário de funcionamento, especialmente nos fins de semana. É por isso que parte dos empresários avalia contratar de forma permanente em vez de temporária: a necessidade de pessoal deixa de ser só sazonal. O impacto da nova jornada sobre as empresas de MS já tinha sido alvo de alerta da Fiems, que estima custo de até R$ 2 bilhões para o Estado em 2027.
Onde procurar as vagas em Campo Grande
O principal balcão público de empregos da Capital é a Funsat (Fundação Social do Trabalho), que divulga diariamente um painel com as vagas abertas. Nesta quarta-feira (28), por exemplo, o painel reunia 661 oportunidades em 108 funções, das quais 405 não exigiam experiência anterior, segundo levantamento publicado pelo Campo Grande News. Entre elas estavam 80 vagas para operador de caixa, 52 para atendente de lanchonete, 28 para atendente de lojas e mercados e 23 para repositor de mercadorias, funções típicas do reforço de fim de ano.
O mesmo painel trazia 15 vagas expressamente temporárias, em seis funções, além de 26 postos reservados para pessoas com deficiência. O atendimento da Funsat é feito na Rua 14 de Julho, 992, na Vila Glória, das 7h às 13h. Para participar dos encaminhamentos às empresas, o candidato precisa estar com o cadastro atualizado.
Além da Funsat, vale procurar diretamente as lojas, especialmente nos centros comerciais e nos shoppings, e acompanhar as páginas de vagas das grandes redes, que costumam abrir processos seletivos específicos para o fim de ano. Para os mais jovens, outra porta de entrada é a aprendizagem: o Empreenda MS mostrou que Campo Grande tem 2.771 vagas de jovem aprendiz sem preenchimento, com inscrições abertas no Instituto Mirim até 6 de novembro.
Quais são os direitos do trabalhador temporário
Muita gente aceita uma vaga de fim de ano sem saber exatamente o que a lei garante. O trabalho temporário propriamente dito é regido pela Lei 6.019, de 1974, e é contratado por meio de uma empresa de trabalho temporário, que é a empregadora formal e coloca o trabalhador à disposição da loja, chamada de tomadora. Esse tipo de contrato é permitido para substituir funcionários em férias ou licença e para atender a uma demanda complementar, como o aumento de vendas no Natal.
Segundo material do Ministério do Trabalho e Emprego, o contrato pode durar até 180 dias, prorrogáveis por mais 90 se as condições que motivaram a contratação continuarem. O temporário tem direito a salário equivalente ao dos empregados permanentes que exercem a mesma função, jornada limitada a 8 horas diárias e 44 semanais com horas extras pagas com acréscimo de 50%, férias proporcionais com o terço constitucional, 13º salário proporcional, FGTS, repouso semanal remunerado, adicional noturno, vale-transporte, seguro contra acidente de trabalho, contribuição à Previdência e registro na carteira de trabalho.
Ao fim do contrato, o trabalhador pode sacar o FGTS. A lei também prevê indenização de 1/12 do pagamento recebido em caso de dispensa sem justa causa ou de término normal do contrato. Uma diferença importante em relação ao emprego por prazo indeterminado é que, no temporário, não há estabilidade provisória para a gestante. Também há uma regra de quarentena: depois de cumprir o prazo máximo, o trabalhador só pode voltar à mesma empresa tomadora como temporário após 90 dias.
Dicas para o empresário que vai contratar
Para o lojista, o momento pede planejamento. A primeira recomendação é definir o tipo de contrato antes de anunciar a vaga, considerando que a jornada máxima muda em dezembro. Uma escala montada hoje com base em 44 horas pode precisar ser refeita no meio do período de festas. Conversar com o contador e com o sindicato da categoria sobre acordos coletivos de compensação evita surpresas.
A segunda é antecipar o treinamento. Como quase seis em cada dez contratações devem acontecer em dezembro, o temporário vai chegar à loja no momento de maior movimento, com pouco tempo para aprender. Um roteiro simples, com preços, trocas, formas de pagamento e regras de atendimento, reduz erros e melhora a experiência do cliente.
O que esperar das próximas semanas
A projeção de mil vagas é uma estimativa e pode mudar conforme o comportamento das vendas na Black Friday e na primeira quinzena de dezembro. Se o consumo surpreender positivamente, parte dos 73% que pretendem manter o tamanho das equipes pode decidir contratar mais. Se o endividamento das famílias pesar, o efeito pode ser o contrário.
Para quem procura trabalho, a orientação é não esperar dezembro: atualizar o cadastro na Funsat, deixar currículos nas lojas e acompanhar os painéis diários aumenta as chances de conseguir uma das vagas, que serão disputadas. Para o empresário, o recado da pesquisa é que o fim de ano de 2026 vai exigir mais cuidado com a folha, num cenário em que a regra da jornada muda no meio da temporada de vendas.
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Fontes: Campo Grande News, “Comércio prevê mil vagas temporárias no fim do ano, 9% menos que em 2025” (https://www.campograndenews.com.br/economia/comercio-preve-mil-vagas-temporarias-no-fim-do-ano-9-menos-que-em-2025); Campo Grande News, “Quarta tem vagas para maître, perfumista e fisioterapeuta em Campo Grande” (https://www.campograndenews.com.br/cidades/empregos/quarta-tem-vagas-para-maitre-perfumista-e-fisioterapeuta-em-campo-grande); Campo Grande News, “Fim do 6×1 pode gerar custo de R$ 2 bilhões e provocar demissões, alerta Longen” (https://www.campograndenews.com.br/economia/fim-do-6×1-pode-gerar-custo-de-r-2-bilhoes-e-provocar-demissoes-alerta-longen); Ministério do Trabalho e Emprego, “O que é trabalho temporário” (https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/proteja/arquivos/proteja-o-trabalho-_-o-que-e-trabalho-temporario.pdf).
