O volume aprovado para micro, pequenas e médias empresas do Estado cresceu 86,3% em relação aos quatro anos anteriores. Saiba quais linhas existem, onde pedir e o que o banco vai exigir.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 8,8 bilhões em crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) de Mato Grosso do Sul entre 2023 e setembro de 2026. O valor é 86,3% maior que o aprovado entre 2019 e 2022, quando o total ficou em R$ 4,73 bilhões. Só de janeiro a setembro deste ano, as MPMEs sul-mato-grossenses tiveram R$ 1,51 bilhão aprovado. Os números foram divulgados pelo banco e publicados pelo jornal Midiamax na segunda-feira (19).
Segundo o BNDES, em 2026 os recursos chegaram a todos os municípios do Estado. O dinheiro serve tanto para investimento, incluindo inovação, renovação de frota e compra de máquinas e equipamentos, quanto para capital de giro, usado na formação de estoques, no pagamento de fornecedores e em outras despesas do dia a dia.
Para quem empreende em MS, a notícia vem acompanhada de uma informação prática: o caminho até esse crédito não passa por uma agência do BNDES. Mais de 90% das aprovações para MPMEs são feitas por bancos, cooperativas e agências de fomento credenciados. Abaixo, o Empreenda MS explica como funciona.
Para onde foi o dinheiro em MS
Do total aprovado no Estado desde 2023, a maior fatia ficou com a agropecuária, que recebeu R$ 3,99 bilhões, alta de 13,7% sobre o período 2019 a 2022. Em seguida vem a infraestrutura, com R$ 3,5 bilhões e o maior salto proporcional: 731,8%. Comércio e serviços somaram R$ 882,7 milhões, avanço de 45,7%, e a indústria ficou com R$ 428 milhões, crescimento de 128,1%.
O desenho confirma o peso do agro na economia sul-mato-grossense, mas mostra também que segmentos urbanos ganharam espaço. Para o comércio e os serviços, em especial, a expansão do crédito acontece em um momento de demanda aquecida. No início do mês, o portal mostrou que as pequenas e médias empresas de MS têm o maior apetite por crédito do Centro-Oeste, segundo a Serasa.
Em âmbito nacional, o BNDES diz ter aprovado R$ 354 bilhões para MPMEs desde 2023, mais que o dobro do volume dos quatro anos anteriores. “Cada real que chega a um pequeno negócio vira salário, vira consumo no comércio do bairro, vira dinamismo na economia local”, afirmou o presidente do banco, Aloizio Mercadante, em declaração divulgada pela instituição.
Onde pedir: banco de relacionamento ou BNDES Impulso
O pedido pode seguir dois caminhos. O primeiro é procurar diretamente um agente financeiro credenciado ao BNDES. A rede inclui bancos públicos e privados, cooperativas de crédito, bancos cooperativos, bancos de montadoras e agências de fomento e desenvolvimento, e atende hoje 94% dos municípios brasileiros. Nessas operações, é o agente financeiro quem analisa e aprova o crédito e negocia condições e garantias com o cliente.
O segundo caminho é a plataforma digital BNDES Impulso. Nela, a empresa responde a perguntas sobre seu perfil e sobre a finalidade do financiamento, e o sistema sugere os produtos e as instituições parceiras mais adequadas àquela necessidade. A partir daí, a solicitação é encaminhada e a negociação acontece diretamente entre a empresa e a instituição financeira. A plataforma também oferece conteúdos de educação financeira e trilhas de aprendizagem, com apoio de entidades como o Sebrae e a CNI.
Passo a passo do pedido
A cartilha para MPMEs do BNDES, edição de junho de 2026, resume o processo em cinco etapas:
- Escolha o caminho: banco de relacionamento ou BNDES Impulso.
- Escolha a instituição financeira: nem todas operam todas as linhas, e as taxas variam, por isso a recomendação é consultar mais de um agente.
- Negocie: taxas, prazos, valores e garantias são acertados com a instituição.
- Envio ao BNDES: a instituição manda a proposta ao banco, que aprova os recursos em tempo real; segundo a cartilha, em mais de 99% das operações a aprovação leva em média menos de três segundos.
- Liberação: o valor aprovado é repassado pelo banco de relacionamento.
Quais linhas existem para pequenas e médias empresas
A cartilha lista as principais linhas disponíveis por meio dos agentes credenciados. As operações indiretas, feitas por esses agentes, valem para empresas de todos os portes e não têm valor mínimo. Já as operações diretas com o BNDES, em regra, exigem financiamento a partir de R$ 20 milhões e faturamento bruto anual de R$ 90 milhões ou mais, o que as deixa fora do alcance da maioria dos pequenos negócios.
- BNDES Crédito Pequenas e Médias Empresas: capital de giro para despesas recorrentes, como folha de pagamento, aluguel, impostos e dívidas, sem necessidade de comprovar esses gastos.
- Cartão BNDES: crédito rotativo pré-aprovado de até R$ 2 milhões por banco emissor, pago em até 48 parcelas fixas e iguais.
- BNDES Finame BK: compra de máquinas, equipamentos, ônibus e caminhões novos cadastrados no BNDES; até 30% do valor pode ser usado como capital de giro.
- BNDES Finame Materiais Industrializados: compra de materiais e insumos industrializados, podendo funcionar como limite de crédito.
- BNDES Automático: até R$ 150 milhões para projetos de implantação ou ampliação, incluindo obras civis, estudos e treinamento.
- BNDES Mais Inovação (Difusão Tecnológica): transformação digital, máquinas com tecnologias inovadoras, Internet das Coisas, manufatura avançada e eficiência energética.
- BNDES Microcrédito: até R$ 21 mil para microempreendedores formais e informais.
- BNDES Crédito Digital: contratação totalmente digital, de R$ 1 mil a R$ 10 milhões por cliente a cada 12 meses.
- BNDES Crédito Rural: para atividades agropecuárias.
Garantias: o fundo que divide o risco
Um dos principais obstáculos do pequeno empresário na hora de tomar crédito é a falta de garantias. Para reduzir esse problema, o BNDES mantém dois programas, o BNDES FGI e o BNDES FGI PEAC. Eles funcionam como garantia complementar: o banco de desenvolvimento compartilha com a instituição credenciada parte do risco da operação, o que pode facilitar a aprovação. As condições de cada programa devem ser consultadas nas páginas oficiais.
O que a empresa precisa ter em dia
Segundo a cartilha, os requisitos gerais incluem documentação contábil, financeira e cadastral atualizada; demonstração de viabilidade econômico-financeira, no caso de projetos de expansão ou modernização; regularidade com tributos federais (inclusive o ITR, para imóvel rural), FGTS e RAIS/eSocial; regularidade ambiental; e ausência de condições de trabalho análogas à escravidão.
A regularidade fiscal é um ponto de atenção para muitos negócios em MS. O portal registrou recentemente que a inadimplência de empresas subiu 25,7% no Estado. Para os microempreendedores individuais, a lei sancionada nesta semana que perdoa dívidas do MEI pode ajudar a reabrir portas que estavam fechadas por pendências.
Dicas antes de assinar
Algumas recomendações ajudam a transformar o crédito em investimento, e não em dívida difícil de pagar. A primeira, presente na própria cartilha do BNDES, é comparar propostas: como as taxas variam de um agente para outro, consultar ao menos duas ou três instituições, incluindo cooperativas de crédito, pode fazer diferença no custo final.
A segunda é casar a linha com a finalidade. Capital de giro serve para o caixa do dia a dia; a compra de uma máquina ou de um caminhão costuma ter condições mais adequadas em linhas próprias para bens de capital, como o Finame. A terceira é organizar os números antes de ir ao banco: faturamento, custos fixos, fluxo de caixa e a capacidade de pagamento das parcelas. Programas de gestão financeira, como os oferecidos pelo Sebrae/MS, podem ajudar nessa preparação.
Por fim, vale considerar linhas específicas por setor. Quem atua no turismo, por exemplo, também pode recorrer ao Fungetur, que, como o Empreenda MS mostrou, teve alta de 312% nas operações em MS em 2026.
Perguntas rápidas
MEI pode pedir crédito do BNDES? Sim. As operações indiretas, feitas pelos agentes credenciados, valem para todos os portes, sem valor mínimo. Para os menores negócios, a cartilha cita o BNDES Microcrédito, de até R$ 21 mil, voltado a microempreendedores formais e informais.
Preciso ir a Brasília ou ao Rio de Janeiro? Não. O pedido é feito no banco ou na cooperativa da cidade, ou pela internet, no BNDES Impulso. Segundo o banco, a rede credenciada cobre 94% dos municípios do país, e em 2026 todos os municípios de MS receberam recursos.
Quem define juros e garantias? A instituição financeira que opera o crédito. É ela quem analisa o pedido e negocia prazos, taxas e garantias, por isso a mesma linha pode ter condições diferentes de um banco para outro.
Quanto tempo leva? Depois que a proposta é fechada com o agente, o BNDES aprova os recursos em tempo real na grande maioria dos casos. O prazo total depende, sobretudo, da análise feita pela instituição escolhida.
Serviço
Como pedir crédito do BNDES: procure um banco, cooperativa ou agência de fomento credenciado ao BNDES, ou acesse a plataforma BNDES Impulso (impulso.bndes.gov.br) e preencha o perfil da empresa e a finalidade do financiamento. Orientação sobre gestão financeira e preparação para o crédito também pode ser obtida no Sebrae/MS, pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo site ms.sebrae.com.br.
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Fontes: Midiamax, “Crédito do BNDES para micro, pequenas e médias empresas em MS atinge R$ 8,8 bilhões desde 2023” (19/10/2026), https://midiamax.com.br/cotidiano/economia/2026/credito-bndes-micro-pequenas-medias-empresas-ms-atinge-r-88-bilhoes-desde-2023/; BNDES, Cartilha MPME, 3ª edição (junho de 2026), https://impulso.bndes.gov.br/export/sites/mpme/downloads/cartilha_mpme_03ed_jun26.pdf.
