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Empreenda MS > Economia > Crédito para o turismo de MS dispara 312% em 2026, mas corte de voos da Gol para Bonito e Rio acende alerta no setor
Economia

Crédito para o turismo de MS dispara 312% em 2026, mas corte de voos da Gol para Bonito e Rio acende alerta no setor

Empreenda MS Publicado em 19/10/2026 5 visualizações
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12 minutos de leitura
Piscina rodeada por vegetação exuberante e palmeiras
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Empresas turísticas de MS contrataram R$ 5,36 milhões do Fundo Geral de Turismo até 16 de outubro, alta de 312% sobre 2025 e mais que qualquer ano desde 2023; na mesma semana, a Gol confirmou que deixará de voar entre Bonito e Congonhas e entre Campo Grande e o Galeão a partir de fevereiro

O turismo de Mato Grosso do Sul recebeu, na mesma semana, uma boa e uma má notícia. A boa: os empreendimentos turísticos do Estado nunca contrataram tanto crédito do Fungetur (Fundo Geral de Turismo) quanto em 2026, considerando a série desde 2023. Foram R$ 5,36 milhões em sete operações de janeiro até a última sexta-feira (16), alta de 312,3% em relação a todo o ano de 2025, segundo dados do Painel Gerencial do Novo Fungetur, do Ministério do Turismo, levantados pelo Campo Grande News. A má: no mesmo dia 16, a Gol Linhas Aéreas confirmou o cancelamento, a partir de fevereiro de 2027, de duas rotas diretas que ligam o Estado aos principais mercados emissores do país — Bonito–Congonhas, em São Paulo, e Campo Grande–Galeão, no Rio de Janeiro.

As duas notícias desenham um retrato contraditório do setor: de um lado, hotéis, pousadas, agências e guias apostando dinheiro na própria estrutura; de outro, o risco de que a porta de entrada de parte dos visitantes fique mais estreita justamente quando esses investimentos amadurecerem.

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Crédito recorde na série recente

Os números do Fungetur mostram uma virada clara. Em 2023, os empreendimentos turísticos de Mato Grosso do Sul contrataram R$ 2,49 milhões em oito operações. Em 2024, foram R$ 3,53 milhões em dez financiamentos. Em 2025, houve forte retração: apenas R$ 1,3 milhão em duas operações. O valor contratado em 2026, ainda parcial, já supera todos esses anos — é 51,8% maior que o de 2024 e 115,3% superior ao de 2023.

Somados os quatro anos, o fundo financiou R$ 12,67 milhões em 27 operações no Estado, e cerca de 42,3% desse total foi contratado apenas em 2026. Outro dado que chama atenção é o tamanho médio das operações, que vem crescendo ano a ano: cerca de R$ 311 mil em 2023, R$ 353 mil em 2024, R$ 650 mil em 2025 e R$ 766 mil em 2026. Ou seja, além de mais empresas buscarem o crédito, os projetos financiados estão ficando maiores.

Hospedagem lidera, capital de giro domina

No acumulado de 2023 a outubro de 2026, os meios de hospedagem — hotéis, pousadas e similares — concentraram R$ 7,52 milhões em financiamentos, aproximadamente 59,4% do total do Estado. As agências de turismo aparecem em segundo lugar, com R$ 1,96 milhão, seguidas pelas transportadoras turísticas, com R$ 1,02 milhão.

Na sequência vêm os prestadores de infraestrutura de apoio ao turismo, com R$ 770 mil; restaurantes, cafeterias, bares e similares, com R$ 560 mil; e guias de turismo, com R$ 500 mil. Há ainda R$ 250 mil em operações sem atividade informada e R$ 100 mil para prestadores especializados em segmentos turísticos.

O recorte por porte mostra que o fundo tem chegado sobretudo aos pequenos. As pequenas empresas contrataram R$ 8,57 milhões no período, e as microempresas, R$ 2,11 milhões. Juntas, respondem por cerca de 84% do volume. As grandes empresas ficaram com R$ 1,5 milhão e as médias, com R$ 500 mil. Vale ressaltar que os recortes por atividade e por porte se referem ao acumulado dos quatro anos, não apenas às operações de 2026.

Quanto à finalidade, o capital de giro predomina com folga: R$ 10,22 milhões, cerca de 80,7% do total contratado no Estado desde 2023. A aquisição de bens — máquinas, equipamentos, mobiliário e outros itens — somou R$ 1,96 milhão, e as obras civis, cerca de R$ 501,5 mil. O peso do capital de giro sugere que boa parte dos empresários usa o fundo para manter a operação e atravessar a sazonalidade típica do turismo, mais do que para expandir a estrutura física.

Juros baixos e prazos longos

Parte da explicação para a procura está nas condições do fundo. O Novo Fungetur é um fundo especial de financiamento vinculado ao Ministério do Turismo, com patrimônio próprio e autonomia financeira e orçamentária, criado para disponibilizar recursos a empreendimentos turísticos e apoiar políticas públicas do setor. As linhas cobram juros de até 5% ao ano, acrescidos da variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) — patamar bem inferior ao das linhas convencionais de crédito empresarial.

Os prazos também são longos. Para obras civis — construção, reforma, ampliação e modernização de estabelecimentos —, o financiamento pode chegar a 240 meses, ou 20 anos, com carência de até 60 meses. Na aquisição de bens, o prazo máximo é de 120 meses, com até 48 meses de carência. Para capital de giro isolado, o prazo também pode chegar a 120 meses, com carência máxima de 24 meses. Os prazos incluem a carência, e as condições efetivas dependem da modalidade, da análise de crédito e das regras de cada instituição financeira.

As operações não são feitas diretamente pelo ministério, mas por instituições financeiras credenciadas, que analisam as propostas, aprovam o crédito e formalizam os contratos. Podem pedir os recursos os prestadores de serviços turísticos e as empresas enquadradas nas atividades previstas no artigo 21 da Lei nº 11.771, de 2008, a Lei Geral do Turismo, desde que inscritos no Cadastur, o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos.

Ainda que o crescimento percentual seja expressivo, os valores absolutos mostram que o fundo segue com alcance limitado no Estado: 27 operações em quase quatro anos é um número modesto diante do tamanho do trade turístico de destinos como Bonito, Pantanal e Campo Grande. O dado reforça o espaço para ampliar a divulgação das linhas e o credenciamento de empresas no Cadastur, pré-requisito para acessar o crédito.

Há também espaço para o número de 2026 crescer. O painel do Ministério do Turismo foi atualizado em 16 de outubro, e ainda restam dois meses e meio para novas contratações antes do fechamento do ano. Qualquer operação adicional amplia a distância em relação à série recente e consolida 2026 como o ano de maior uso do fundo pelos empreendimentos turísticos sul-mato-grossenses desde 2023, ao menos.

A conta da aviação

Enquanto o crédito avança em terra, a ligação aérea com o restante do país sofre um revés. A Gol confirmou que deixará de operar, a partir de fevereiro de 2027, o voo direto entre Bonito e o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e o trecho entre Campo Grande e o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

O voo de Bonito operava havia quase cinco anos e representa a conexão mais rápida entre o principal destino de ecoturismo do Estado e o maior mercado emissor de turistas do país. Já a rota entre a Capital e o Rio havia sido retomada pouco menos de três meses antes do anúncio.

Em nota enviada ao Campo Grande News, a companhia atribuiu a decisão ao avanço do preço do querosene de aviação, que, segundo a empresa, dobrou de valor e hoje compromete 40% dos seus custos operacionais. A mudança faz parte de um enxugamento amplo da malha, com previsão de suspensão de 38 rotas no Brasil e no exterior. “O planejamento de malha é um processo dinâmico e contínuo no setor de aviação comercial e ocorre rigorosamente de acordo com as necessidades da operação como um todo, sem qualquer distinção ou priorização regional por parte da Companhia”, justificou a Gol.

A perda de ligações diretas afeta tanto o turismo quanto os negócios. Sem elas, quem quer chegar rapidamente à Capital ou aos destinos de natureza do Estado tende a depender de conexões ou de longos deslocamentos por terra — um fator que pesa na decisão de viagem, sobretudo para estadias curtas.

Investimento privado e infraestrutura pública

A coincidência das duas notícias expõe um descompasso conhecido do setor. Os empresários do turismo podem financiar quartos novos, veículos, equipamentos e capital de giro, mas dependem de decisões que não controlam — como a malha das companhias aéreas — para que os visitantes cheguem. Uma pousada que contrata crédito de longo prazo para ampliar a estrutura precisa de fluxo de hóspedes por anos para pagar o financiamento.

O tema da conectividade aérea já está na agenda do Estado por outros caminhos. Os aeroportos de Bonito, Dourados e Três Lagoas integram o pacote de concessão de aeroportos regionais que o governo federal apresentou a investidores neste mês, com leilão previsto para 17 de dezembro. A concessão, porém, trata da infraestrutura e da gestão dos terminais; a oferta de voos continua sendo uma decisão comercial das companhias aéreas.

Até fevereiro, quando os cortes da Gol entram em vigor, o trade turístico e o poder público terão alguns meses para buscar alternativas — seja a atração de outras empresas para as rotas abandonadas, seja o reforço de conexões existentes. Ao mesmo tempo, o ritmo das contratações do Fungetur indica que, apesar das incertezas, o empresariado do setor continua disposto a investir. O desafio será garantir que esse investimento encontre turistas do outro lado.

Fontes: Campo Grande News — Crédito para turismo em MS cresce 312% em 2026 e chega a R$ 5,36 milhões (16/10/2026) e Gol confirma fim de voos entre Bonito e SP e de Campo Grande para o RJ (16/10/2026); Ministério do Turismo — Painel Gerencial do Novo Fungetur.

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