Índice de Atividade Econômica Regional mostra alta de 3,7% em 12 meses até maio, atrás apenas de Rio de Janeiro e Espírito Santo; celulose, carnes e grãos seguem como motores da expansão
Mato Grosso do Sul registrou o terceiro maior crescimento da atividade econômica entre todos os estados brasileiros no acumulado de 12 meses encerrado em maio de 2026, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), divulgado pelo Banco Central e noticiado em 27 de julho. O Estado apresentou expansão de 3,7% no período, ficando atrás somente do Rio de Janeiro, com 5,0%, e do Espírito Santo, com 3,9%. Na sequência do ranking nacional aparecem Mato Grosso (3,6%), Pernambuco (3,2%) e Rio Grande do Sul (3,0%). O resultado supera com folga o desempenho de estados de grande peso econômico, como São Paulo, que cresceu apenas 0,4% no mesmo intervalo.
O IBCR é um dos principais indicadores usados pelo Banco Central para acompanhar, mês a mês, o ritmo de crescimento das economias regionais do país, funcionando como uma espécie de termômetro antecipado do desempenho de cada estado antes da consolidação dos dados oficiais de PIB. Ao colocar Mato Grosso do Sul no pódio nacional de crescimento — território historicamente associado ao agronegócio, mas que nos últimos anos tem diversificado sua base produtiva — o indicador reforça um movimento que já vinha sendo sinalizado por outros levantamentos ao longo do ano: o de que o Estado atravessa um dos ciclos mais expressivos de expansão econômica de sua história recente.
Celulose, carnes e grãos no comando
Segundo o próprio boletim, o desempenho sul-mato-grossense é impulsionado principalmente pela agroindústria, que vem atraindo grandes investimentos privados, com destaque para o setor de papel e celulose — um dos segmentos que mais recebeu aportes bilionários no Estado nos últimos anos, com plantas industriais de grande porte instaladas ou em expansão em municípios como Três Lagoas. Mato Grosso do Sul também se mantém entre os maiores produtores nacionais de carnes e grãos, com boa parte da produção destinada ao mercado externo — atividade que segue como peça central na geração de renda, empregos e divisas para a economia estadual.
Esse tripé produtivo — celulose, carnes e grãos — não é novidade para quem acompanha a economia sul-mato-grossense, mas o resultado do IBCR reforça, com dados do Banco Central, um diagnóstico que vinha sendo apontado por instituições financeiras e órgãos de pesquisa ao longo dos últimos meses: o de que a base econômica do Estado está se tornando mais industrializada, sem abrir mão da força do agronegócio. Essa combinação — agroindústria de alto valor agregado somada à pecuária e à produção de grãos em larga escala — tem sustentado um crescimento consistentemente acima da média nacional, mesmo em um cenário de desaceleração ou estagnação em estados tradicionalmente mais industrializados, caso de São Paulo.
Reação do governo estadual
Para o governador Eduardo Riedel, os números divulgados pelo Banco Central confirmam que Mato Grosso do Sul está no caminho certo ao criar um ambiente favorável à atração de investimentos nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que fortalece setores tradicionais da economia estadual, como a produção de carnes e grãos.
O secretário de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, classificou o resultado como “muito bom” e associou o desempenho econômico a ganhos na área social. “Uma coisa puxa a outra. Se a economia vai bem, é impossível que a área social também não vá. Temos, assim, condições de oferecer melhores serviços à população, como saúde e educação, além de garantir remuneração justa aos profissionais da saúde e aos professores”, afirmou o secretário.
A leitura oficial é a de que o círculo virtuoso entre atividade econômica aquecida e arrecadação estadual permite ampliar investimentos em políticas públicas — argumento recorrente na comunicação do governo estadual ao longo de 2026, à medida que uma sequência de indicadores positivos (crescimento do PIB, recorde de exportações industriais, renda média entre as maiores do país e desocupação em queda) vem sendo usada para consolidar a narrativa de que o Estado vive um novo ciclo de desenvolvimento.
Um desempenho que não é isolado
O resultado do IBCR de julho não pode ser lido de forma isolada. Ele se soma a uma sequência de indicadores econômicos positivos divulgados ao longo do primeiro semestre de 2026: as exportações industriais sul-mato-grossenses somaram recorde histórico no primeiro semestre do ano, a renda média mensal da população estadual já figura entre as oito maiores do país, e a taxa de desocupação de Mato Grosso do Sul está entre as quatro menores do Brasil. Esses números, tomados em conjunto, sustentam a tese defendida por parte do empresariado e do governo estadual de que a economia sul-mato-grossense está passando por um processo de maturação, deixando de depender quase exclusivamente do agronegócio primário para se apoiar também na agroindústria de alto valor agregado.
Isso não significa, porém, que o crescimento seja imune a riscos. Analistas têm apontado a concentração das exportações do Estado em poucos parceiros comerciais — com destaque para a dependência do mercado chinês — como um ponto de atenção para a sustentabilidade do modelo a médio prazo, especialmente diante de eventuais mudanças na política comercial de outros países que também compram commodities e produtos industrializados sul-mato-grossenses.
O que vem pela frente
O IBCR é apurado mensalmente pelo Banco Central, o que significa que novos boletins devem seguir sendo divulgados ao longo do segundo semestre de 2026, permitindo acompanhar se Mato Grosso do Sul mantém o ritmo de expansão observado até maio ou se o crescimento perde fôlego diante de fatores externos, como variações no preço internacional de commodities ou eventuais entraves ao comércio exterior. Para o governo estadual, o desafio agora passa por transformar o bom desempenho macroeconômico em resultados perceptíveis para a população — como melhorias na área social citadas pelo secretário Rodrigo Perez — e por seguir atraindo novos investimentos industriais que ajudem a diversificar ainda mais a base produtiva do Estado, reduzindo a dependência de poucos setores e mercados externos.
Fonte: MS em Brasília, “Mato Grosso do Sul tem o 3º maior crescimento econômico do país, aponta BC” (https://www.msembrasilia.com/2026/07/27/mato-grosso-do-sul-tem-o-3o-maior-crescimento-economico-do-pais-aponta-bc/).
