Programa “MS Inova Mais Municípios” foi anunciado durante a Pantanal Tech 2026, em Aquidauana, e quer ajudar prefeituras do interior a criar leis, conselhos e fundos próprios de inovação
Mato Grosso do Sul lançou, durante a abertura da Pantanal Tech 2026, em Aquidauana, um programa que pretende tirar a palavra “inovação” do palco dos grandes eventos e colocá-la dentro da rotina administrativa das prefeituras do interior. Batizado de MS Inova Mais Municípios, o programa é fruto de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), e o Sebrae/MS, e tem uma meta ambiciosa: ajudar as cidades sul-mato-grossenses a se tornarem ambientes mais preparados para criar soluções, estimular novos negócios e atrair desenvolvimento — mesmo as que estão fora do eixo Campo Grande–Dourados.
O anúncio foi feito na sexta-feira, dia 3 de julho, na sede da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Aquidauana, durante a abertura da terceira edição da Pantanal Tech, um dos principais eventos de inovação, tecnologia e desenvolvimento sustentável do Estado, que reuniu poder público, empresas, universidades e empreendedores até o domingo seguinte, dia 5.
De 12 para 79: a meta de capilaridade
Hoje, Mato Grosso do Sul conta com 12 ecossistemas locais de inovação em funcionamento, com um 13º em fase de implantação no município de Coxim. É sobre essa base que o novo programa pretende trabalhar: ampliar a rede existente, fortalecer a articulação entre prefeituras, universidades, setor produtivo e empreendedores, e fornecer instrumentos concretos para que cada cidade — das 79 que compõem o Estado — consiga construir sua própria estrutura de inovação.
Na prática, isso significa apoio técnico para a criação de leis municipais específicas, conselhos de inovação, fundos municipais dedicados ao tema e o uso de compras públicas voltadas a soluções inovadoras — ou seja, prefeituras contratando startups e soluções tecnológicas locais para resolver problemas da própria gestão pública. A ideia, segundo os organizadores, é evitar que a inovação continue restrita a discursos de eventos e passe a fazer parte do dia a dia da administração municipal.
Durante o lançamento, o governador Eduardo Riedel destacou que o Estado já atua junto aos municípios em áreas como infraestrutura, educação e empreendedorismo, e que a inovação passa agora a ocupar esse mesmo patamar estratégico dentro da agenda de governo. Já o secretário de Estado Arthur Falcette relacionou o programa a metas ainda maiores do governo estadual, como o avanço da bioeconomia, a transição energética e o objetivo de Mato Grosso do Sul se tornar carbono neutro até 2030 — sinalizando que a política de inovação municipal não é uma ação isolada, mas parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável de mais longo prazo.
Do lado do Sebrae/MS, a diretora-técnica Sandra Amarilha afirmou que a instituição já atua como articuladora dos ecossistemas locais de inovação espalhados pelo Estado, e que o novo programa ajuda a transformar esses núcleos, hoje mais isolados, em um sistema integrado — capaz de gerar negócios de fato e tornar as empresas locais mais competitivas.
Novo ecossistema regional nasce no Oeste do Estado
O lançamento do MS Inova Mais Municípios veio acompanhado de dois movimentos concretos, e não apenas de uma declaração de intenções. O primeiro foi a criação de um ecossistema regional de inovação na região Oeste do Estado: Anastácio passa a integrar o ecossistema já consolidado em Aquidauana, enquanto os municípios de Jardim, Guia Lopes da Laguna e o par Corumbá/Ladário entram nessa mesma articulação regional. É a primeira vez que o Estado organiza formalmente um agrupamento de municípios vizinhos em torno de uma estrutura conjunta de inovação, em vez de tratar cada cidade isoladamente.
O segundo movimento foi a assinatura do Pacto pela Inovação, documento que reúne instituições públicas, setor produtivo, academia e sociedade civil em torno de uma atuação coordenada — uma espécie de compromisso formal entre os diferentes atores que, na teoria, deveriam colaborar para fortalecer o ambiente de negócios inovadores em MS, mas que nem sempre trabalham de forma articulada.
Pantanal Tech: a vitrine que embalou o lançamento
O programa não poderia ter sido lançado em contexto mais simbólico. A Pantanal Tech 2026, em sua terceira edição, reuniu programação voltada a tecnologia, sustentabilidade, produção regional e empreendedorismo ao longo de três dias na sede da UEMS em Aquidauana. O Sebrae/MS participou com atendimento direto ao público por meio da unidade móvel Sebrae Móvel, oferecendo capacitações gratuitas sobre uso de inteligência artificial, novas tecnologias, reforma tributária, gestão e vendas — além de um espaço dedicado à Economia Criativa, onde 70 empreendedores e produtores rurais atendidos pela instituição expuseram e comercializaram seus produtos ao longo do evento.
A escolha de Aquidauana, e não da capital, para sediar o lançamento de um programa voltado justamente ao interior do Estado, reforça o recado que Governo e Sebrae/MS parecem querer passar: que a próxima fase da política de inovação sul-mato-grossense não deve se concentrar apenas em Campo Grande, mas se espalhar pelas regiões Pantaneira, Sudoeste, Cone Sul, Bolsão e Grande Dourados, entre outras.
O que vem a seguir
Com o Pacto pela Inovação assinado e o primeiro ecossistema regional formalizado no Oeste do Estado, o próximo passo natural do MS Inova Mais Municípios será testar se prefeituras menores — muitas delas sem estrutura técnica dedicada a esse tipo de política — conseguem, na prática, aprovar leis municipais de inovação, estruturar conselhos e criar fundos próprios com o apoio prometido pelo Estado e pelo Sebrae. A meta de levar a política a todos os 79 municípios sul-mato-grossenses é de longo prazo, e o ritmo de adesão das próximas prefeituras — a começar pelas que integram o novo ecossistema do Oeste — deve ser o primeiro indicador real de se o programa vai conseguir descentralizar a inovação no Estado ou se vai esbarrar nas mesmas dificuldades estruturais que historicamente concentram investimento e tecnologia na capital.
Fonte: A Crítica de Campo Grande — Pantanal Tech vira ponto de partida para programa que quer levar inovação aos 79 municípios de MS
