Prêmio Fundect Pesquisador Sul-Mato-Grossense 2026 reconheceu 15 finalistas de universidades e institutos do Estado; cinco novos editais devem ampliar bolsas, fixação de doutores e inovação nos setores público e empresarial
Campo Grande sediou, na quarta-feira (1º), no auditório do Sebrae-MS, a cerimônia do Prêmio Fundect Pesquisador Sul-Mato-Grossense 2026, que reuniu cerca de 150 pessoas entre pesquisadores, gestores públicos, representantes de universidades e autoridades estaduais. Na ocasião, o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), lançou cinco chamadas públicas que somam mais de R$ 38 milhões destinados a fortalecer a pesquisa científica, a formação de recursos humanos e a inovação no Estado. O anúncio reforça uma estratégia que o governo estadual vem consolidando nos últimos anos: tratar ciência, tecnologia e inovação como política permanente, e não apenas como pauta pontual.
A premiação — promovida pela Fundect, vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) — reconheceu publicamente cientistas cujo trabalho ajuda a transformar conhecimento acadêmico em soluções concretas para áreas como agronegócio, saúde, educação, sustentabilidade, bioeconomia e transformação digital.
Cinco categorias, 15 finalistas
Do total de 25 pesquisadores indicados na chamada deste ano, 15 chegaram à fase de finalistas, distribuídos em cinco categorias: Pesquisador Destaque nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Exatas e Ciências Humanas, além de Pesquisador Inovador nos setores Empresarial e Público. Cada categoria premiou os três primeiros colocados, com valores de R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro — somando R$ 90 mil em premiações diretas.
Entre os nomes reconhecidos estão pesquisadores ligados à Embrapa, à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), à Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), à Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e à Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com trabalhos que vão da imunologia animal à física de materiais, passando por ecologia, economia e inteligência artificial aplicada à gestão pública. Um exemplo é o sistema Quati, desenvolvido pelo pesquisador Edson Takashi Matsubara, fundador do Laboratório de Inteligência Artificial da UFMS, voltado à automação da análise de processos judiciais — um caso direto de inovação aplicada ao setor público.
Na categoria Pesquisador Inovador para o Setor Empresarial, chama atenção o fato de duas das três finalistas serem, além de cientistas, fundadoras de startups baseadas em suas próprias pesquisas. Alinne Pereira de Castro, da UCDB, desenvolveu biomarcadores salivares para diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista, tecnologia que deu origem à startup mirTEA Diagnósticos. Já Denise Brentan da Silva, da UFMS, é sócia fundadora da Arandu Biotecnologia, empresa voltada ao desenvolvimento de bioprodutos a partir de pesquisas com microrganismos endofíticos do Pantanal. Os casos ilustram um movimento que a própria Fundect tem buscado incentivar: a passagem da pesquisa de bancada para o mercado.
R$ 38 milhões em cinco frentes
Mais do que uma cerimônia de reconhecimento, o evento serviu de vitrine para o novo ciclo de investimentos. Os editais lançados contemplam programas de fixação de doutores no Estado, bolsas de iniciação científica, apoio à realização de eventos técnico-científicos, incentivo à pesquisa na educação básica e a ampliação do programa estadual de Bolsas de Produtividade em Pesquisa, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Essa última iniciativa, considerada pioneira no Brasil entre os estados, já destinou R$ 5,4 milhões para apoiar 70 pesquisadores sul-mato-grossenses, com o objetivo declarado de estimular a permanência de talentos científicos no Estado — um dos principais desafios de regiões fora do eixo Sudeste-Sul na retenção de mão de obra qualificada.
Ao participar da solenidade, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, associou o investimento em ciência a uma escolha estratégica de longo prazo. “Os estados que mais avançam são aqueles que transformam conhecimento em inovação e inovação em desenvolvimento. Mato Grosso do Sul fez essa escolha ao fortalecer a ciência como política permanente de governo, aproximando pesquisadores, universidades, empresas e o poder público para produzir soluções que impulsionam nossa economia e melhoram a vida das pessoas”, afirmou.
O secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto, reforçou a leitura de que a ciência tem papel direto na competitividade do Estado. “Quando transformamos conhecimento em inovação, fortalecemos o setor produtivo, qualificamos as decisões públicas e ampliamos nossa capacidade de desenvolvimento. Investir em ciência é investir no presente e, principalmente, no futuro de Mato Grosso do Sul”, disse. Segundo ele, a aproximação entre governo, universidades e comunidade científica permite que decisões estratégicas sejam tomadas com base em evidências — um ponto que vem ganhando peso na formulação de políticas públicas estaduais.
28 anos de Fundect e uma trajetória consolidada
A cerimônia também integrou a programação alusiva aos 28 anos da Fundect, completados no dia 3 de julho. Criada em 1998, a fundação se consolidou como a principal instituição de fomento à pesquisa em Mato Grosso do Sul, tendo ampliado ao longo da trajetória investimentos em bolsas, infraestrutura científica, internacionalização, empreendedorismo inovador e formação de pesquisadores. Para o diretor-presidente da Fundect, Cristiano Marcelo Espíndola Carvalho, o prêmio simboliza esse acúmulo institucional. “Cada pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul representa uma oportunidade de gerar inovação, fortalecer nossa economia e melhorar a qualidade de vida da população. Nosso compromisso é ampliar esse ambiente de inovação para que cada vez mais ideias se transformem em soluções concretas para o Estado”, afirmou Carvalho.
Os vencedores das primeiras colocações em cada categoria seguirão agora para a etapa nacional do Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação, o que deve ampliar a visibilidade da produção científica sul-mato-grossense fora do Estado e reforçar a presença de Mato Grosso do Sul entre os ecossistemas de pesquisa mais relevantes do país — um objetivo que a gestão estadual persegue há alguns anos, à medida que tenta associar a imagem do Estado não apenas ao agronegócio, mas também à inovação tecnológica e científica.
Próximos passos
Com os cinco editais recém-lançados, a expectativa da Fundect e da Semadesc é abrir, nos próximos meses, os processos seletivos que vão distribuir os R$ 38 milhões anunciados entre pesquisadores, instituições de ensino e projetos de inovação voltados a setores estratégicos como agro, saúde, bioeconomia e tecnologia pública. Para o setor produtivo e para o ecossistema de startups do Estado — que já conta com iniciativas nascidas dentro de universidades, como mirTEA e Arandu Biotecnologia — o movimento sinaliza a manutenção de um fluxo de recursos que tende a alimentar diretamente a próxima geração de empresas de base tecnológica em Mato Grosso do Sul.
Fontes: Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul e Corumbá-MS
