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Lendo: A três metros do “beijo”: ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e deve ficar pronta em 8 de julho
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Empreenda MS > Empreendedorismo > A três metros do “beijo”: ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e deve ficar pronta em 8 de julho
Empreendedorismo

A três metros do “beijo”: ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e deve ficar pronta em 8 de julho

Empreenda MS Publicado em 02/07/2026 324 visualizações
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8 minutos de leitura
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Estrutura de 1.294 metros que ligará Porto Murtinho, em MS, a Carmelo Peralta, no Paraguai, encerra quatro anos de obras; governador Eduardo Riedel já convidou o presidente Lula para a cerimônia de entrega

A ponte internacional que vai ligar Porto Murtinho, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta está a poucos metros de completar quatro anos de obras. Segundo o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), faltam apenas três metros para o fechamento definitivo da estrutura sobre o Rio Paraguai — etapa técnica chamada de junção das aduelas e popularmente apelidada de “beijo” entre os dois lados da ponte, um construído a partir do território brasileiro e outro a partir do paraguaio. “Faltam três metros, estão nos ajustes dos cabos tirantes”, afirmou o prefeito, que projetou a conclusão da obra para o dia 8 de julho.

A obra é o elo físico mais simbólico da Rota Bioceânica, também chamada de Bioceânica de Capricórnio, corredor logístico que vai conectar o litoral atlântico do Brasil ao litoral do Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile. A ponte batizada Heitor Miranda — nome definido pela Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei nº 780/23 — tem 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, e é considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento na América do Sul.

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Quatro anos de obra, últimos ajustes técnicos

A pedra fundamental da Ponte Bioceânica foi lançada em dezembro de 2021, com início efetivo das obras em janeiro de 2022. Ao fim de 2025, a estrutura do lado brasileiro estava com 80% de conclusão, com previsão de entrega ainda para o primeiro semestre de 2026 — prazo que, embora tenha se estendido para o início do segundo semestre, segue dentro do horizonte anunciado pelo governo estadual. Depois da junção das aduelas, a ponte ainda vai receber serviços complementares: instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado do piso, que vai unir definitivamente o lado brasileiro ao paraguaio, além do retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e da colocação de 168 amortecedores para esses cabos — etapas técnicas que devem anteceder a liberação para tráfego.

Riedel convida Lula

Em abril, durante agenda em Brasília, o governador Eduardo Riedel (PP) convidou pessoalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para participar da cerimônia de entrega da ponte. Segundo relatos da ocasião, Lula afirmou que deve comparecer ao evento. O encontro em Brasília também reuniu parte da bancada federal de Mato Grosso do Sul — os deputados Vander Loubet (PT), Camila Jara (PT), Geraldo Resende (União) e Dagoberto Nogueira (PP), o senador Nelsinho Trad (PSD) e a deputada estadual Gleice Jane (PT) —, em uma reunião voltada à discussão de recursos federais para o Estado, o que indica o peso político que a obra vem assumindo tanto em nível estadual quanto federal.

A expectativa em torno da presença presidencial não é apenas protocolar. A Rota Bioceânica é tratada pelo governo federal como um projeto estratégico de integração sul-americana, e a conclusão da ponte de Porto Murtinho representa o fechamento de um dos principais gargalos físicos do corredor no trecho brasileiro.

Por que a rota importa para MS

A relevância econômica da obra vai além do simbolismo da integração binacional. Segundo dados reunidos ao longo da cobertura da obra, o corredor deve reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de mercadorias entre o Brasil e a Ásia, além de diminuir custos logísticos ao criar uma rota alternativa até os portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico. Para Mato Grosso do Sul, isso representa acesso facilitado a mercados asiáticos — com destaque para a China, um dos principais parceiros comerciais do Estado e grande importadora da carne produzida na pecuária sul-mato-grossense.

Na prática, a rota deve funcionar como um novo canal de escoamento para commodities agropecuárias e carnes, setores que já respondem por parcela relevante da economia estadual, ao mesmo tempo em que amplia a competitividade de Mato Grosso do Sul frente a outras regiões produtoras do país que dependem exclusivamente dos portos do Sudeste e Sul para exportação. Municípios ao longo do trajeto da Rota Bioceânica em MS já vêm se movimentando para aproveitar esse novo fluxo: é o caso de Nioaque, que tem apostado em turismo temático ligado à rota como forma de diversificar a economia local, segundo levantamento do Sebrae/MS.

Desafios que seguem em aberto

Apesar do avanço físico da obra, especialistas e autoridades têm apontado que a conclusão da ponte não encerra os desafios do projeto. Levantamentos recentes sobre a Rota Bioceânica destacam que a fiscalização aduaneira segue como um ponto crítico, segundo alertas de representantes da Receita Federal, e que a instalação de Centros de Coordenação de Fronteira — estruturas voltadas a agilizar o trânsito de mercadorias e pessoas entre os países do corredor — é considerada fundamental para a próxima etapa de implementação da rota. Também está em curso a elaboração de um Plano Diretor do Corredor Bioceânico, que já recebeu 264 propostas de entidades nacionais e internacionais, sinal de que o projeto segue em construção institucional mesmo com a infraestrutura física perto de ficar pronta.

O que vem a seguir

Com a junção das aduelas prevista para os próximos dias e a conclusão dos serviços complementares de cabos e amortecedores, a expectativa é que a ponte Heitor Miranda esteja apta a ser entregue ainda em julho, conforme o prazo indicado pelo prefeito de Porto Murtinho. A partir daí, a atenção do poder público — estadual e federal — deve se voltar para os pontos ainda pendentes do corredor: a estruturação da fiscalização de fronteira, a finalização do trecho paraguaio e a integração dos processos aduaneiros entre os quatro países cortados pela rota. Para Mato Grosso do Sul, a conclusão da obra marca o fim de uma etapa e o início de outra, em que o desafio passa a ser transformar a nova infraestrutura em ganhos efetivos de competitividade para o agronegócio, a indústria e o comércio exterior do Estado.

Fontes: Midiamax, Midiamax e Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul

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