Proteína animal e comércio com países vizinhos pela Rota de Integração Latino-Americana impulsionam saldo recorde de US$ 252,2 milhões na Capital
Campo Grande encerrou o primeiro semestre de 2026 com o maior superávit da balança comercial já registrado para o período desde o início da série histórica do governo federal, em 1997. Segundo o Boletim Econômico de Julho, divulgado pela Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), a Capital fechou os seis primeiros meses do ano com saldo positivo de US$ 252,228 milhões no comércio exterior, resultado puxado principalmente pelo desempenho das exportações de proteínas animais e pela consolidação de rotas comerciais com países vizinhos.
De acordo com o levantamento, as exportações somaram US$ 462,473 milhões entre janeiro e junho, alta de 40,24% em relação ao mesmo período de 2025, quando o município havia exportado US$ 329,773 milhões. As importações também cresceram no período, avançando 88,48% e somando US$ 210,245 milhões — elevando a corrente de comércio (soma de exportações e importações) para US$ 672,718 milhões. Mesmo com o salto nas compras internacionais, o desempenho exportador foi suficiente para garantir o maior saldo comercial já contabilizado para um primeiro semestre na cidade.
O boletim aponta que, depois da retração observada em 2024, Campo Grande retomou a trajetória de crescimento do comércio exterior em 2025 e consolidou esse movimento neste ano, sustentado sobretudo pelo avanço contínuo das exportações. O setor de proteínas animais segue como o principal motor desse desempenho: somente em junho, as exportações de carnes e miudezas comestíveis somaram US$ 69,980 milhões, mantendo o produto como líder absoluto da pauta exportadora do município. Também ganharam destaque no período resíduos das indústrias alimentares destinados à alimentação animal, gorduras e óleos de origem animal e vegetal, além de peles e couros — uma cadeia que reflete a força do complexo agroindustrial instalado na região metropolitana da Capital.
Para a prefeita Adriane Lopes (PP), os números indicam o fortalecimento da economia local e a ampliação da presença do município no mercado internacional. “Os números mostram que Campo Grande vem ampliando sua presença no comércio exterior e conquistando novos mercados. Esse crescimento fortalece nossa economia, atrai investimentos, gera empregos e amplia as oportunidades para quem produz e empreende na nossa cidade”, afirmou a prefeita, segundo o boletim divulgado pela Semades.
Um dos destaques do levantamento é o avanço da Rota de Integração Latino-Americana (Rila) como corredor logístico estratégico para o comércio exterior da Capital. Entre janeiro e junho, as operações envolvendo Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai movimentaram US$ 183,019 milhões, o equivalente a 27,21% de toda a corrente de comércio internacional de Campo Grande no semestre — uma fatia expressiva que evidencia o peso crescente dos vizinhos sul-americanos na pauta comercial do município. Pelos dados da Semades, o Chile foi o principal destino das exportações realizadas por essa rota, concentrando principalmente embarques de carnes e miudezas comestíveis. Já nas importações feitas pela Rila, predominam combustíveis minerais e derivados vindos da Bolívia e da Argentina.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, destacou que o desempenho comprova a consolidação da inserção da cidade no mercado internacional. “Os indicadores demonstram que Campo Grande vem consolidando sua inserção no mercado internacional. A Rila representa um importante diferencial logístico para o município, reduzindo distâncias, ampliando mercados e fortalecendo a competitividade das empresas locais. Esse cenário cria novas oportunidades de negócios, estimula investimentos e impulsiona o desenvolvimento econômico da Capital”, disse o secretário, também em declaração ao boletim municipal.
A China permaneceu como o principal parceiro comercial de Campo Grande nas exportações ao longo do semestre. Apenas em junho, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 49,761 milhões, um crescimento de 175,29% na comparação com o mesmo mês de 2025 — um salto expressivo que reforça o protagonismo do gigante asiático na pauta exportadora sul-mato-grossense, historicamente concentrada em proteína animal e commodities agrícolas. Estados Unidos, Indonésia e México aparecem na sequência entre os principais destinos dos produtos campo-grandenses. Já nas importações, a Bolívia liderou como principal fornecedora de produtos ao município em junho, com destaque para combustíveis minerais, seguida por China, Turcomenistão e Estados Unidos.
O boletim também detalha o desempenho mensal mais recente: somente em junho, Campo Grande exportou US$ 91,973 milhões, aumento de 48,71% na comparação com o mesmo mês do ano passado. As importações do mês totalizaram US$ 37,365 milhões, crescimento de 56,56%, resultando em um superávit mensal de US$ 54,608 milhões — o que ajuda a explicar a aceleração do saldo acumulado no semestre.
O resultado da Capital acompanha um movimento mais amplo observado em Mato Grosso do Sul, que tem registrado nos últimos meses recordes sucessivos de exportação em diferentes recortes — do agronegócio à indústria — e um dos maiores ritmos de crescimento da atividade econômica entre os estados brasileiros no acumulado de 12 meses, segundo dados recentes do Banco Central. Nesse contexto, o desempenho comercial de Campo Grande reforça o papel da Capital não apenas como centro político-administrativo do Estado, mas como um polo relevante de geração de divisas e de conexão com mercados externos.
Olhando à frente, o avanço da infraestrutura logística regional — a exemplo da Rota Bioceânica, cuja ponte internacional entre Porto Murtinho e o Paraguai está com entrega prevista para este mês — tende a ampliar ainda mais as possibilidades de escoamento e a competitividade das empresas instaladas na região metropolitana de Campo Grande, especialmente para o comércio com os países da América do Sul que já respondem por mais de um quarto da corrente de comércio da cidade. A prefeitura sinaliza que pretende dar continuidade às ações de atração de investimentos e de apoio à internacionalização de empresas locais, com o próximo boletim econômico devendo mostrar se o ritmo recorde se mantém no segundo semestre, tradicionalmente mais forte para o setor de proteína animal.
Fontes: Campo Grande News – Exportações de Campo Grande batem recorde e garantem maior superávit em 29 anos
