Meeting Internacional Sesi Senai reúne educadores, empresários e gestores públicos no Centro de Convenções para discutir qualificação profissional, tecnologia e integração entre escola e mercado
Campo Grande recebe nesta quarta-feira, 22 de julho, o Meeting Internacional de Educação Sesi Senai, apresentado por seus organizadores como o maior evento do segmento educacional em Mato Grosso do Sul. Com participação gratuita, o encontro acontece no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, no Parque dos Poderes, e reúne educadores, empresários, gestores públicos e lideranças da indústria em torno de um tema que resume a proposta do dia: “Inteligência, Indústria e Impacto Humano: A Educação no Centro da Transformação”.
Promovido pelo Sesi e pelo Senai, o meeting nasce de uma constatação que já não é exclusividade de especialistas em educação: a escola de hoje não conversa mais apenas com o quadro-negro, o caderno e a prova. Ela também precisa lidar com inteligência artificial, novas formas de aprender, a pressa do mercado de trabalho e mudanças de comportamento entre gerações — e é justamente esse conjunto de tensões que o evento se propõe a colocar na mesma sala, ao longo de um dia inteiro de programação.
A abertura oficial ficará a cargo do presidente da Fiems, Sérgio Longen, que vai apresentar o propósito do Sesi e do Senai na formação de profissionais e no fortalecimento da indústria em Mato Grosso do Sul — um recado que situa o evento não como um debate acadêmico isolado, mas como parte da estratégia da própria indústria sul-mato-grossense para formar a mão de obra que sustentará seu crescimento nos próximos anos. Na sequência, Bruna de Natale apresenta o modelo educacional da Nova Zelândia, uma referência internacional frequentemente citada em debates sobre reformas de ensino, seguida por uma apresentação de Rodolpho Mangialardo e Régis Borges sobre a visão do Sesi e do Senai para a educação profissional no Estado.
O painel “Educação para o Mercado” reúne Régis Borges, especialistas do Comitê Empresa-Escola, José Neto, o professor doutor Laércio Alves de Carvalho e Mônica Catânia para discutir a integração entre formação escolar e demandas do setor produtivo — um dos temas mais sensíveis da programação, já que lida diretamente com a queixa recorrente de empresários de que a formação técnica nem sempre acompanha a velocidade das mudanças no mercado de trabalho. Na sequência, o painel “Formar para Crescer”, com Rodolpho Mangialardo e convidados, aprofunda a discussão sobre qualificação profissional antes do horário de almoço ser fechado pela palestra “IA e o Futuro: O que Está Rolando no Mundo”, do especialista em inovação, tecnologia e transformação digital Arthur Igreja, que vai tratar dos efeitos da inteligência artificial nas organizações, nas profissões e na sociedade.
O período da tarde é dedicado a um recorte mais comportamental e neurocientífico da educação. Um dos painéis mais aguardados coloca o secretário de Estado de Educação, Hélio Queiroz Daher, para discutir o tema “ECA Digital e Escola: Limites, Direitos e Responsabilidades” — debate que ganha relevância num momento em que escolas de todo o país ainda buscam entender como aplicar, na prática, as regras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, equilibrando o uso pedagógico da tecnologia com os riscos que ela também carrega. Na sequência, Luciano Meira discute como diferentes gerações pensam, aprendem e se desenvolvem, enquanto Telma Pantano, Ana Luiza Neiva Amaral e Luiz Eduardo Leão levam ao público um painel sobre cérebro, tempo e foco — um tema que conecta neurociência a desafios muito concretos de sala de aula, como a dificuldade crescente de manter a atenção de estudantes em um ambiente saturado de estímulos digitais.
Márcio Krauss encerra o bloco da tarde com uma discussão sobre “inteligências individuais, coletivas e artificiais”, antes de o dia se encerrar com a palestra de Dado Schneider, doutor em Comunicação e uma das vozes mais conhecidas do país quando o assunto é comportamento entre gerações. Sua palestra, intitulada “O futuro mudou… bem na minha vez”, promete tratar das mudanças sociais aceleradas e dos desafios de adaptação que elas impõem tanto a escolas quanto a empresas — um fechamento que amarra o fio condutor de todo o evento: a ideia de que educação, indústria e tecnologia deixaram de ser agendas paralelas e passaram a depender umas das outras para formar a força de trabalho que o Estado vai precisar nos próximos anos.
Além das palestras e painéis, a programação reserva espaço explícito para networking, troca de experiências e aproximação entre instituições de ensino, empresas e organizações — um componente que, na prática, costuma ser tão relevante quanto o conteúdo das falas para eventos desse porte, já que é ali que nascem parcerias entre escolas técnicas e empresas locais, convênios de estágio e projetos conjuntos de qualificação profissional.
O momento em que o encontro acontece não é casual. Mato Grosso do Sul atravessa um período em que a indústria vem sendo apontada como novo motor de crescimento do Estado, ao lado do agronegócio historicamente dominante, com a criação de milhares de novos postos de trabalho registrada só nos primeiros meses deste ano. Esse tipo de expansão só se sustenta, no médio prazo, se houver mão de obra qualificada disponível — e é justamente esse o gargalo que eventos como o Meeting Internacional tentam endereçar, colocando lado a lado quem forma trabalhadores (escolas, universidades, Sesi e Senai) e quem vai empregá-los (a indústria representada pela Fiems). A presença de nomes como Arthur Igreja, dedicado a discutir os efeitos práticos da inteligência artificial no mercado de trabalho, reforça que a preocupação central do encontro não é apenas pedagógica, mas também econômica: entender como formar, hoje, profissionais que ainda serão relevantes daqui a uma década, num mercado de trabalho que a própria programação do evento reconhece estar mudando “bem na hora”.
Como próximo passo natural após o encontro, a expectativa dos organizadores é que as conexões estabelecidas ao longo do dia — entre escolas técnicas, universidades, empresários e gestores públicos — se transformem em parcerias concretas de qualificação profissional nos próximos meses, na linha do que já vem sendo construído por programas de formação técnica ligados ao Sesi e ao Senai no Estado. Fica também como ponto em aberto o desdobramento prático do painel sobre o ECA Digital nas escolas, tema que deve continuar no radar de gestores educacionais de MS mesmo depois de encerrado o evento desta quarta-feira.
Fontes: A Crítica de Campo Grande — A escola do futuro vai passar por Campo Grande no fim de julho; Diário Digital — Meeting Internacional abre inscrições para debate sobre o futuro da educação
