Setor fatura US$ 3,83 bilhões entre janeiro e junho, maior valor da série para o período, com celulose, papel e carnes liderando as vendas ao exterior e China como principal parceira comercial
As exportações industriais de Mato Grosso do Sul fecharam o primeiro semestre de 2026 em US$ 3,83 bilhões, o maior valor já registrado para os seis primeiros meses do ano em toda a série histórica do Estado, segundo levantamento divulgado nas últimas semanas e replicado por veículos como Diário Digital, Perfil News e Campo Grande News. O resultado consolida a indústria como a principal força do comércio exterior sul-mato-grossense, respondendo hoje por 67% de toda a receita gerada pelas vendas do Estado ao mercado internacional.
O desempenho foi puxado, sobretudo, pelo mês de junho, que sozinho somou US$ 806,9 milhões em faturamento — um salto de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado mensal ajudou a sustentar a trajetória de crescimento acumulada ao longo do semestre e reforça um movimento que vem sendo observado por analistas econômicos: a diversificação da pauta exportadora do Estado, historicamente dependente do agronegócio em grãos e proteína animal, agora com peso cada vez maior de produtos industrializados de maior valor agregado.
Celulose e frigorífico dividem a liderança
Os números mostram um empate técnico entre os dois setores que mais venderam ao exterior no período. A indústria de celulose e papel respondeu por 38% de participação nas exportações industriais do primeiro semestre, faturando cerca de US$ 1,44 bilhão. No mesmo patamar, o complexo frigorífico — carnes bovina, suína e de frango processadas no Estado — também alcançou 38% de participação, com faturamento semelhante, próximo de US$ 1,44 bilhão.
A combinação dos dois setores evidencia a transformação da matriz produtiva sul-mato-grossense nos últimos anos. Enquanto o frigorífico consolida uma cadeia já madura, apoiada em décadas de investimento em genética, nutrição animal e logística, a cadeia de celulose vive um ciclo de expansão ainda em curso, puxado pelos grandes investimentos anunciados para o chamado Vale da Celulose, região que concentra empreendimentos florestais e industriais de grande porte no Estado.
A fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, uma das maiores unidades fabris do gênero no mundo, já opera em plena capacidade. Em paralelo, a chilena Arauco constrói uma nova planta industrial em Inocência, enquanto a Bracell avança com o projeto na região de Bataguassu e Água Clara. Juntos, esses empreendimentos devem ampliar ainda mais a fatia da indústria de transformação na economia estadual nos próximos anos, à medida que as novas plantas entrarem em operação e passarem a contribuir com volumes crescentes de exportação.
China segue como principal compradora
No comércio internacional, a China se manteve disparada como a principal parceira comercial da indústria de Mato Grosso do Sul, importando o equivalente a US$ 1,35 bilhão no primeiro semestre do ano — mais de um terço de tudo o que o setor industrial sul-mato-grossense vendeu ao exterior no período. A demanda chinesa por celulose, papel e proteína animal segue sendo o principal motor das exportações do Estado, repetindo um padrão observado em anos anteriores.
Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição no ranking de destinos, com US$ 370,5 milhões em compras, seguidos de perto pela Holanda, com US$ 212,7 milhões — resultado que reflete a relevância do mercado europeu como porta de entrada para produtos processados sul-mato-grossenses, especialmente derivados de celulose destinados à indústria de papel e higiene do Velho Continente.
Contexto: indústria ganha espaço na economia estadual
O resultado das exportações do primeiro semestre dialoga com um movimento mais amplo identificado por analistas do mercado financeiro. Estudo recente do Departamento Econômico do Santander, obtido com exclusividade pelo Correio do Estado, projeta expansão média anual de 4,5% para o setor industrial de Mato Grosso do Sul entre 2025 e 2027 — ritmo superior ao dos demais segmentos da economia estadual, incluindo o próprio agronegócio, que deve perder intensidade após o ciclo excepcional de supersafras de soja e milho dos últimos anos.
A leitura de mercado é convergente com os números de comércio exterior: a indústria de transformação, puxada pela consolidação do Vale da Celulose e pela maturidade do complexo frigorífico, está deixando de ser apenas um setor de apoio ao agronegócio para se tornar, ela própria, um vetor autônomo de crescimento e geração de divisas para o Estado. Esse movimento tem efeitos que vão além do balanço comercial: mais exportações tendem a significar mais empregos qualificados nas plantas industriais, maior demanda por logística e serviços especializados e ampliação da arrecadação tributária municipal e estadual nas regiões onde os empreendimentos se instalam.
Desafios para o segundo semestre
Apesar do resultado recorde, o cenário para os próximos meses não está livre de incertezas. Analistas ouvidos pela imprensa econômica do Estado apontam que o ritmo de expansão da indústria pode ser afetado por fatores como a política monetária ainda restritiva no Brasil, o comportamento do mercado de trabalho nacional e, sobretudo, riscos climáticos como a possível ocorrência do fenômeno El Niño, que impacta tanto a produtividade agrícola — matéria-prima de parte da cadeia industrial — quanto a logística de escoamento em períodos de chuvas intensas.
Ainda assim, a expectativa entre entidades ligadas ao setor produtivo é de que o segundo semestre mantenha a trajetória positiva, à medida que novas etapas dos projetos industriais do Vale da Celulose avancem e a demanda internacional, especialmente da China, continue aquecida. Para consolidar o recorde, o desafio passa a ser diversificar ainda mais os destinos das exportações, reduzindo a concentração em poucos parceiros comerciais, e ampliar a participação de produtos de maior valor agregado na pauta de vendas — uma pauta que já começa a ganhar corpo com a chegada de fornecedores e prestadores de serviços especializados atraídos pela nova fase industrial do Estado.
Fontes: Diário Digital — https://www.diariodigital.com.br/economia/exportacoes-industriais-de-ms-alcancam-marca-historica-em-2026 | Perfil News — https://www.perfilnews.com.br/2026/07/16/exportacoes-industriais-de-ms-somam-us-383-bilhoes-no-1o-semestre-de-2026/ | Campo Grande News — https://www.campograndenews.com.br/economia/exportacoes-industriais-de-ms-batem-recorde-puxadas-pelo-setor-frigorifico | Correio do Estado — https://correiodoestado.com.br/economia/industria-assume-lugar-do-agro-e-passa-a-puxar-o-crescimento-de-ms/469020/
