Governo do Estado e Sebrae/MS lançam o “MS Inova Mais Municípios” durante a 3ª edição do evento, em Aquidauana, com a criação do primeiro Ecossistema Regional de Inovação do Estado e a assinatura de um Pacto pela Inovação entre poder público, empresas, universidades e sociedade civil
Aquidauana, no interior de Mato Grosso do Sul, virou na última sexta-feira (3) o centro da agenda de inovação do Estado. A cidade recebeu a abertura da 3ª edição da Pantanal Tech, um dos maiores eventos sul-mato-grossenses voltados à inovação, tecnologia e empreendedorismo para o desenvolvimento sustentável da região pantaneira, e foi ali que o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semadesc), e o Sebrae/MS lançaram oficialmente o programa “MS Inova Mais Municípios”. A proposta é simples de enunciar e ambiciosa de executar: levar a agenda de inovação, hoje concentrada em Campo Grande e em alguns polos regionais, para dentro da rotina de gestão dos 79 municípios do Estado.
Para o governador Eduardo Riedel, a lógica do programa é conectar um instrumento que o Governo já usa em outras áreas — o MS Ativo, de articulação com prefeituras em infraestrutura, educação e empreendedorismo — à pauta da inovação. “A gente tem uma característica muito forte de trabalhar com os municípios, por meio de iniciativas como o MS Ativo, tanto na área de infraestrutura, na educação e no empreendedorismo vinculado ao ambiente de inovação. Ao assinar essa parceria com o Sebrae a gente espera estreitar ainda mais essa relação com as cidades para fomentar esse ambiente de inovação que tem feito muito a diferença para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul”, afirmou o governador durante a cerimônia.
Carbono neutro até 2030 passa pelos municípios
O secretário da Semadesc e conselheiro do Sebrae/MS, Arthur Falcette, colocou o programa dentro de uma meta concreta e já assumida pelo Estado: ser carbono neutro até 2030. Segundo ele, essa meta só será alcançada se cada um dos 79 municípios sul-mato-grossenses tiver capacidade de incorporar tecnologia e inovação às suas próprias políticas públicas. “O Governo do Estado tem ajudado as prefeituras em diversas pautas e agora conseguimos incluir a inovação nessa agenda municipalista. Com isso, temas altamente estratégicos para o Estado, que já vínhamos discutindo com a academia e com todo o Ecossistema de Inovação, passam a ter maior relevância também nos municípios. Assim, começamos a avançar nas pautas de transição energética e em nossas cadeias produtivas”, disse Falcette, destacando que bioeconomia e sustentabilidade estão entre as pautas prioritárias do programa.
Já a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, situou o “MS Inova Mais Municípios” como uma continuidade do trabalho de articulação que a instituição já vem fazendo nos territórios. “O Sebrae/MS tem atuado como articulador, ajudando na estruturação dos Ecossistemas Locais de Inovação e estimulando uma ação conjunta entre representantes de diferentes setores, desde a iniciativa privada, até o poder público, as universidades e os empreendedores. Com esse programa, o trabalho avança para fazer com que esses grupos comecem a agir como um sistema, pensando na região. Dessa forma, estimulamos a geração de novos negócios, além de trazermos soluções importantes para o mercado, tornando as empresas mais competitivas e prontas para aproveitar novas oportunidades”, explicou.
12 ecossistemas locais — e o primeiro sistema regional do Estado
Mato Grosso do Sul já conta hoje com 12 Ecossistemas Locais de Inovação espalhados pelo território, com um 13º em processo de implementação em Coxim. O “MS Inova Mais Municípios” pretende usar essa rede como base para ações concretas nas cidades, entre elas o apoio à criação de leis municipais de inovação, conselhos e fundos próprios de inovação, além da adoção de mecanismos como compras públicas voltadas a soluções inovadoras — uma forma de o próprio poder público local se tornar cliente de startups e empresas de base tecnológica da região.
Foi justamente em Aquidauana que o programa deu seu primeiro passo prático de articulação regional. O evento marcou a assinatura da criação do Ecossistema Regional de Inovação da região Oeste do Estado, reunindo Anastácio — que passa a integrar o ecossistema já consolidado há dois anos em Aquidauana —, além de Jardim, Guia Lopes da Laguna e o binômio Corumbá/Ladário. Tiago Calves, coordenador do Ecossistema de Inovação de Aquidauana e Anastácio, descreveu o significado do arranjo: “Nós somos o primeiro sistema regional de inovação e vamos estruturar esse trabalho conjunto. Cada uma das cidades tem características muito próximas em alguns pontos e em outros são totalmente diferentes, mas que se complementam quando a gente tem um olhar para o todo. Isso permite que a gente crie soluções distintas e traga isso para dentro do Ecossistema, ou seja, nós somamos esforços, temos o compartilhamento de boas práticas, novas redes de informação e tudo isso contribui para o desenvolvimento.”
Na mesma cerimônia, também foi assinado o Pacto pela Inovação, documento pelo qual instituições públicas, setor produtivo, academia e sociedade civil organizada assumem formalmente o compromisso de atuar de forma conjunta em favor da inovação na região pantaneira — um gesto simbólico, mas que formaliza um compromisso multissetorial que o Estado vem tentando construir há alguns anos.
Reconhecimento e programação paralela
A abertura da Pantanal Tech 2026 também teve um momento de homenagem: 11 pessoas foram reconhecidas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) pelo trabalho em prol do desenvolvimento da região pantaneira, entre elas a própria diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, que discursou em nome dos homenageados. O reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, explicou a escolha do palco: “A Pantanal Tech é um grande encontro da produção sustentável do Pantanal de Mato Grosso do Sul e uma grande vitrine para novas tecnologias e inovações trazidas por diversas instituições e nós queremos deixar a mensagem de que o Pantanal é feito com amor, então, a nossa grande homenagem são para as pessoas que vivem aqui, produzem e trabalham para que a gente possa ter um ambiente desenvolvido.”
O evento seguiu até domingo (5) com programação ampla. O Sebrae/MS manteve um espaço de atendimento ao empreendedor durante toda a feira, além da unidade móvel Sebrae Móvel, que ofereceu capacitações gratuitas sobre inteligência artificial, novas tecnologias, reforma tributária, gestão e vendas. No pavilhão de Economia Criativa, montado em parceria com o Governo do Estado, 70 empreendedores e produtores rurais atendidos pelo Sebrae tiveram espaço para expor e comercializar produtos, com o objetivo declarado de gerar renda e ampliar o acesso a novos mercados para negócios locais.
O que vem depois de Aquidauana
O lançamento do “MS Inova Mais Municípios” chega em um momento em que Mato Grosso do Sul já vem sendo descrito por gestores do próprio ecossistema estadual — caso da Fundect — como um polo de inovação em expansão, sustentado por centenas de milhões de reais em investimentos anuais de ciência e tecnologia e por um número crescente de startups registradas no Estado. O desafio agora, segundo os próprios articuladores do programa, é levar essa dinâmica para além da capital e dos polos regionais já consolidados, transformando cidades médias e pequenas em ambientes efetivamente capazes de atrair, reter e gerar negócios inovadores. Com o Ecossistema Regional da região Oeste como primeiro teste prático do modelo, o próximo passo deve ser observar se outras regiões do Estado seguem o mesmo caminho de articulação coletiva nos próximos meses.
Fonte: Capital do Pantanal, com informações da Agência Sebrae de Notícias – https://www.capitaldopantanal.com.br/economia/2026/07/04/pantanal-tech-2026-e-palco-para-lancamento-de-programa-de-fomento-a-inovacao-nos-municipios-de-ms.html
