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Empreenda MS > Empreendedorismo > Rota Bioceânica: ponte sobre o rio Paraguai chega a 99% de execução, mas integração entre aduanas vira o novo desafio
Empreendedorismo

Rota Bioceânica: ponte sobre o rio Paraguai chega a 99% de execução, mas integração entre aduanas vira o novo desafio

Empreenda MS Publicado em 06/07/2026 283 visualizações
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10 minutos de leitura
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Receita Federal apresenta em Campo Grande relatório sobre o corredor que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos; sem integração fiscal entre quatro países, ganho logístico de até 17 dias pode não se converter em competitividade real

A Rota Bioceânica, projeto que promete conectar Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, entrou em julho de 2026 com uma notícia boa e um alerta. A boa notícia é que a ponte internacional entre Porto Murtinho, no MS, e Carmelo Peralta, no Paraguai — principal obra física do corredor sobre o rio Paraguai — está com 99% de execução e deve ser entregue ainda este mês. O alerta veio do secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, que esteve em Campo Grande na quarta-feira (1º) para apresentar um relatório técnico sobre os desafios remanescentes do corredor: sem integração aduaneira entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, os ganhos de tempo prometidos pela nova rota podem se perder em filas de fiscalização nas fronteiras.

Barreirinhas participou da apresentação do documento produzido após uma expedição de servidores da Receita pelo traçado da Rota, que mapeou as dificuldades operacionais em cada posto aduaneiro do trajeto. A conclusão é direta: de nada adianta reduzir o tempo de viagem se a burocracia nas fronteiras consumir o que foi economizado na estrada. “Não adianta você ganhar 15 dias, por exemplo, em relação a outros percursos e perder 20 dias com burocracia de 4 aduanas diferentes. Nós temos a aduana brasileira, paraguaia, argentina e chilena envolvidas. Então a gente tem um desafio também de integração, que esse é o trabalho da Receita para que haja uma simplificação aduaneira”, explicou o secretário.

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Um ganho de 17 dias — se a integração acontecer

O superintendente-adjunto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal (que abrange Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins), Erivelto Alencar, quantificou o potencial da rota: com a integração aduaneira consolidada, a exportação pela Rota Bioceânica pode ficar até 17 dias mais rápida em relação às alternativas atuais. É esse número que sustenta o discurso governamental de que o corredor pode reposicionar Mato Grosso do Sul no mapa do comércio exterior sul-americano, encurtando a distância entre a produção do Centro-Oeste brasileiro e os mercados asiáticos, via Pacífico.

Para tentar destravar esse ganho, o Brasil assumiu neste ano a presidência da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e vai usar o posto para defender a simplificação e a integração aduaneira entre os países que cortam o corredor. Barreirinhas citou como modelo o acordo já firmado com o Peru para a chamada Rota Quadrante Rondon, que atravessa cinco estados brasileiros rumo aos portos peruanos, por onde escoa parte da produção nacional destinada à Ásia. A expectativa da Receita é reproduzir esse tipo de entendimento bilateral — neste caso, multilateral — também no eixo que passa por Mato Grosso do Sul.

Ponte quase pronta, mas obras do lado paraguaio ainda avançam

Sobre a obra física, Alencar detalhou que os maiores obstáculos de engenharia do projeto já foram superados. O trecho mais desafiador do traçado geral da Rota Bioceânica é a travessia da Cordilheira dos Andes, que chega a 4.713 metros de altitude do lado chileno-argentino. Já no trecho paraguaio, próximo à fronteira com o Brasil, alguns segmentos rodoviários ainda estão em fase inicial de obras, com previsão de conclusão em até um ano, segundo o superintendente-adjunto. Ele mencionou ainda a preocupação com pontes paraguaias que hoje permitem a passagem de apenas um veículo por vez — um gargalo que a construção de novas estruturas deve resolver.

A ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é construída por um consórcio de empreiteiras contratado pelo governo paraguaio. Quando concluída, ela ligará fisicamente o território brasileiro ao paraguaio sobre o rio Paraguai, viabilizando o tráfego terrestre contínuo até os portos chilenos de Iquique e Antofagasta — que, segundo projeções do setor, vão mais que dobrar a capacidade de processamento de mercadorias após a implantação plena do corredor logístico, que soma mais de 3 mil quilômetros ligando o Porto de Santos ao litoral do Pacífico.

MS monta a logística de apoio ao corredor

Enquanto a costura diplomática das aduanas segue em andamento, o Governo de Mato Grosso do Sul trabalha na infraestrutura de apoio que vai conectar o território estadual à Rota Bioceânica. Segundo reportagem publicada pelo próprio portal Rota Bioceânica, com base em material da Secretaria de Comunicação do Estado (Secom-MS), o governador Eduardo Riedel resumiu a estratégia: “Estamos fazendo nosso dever de casa, ao qualificar e preparar nossa logística para o futuro. Só desta forma vamos acompanhar e suprir as demandas deste crescimento exponencial do Estado, que reflete diretamente na qualidade de vida das pessoas.”

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, explicou que o foco do Estado é deixar de tratar cada modal de transporte de forma isolada e passar a enxergar rodovias, ferrovias, hidrovias e aeródromos como uma malha integrada. Essa lógica está sendo formalizada no novo Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT), em elaboração pelo Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) em conjunto com a Semadesc e a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog), dentro do programa Rodar MS. Segundo o assessor de logística da Semadesc, Luís Eduardo Costa, o plano vai orientar as prioridades de investimento dos próximos anos, cruzando o crescimento da produção agroindustrial com a capacidade real dos modais de escoamento.

Nas rodovias, a meta é ter 5.988 km da malha estadual pavimentada até o fim de 2026 — 857 km a mais do que havia em 2023 —, com a perspectiva de inverter, até 2030, a proporção entre estrada pavimentada e não pavimentada no Estado. “Estradas pavimentadas reduzem custos logísticos, atraem investimentos privados e, acima de tudo, mudam a vida das pessoas”, afirmou o secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara. Nos aeródromos, o plano prevê R$ 250 milhões em investimentos até o fim do ano — somados aos R$ 140 milhões já aplicados desde 2023 —, com oito aeródromos reativados e sete aeroportos operando com voos diurnos e noturnos, incluindo a ampliação do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande.

No transporte ferroviário, dois projetos concentram as atenções: a retomada da Malha Oeste, que conecta Corumbá a Mairinque (SP) ao longo de 600 km dentro do Estado e está sob estudo de nova concessão pelo Ministério dos Transportes; e a Nova Ferroeste, que ligaria o sudoeste sul-mato-grossense ao Porto de Paranaguá (PR) via Maracaju. A iniciativa privada também entrou nessa frente: a Arauco lançou neste ano a primeira “short line” ferroviária do Brasil, um ramal de 54 km que conecta sua fábrica em Inocência à Malha Norte, operada pela Rumo. Já nas hidrovias, os rios Paraguai e Paraná seguem como eixos estratégicos de escoamento, com os portos de Corumbá e Porto Murtinho como principais terminais.

Próximos passos

Com a ponte internacional próxima da entrega e o relatório da Receita já em mãos das autoridades dos quatro países, o próximo capítulo da Rota Bioceânica deve se desenrolar na mesa de negociação aduaneira — e não mais no canteiro de obras. Campo Grande deve reforçar esse movimento de aproximação internacional nesta semana, ao sediar o Tarapacá Day, evento que reúne autoridades chilenas e brasileiras para tratar de relações comerciais, logísticas e institucionais ligadas ao corredor. Para o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, a combinação entre obra física concluída, plano estadual de logística em curso e pressão diplomática por simplificação aduaneira é o que vai determinar se a Rota Bioceânica vai, de fato, encurtar distâncias — ou apenas trocar o gargalo da estrada pelo gargalo da fronteira.

Fontes: Midiamax – https://midiamax.com.br/cotidiano/2026/fiscalizacao-desafio-rota-bioceanica-diz-secretario-receita-federal/ | Portal Rota Bioceânica / Governo de MS – https://rotabioceanica.com.br/2026/07/com-investimentos-integracao-e-planejamento-ms-prepara-logistica-para-futuro-promissor/

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