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Lendo: Bracell resolve impasse técnico e destrava licenciamento de megafábrica de celulose de R$ 16 bilhões em Bataguassu
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Empreenda MS > Empreendedorismo > Bracell resolve impasse técnico e destrava licenciamento de megafábrica de celulose de R$ 16 bilhões em Bataguassu
Empreendedorismo

Bracell resolve impasse técnico e destrava licenciamento de megafábrica de celulose de R$ 16 bilhões em Bataguassu

Empreenda MS Publicado em 10/07/2026 3 visualizações
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9 minutos de leitura
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Governo do Estado confirma que redesenho no layout do empreendimento equacionou pendência sobre drenagem de águas pluviais; construção da maior planta industrial já anunciada no município deve começar em 2027

O projeto da futura fábrica de celulose da Bracell em Bataguassu, no interior de Mato Grosso do Sul, avançou para uma nova etapa do processo de licenciamento ambiental depois que a empresa promoveu um redesenho no layout da planta industrial para solucionar um impasse técnico que travava a tramitação havia meses. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10) pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, durante a Pantanal Tech MS 2026, em Aquidauana. “O problema foi equacionado. Houve uma alteração no layout da fábrica e, agora, aguardamos apenas a retificação do processo de licenciamento”, afirmou o secretário.

O empreendimento é considerado o maior investimento privado já anunciado na história de Bataguassu, cidade de cerca de 22 mil habitantes situada às margens do Rio Paraná, no sul do Estado. Avaliado em R$ 16 bilhões, o projeto prevê a instalação da primeira planta da Bracell em solo sul-mato-grossense — a quinta fábrica de celulose do Estado, que já reúne outros grandes players do setor, como Suzano e Eldorado. Segundo estudos técnicos apresentados pela empresa, a unidade vai consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano e terá capacidade para produzir até 2,92 milhões de toneladas de celulose anualmente, com a possibilidade de operar em duas configurações: exclusivamente celulose kraft, voltada ao mercado de papel e embalagens, ou em um arranjo misto que combina celulose kraft e celulose solúvel — esta última considerada uma inovação estratégica para o parque industrial do Estado. As estimativas mais recentes apontam para a geração de 12 mil empregos durante a fase de construção e cerca de 2 mil postos permanentes na operação da planta, uma vez concluída.

O impasse que motivou o redesenho do projeto estava relacionado à drenagem de águas pluviais na área originalmente definida para a instalação da fábrica, localizada a cerca de nove quilômetros da zona urbana de Bataguassu, às margens da rodovia MS-267 e a poucos quilômetros do Rio Paraná — que será a fonte de captação de água da unidade. Em entrevista ao Perfil News, o ex-secretário da Semadesc, Jayme Verruck, detalhou a natureza técnica da mudança: “A empresa manteve o projeto na mesma área. O que aconteceu foi uma alteração no layout, aproximando a planta da BR-262. A partir daí houve a necessidade de uma nova destinação das águas pluviais. A captação de água continua sendo a mesma, no Rio Paraná, mas será necessária uma bacia de contenção e outras adequações técnicas.”

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Na prática, a Bracell chegou a protocolar formalmente o pedido de Licença de Instalação (LI) — etapa que autoriza o início efetivo das obras — mas precisou retirar temporariamente a documentação para incorporar os ajustes de engenharia ao projeto original. A empresa já possui a Licença Prévia (LP), concedida pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) ainda no fim de 2025, mas o início das obras depende justamente da emissão da LI, que só pode ser solicitada novamente após a retificação do processo, já que o empreendimento havia sido aprovado com uma configuração diferente de layout.

Segundo Verruck, o novo desenho da planta já foi apresentado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão responsável pela análise técnica do licenciamento, que classificou a questão como tecnicamente resolvida. “Essa questão já está equacionada. Hoje existe um trabalho conjunto entre a empresa e o Imasul para adequar a Licença Prévia e permitir a solicitação definitiva da Licença de Instalação”, disse o ex-secretário. Paralelamente, também está em curso um processo de desapropriação de uma pequena fração da área por parte da Prefeitura de Bataguassu, medida que deve ajudar a consolidar de forma definitiva o terreno destinado ao empreendimento.

Com a pendência técnica encaminhada, a expectativa das autoridades estaduais é que o Imasul consiga concluir a análise da nova Licença de Instalação em um prazo de 60 a 90 dias a partir da formalização do pedido retificado. “A partir do momento em que essa etapa estiver resolvida, o Imasul acredita que há possibilidade de emitir a Licença de Instalação entre 60 e 90 dias. Com isso, permanece a expectativa de que a construção da fábrica da Bracell em Bataguassu tenha início no próximo ano”, afirmou Verruck, referindo-se ao início das obras em 2027.

O caso da Bracell em Bataguassu ilustra um fenômeno mais amplo que Mato Grosso do Sul vem vivendo nos últimos anos: a atração de investimentos industriais bilionários, sobretudo no setor de celulose, atraídos pela disponibilidade de terras para plantio de eucalipto, pela logística ferroviária e rodoviária em expansão e pela proximidade com portos fluviais na bacia do Rio Paraná. Levantamentos recentes do setor produtivo estadual apontam que o Estado reúne hoje mais de R$ 115 bilhões em investimentos anunciados entre 2023 e 2030, distribuídos entre projetos já concluídos, em execução e ainda em fase de licenciamento, com potencial de gerar ao menos 18 mil empregos diretos nos setores de celulose, mineração, proteína animal e combustíveis. Entre os empreendimentos de maior porte na carteira do Estado está também o projeto da chilena Arauco, avaliado em cerca de R$ 25 bilhões, na cidade de Inocência — um indicativo de que o Estado vem se consolidando como um dos principais destinos de investimento florestal-industrial do país.

Para Bataguassu, especificamente, o desfecho do imbróglio técnico é aguardado com expectativa por lideranças locais e pelo comércio da região, que já projeta os efeitos indiretos de uma obra de grande porte sobre a economia municipal — desde a demanda por serviços de hospedagem e alimentação durante a fase de construção até o adensamento populacional que costuma acompanhar empreendimentos dessa magnitude em cidades de médio porte do interior. O precedente de outras plantas de celulose já instaladas em Mato Grosso do Sul, como as unidades de Três Lagoas, é frequentemente citado como referência do potencial de transformação econômica que esse tipo de investimento pode trazer para os municípios-sede.

Enquanto a retificação da Licença de Instalação segue seu trâmite técnico junto ao Imasul, o desfecho do caso deve ser acompanhado de perto tanto pelo mercado quanto pela população de Bataguassu — que, segundo estimativas do próprio projeto, poderá ver sua economia local ser redesenhada nos próximos anos por um dos maiores aportes privados já registrados no Estado.

Fontes: Perfil News, Bracell redesenha projeto da fábrica em Bataguassu, resolve impasse e avança para nova etapa do licenciamento; Campo Grande News, Bracell entrega estudo para fábrica de R$ 16 bilhões com 12 mil empregos em MS; Prefeitura de Bataguassu, Bracell confirma instalação de megafábrica em Bataguassu e consolida maior investimento privado da história do município; Acrissul, Mato Grosso do Sul capta R$ 50 bilhões em investimentos em dois anos.

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