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Lendo: Malha Oeste: Reinaldo defende leilão por trechos; ferrovia de 1,6 mil km está sem trem
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Infraestrutura

Malha Oeste: Reinaldo defende leilão por trechos; ferrovia de 1,6 mil km está sem trem

Empreenda MS
Empreenda MS Empreenda MS Publicado em 05/11/2026 3 visualizações
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13 minutos de leitura
Malha Oeste: trem de carga atravessa paisagem rural seca
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Proposta do senador eleito para a Malha Oeste chega às vésperas do julgamento no TCU e mexe com o frete de quem planta, minera e fabrica em MS

A Malha Oeste, ferrovia de cerca de 1,6 mil quilômetros que liga Corumbá (MS) a Mairinque (SP), ganhou nesta quarta-feira (4) uma nova proposta para voltar a ter trens: o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) defende que a concessão seja relicitada por trechos, de acordo com a demanda de cargas e a viabilidade econômica de cada segmento.

A ideia inclui avaliar as bitolas mais adequadas para conectar a linha a outros ramais, com adequações entre bitola larga e estreita quando houver viabilidade técnica e econômica. A proposta chega num momento decisivo: em outubro, o Ministério dos Transportes divulgou um calendário que prevê edital em abril de 2027 e leilão em agosto de 2027, como o Empreenda MS mostrou na época.

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O que muda agora é o peso político do debate. A posição de um senador que assume o mandato em 2027 se soma à discussão que o próprio governo federal já fazia sobre dividir a ferrovia, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU), sem cujo aval o edital não pode sair, tem julgamento final esperado para novembro.

Para quem empreende em Mato Grosso do Sul, o tema não é distante. Segundo diagnóstico da Aprosoja/MS, cerca de 80% do escoamento agrícola do Estado ainda depende das rodovias, e o custo do frete pesa em toda a cadeia, do produtor rural ao comércio que recebe mercadorias pela estrada.

O que Reinaldo propõe para a Malha Oeste

Em publicação nas redes sociais, Reinaldo resumiu a proposta. “Não basta recuperar os trilhos. Precisamos de uma ferrovia que funcione, tenha carga para transportar e esteja conectada aos principais corredores logísticos do país. Defendo a relicitação por trechos, de acordo com a demanda de cargas, e a avaliação das bitolas mais adequadas para garantir essas conexões”, afirmou.

Ele também apresentou números para mostrar o tamanho do desafio logístico. Para escoar 11 milhões de toneladas de soja, seriam necessárias aproximadamente 300 mil viagens de caminhões com capacidade de 37 toneladas. Um único trem de 150 vagões, segundo ele, pode transportar até 15 mil toneladas de grãos, o equivalente à carga de mais de 400 caminhões.

“Mato Grosso do Sul bate recordes de produção, mas continua dependendo excessivamente das rodovias. O transporte ferroviário reduz custos, diminui o desgaste das estradas e aumenta a competitividade de quem produz. Precisamos combinar os dois modais de forma inteligente”, disse o senador eleito.

Reinaldo afirma que pretende defender no Senado uma solução estruturante para a Malha Oeste, com participação do governo federal, do setor produtivo e de investidores privados, para garantir a viabilidade dos investimentos e a volta efetiva do transporte ferroviário.

Por que a Malha Oeste está parada

A ferrovia está sem operação comercial desde 1º de dezembro de 2025, quando rodou o último trem, com minério, num trecho de cerca de 45 quilômetros em Corumbá. Até esta quinta-feira (5), são mais de 11 meses sem carga sobre os trilhos.

A concessão da Malha Oeste terminou em 30 de junho de 2026, depois de 30 anos. A Rumo, que pediu a devolução da malha em 2020, cumpre um contrato emergencial de 180 dias que prevê apenas vigilância, roçada e limpeza. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) abriu licitação de R$ 212,5 milhões para a conservação da linha por até três anos a partir de janeiro, serviço que não prevê a volta dos trens.

Enquanto isso, a carga migrou para o asfalto. Em junho, a LHG Mining, mineradora do grupo J&F em Corumbá, informou que cerca de 300 carretas por dia ocupavam a BR-262 e o acesso ao porto Gregório Curvo. A empresa vem ampliando a produção de minério em Corumbá e já sinalizou disposição de investir. “Se for necessário investir, nós vamos investir”, disse na ocasião o representante da empresa, Jamil Sebe.

Malha Oeste: trilhos de ferrovia sob céu azul
Foto ilustrativa: Unsplash

O modelo em estudo para o leilão

O desenho apresentado pelo Ministério dos Transportes em outubro divide a disputa em três objetos. O objeto A vai de Corumbá a Mairinque, e o objeto B, de Corumbá a Bauru (SP); ambos contam com aporte federal. O objeto C vai de Corumbá a Três Lagoas, inteiro em território sul-mato-grossense, e não recebe recurso da União.

O aporte federal é de até R$ 3,6 bilhões, com repasses de no máximo R$ 500 milhões por ano, em pelo menos oito parcelas. O dinheiro só existe se a vencedora operar até Mairinque ou até Bauru. O ramal de Ponta Porã é opcional, por conta e risco de quem vencer.

A estimativa de obras caiu de R$ 35,7 bilhões para até R$ 29 bilhões, uma redução de cerca de 19%. Os custos de operação, de R$ 53,5 bilhões, não mudaram, e o contrato terá 57 anos. A carga prevista no projeto chega a até 52,5 milhões de toneladas por ano.

Em julho, a área técnica do TCU suspendeu a análise e fez 24 exigências, entre elas nova audiência pública e um modelo econômico atualizado. O ministério espera o julgamento final em novembro. Sem esse aval, o edital da Malha Oeste não pode ser lançado.

A divisão em trechos já estava na mesa

A proposta de Reinaldo conversa com um ponto que já preocupava os técnicos: o miolo entre Campo Grande e Corumbá, que cruza o Pantanal, é considerado o trecho de maior risco da Malha Oeste. Por isso, o governo chegou a estudar a divisão da ferrovia em lotes antes de chegar ao modelo de três objetos.

Na prática, a relicitação por trechos defendida pelo senador eleito tenta casar cada segmento com a carga que ele realmente tem. A lógica é que um operador interessado só no trecho com demanda garantida não precise assumir, no mesmo contrato, partes da linha que hoje não se pagam.

Bitola é o nó técnico da Malha Oeste

Outro ponto citado por Reinaldo é a bitola, a distância entre os trilhos. A Malha Oeste tem bitola métrica, de 1 metro, mais estreita que a da Malha Norte, operada pela Rumo, que é larga, de 1,60 metro. Um trem não passa de uma linha para a outra sem baldeação, ou seja, sem transferir a carga.

Esse detalhe técnico pesa na conexão com os grandes corredores de exportação. MS já tem projetos ferroviários em outras frentes, como o da Arauco, que obteve registro da ANTT para levar celulose de Inocência até o Porto de Santos. Integrar a Malha Oeste a esse tipo de rede depende de resolver a diferença de bitolas.

Quem está de olho na Malha Oeste

Quatro grupos aparecem no radar do leilão: Rumo, MRS e FCA, que são operadoras ferroviárias, e a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que não opera trens. A J&F tem carga nas duas pontas do trecho sul-mato-grossense: o minério da LHG Mining, em Corumbá, e a celulose da Eldorado, em Três Lagoas.

A LHG Mining produz cerca de 12 milhões de toneladas de minério por ano e quer chegar a 25 milhões. A Eldorado planeja mais que dobrar a produção. Esse perfil se encaixa no objeto C, o trecho só de MS, justamente o que não recebe dinheiro público.

MRS e FCA não operam no Estado. O interesse delas está mais ligado ao Ferroanel de São Paulo, obra estimada em R$ 6 bilhões, que dá acesso aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Em setembro, o economista Jaime Verruck avaliou que a licitação dificilmente sairia em 2026, o que acabou se confirmando com o novo calendário.

O que a Malha Oeste significa para quem produz em MS

Os números da produção ajudam a explicar a pressão. Na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul colheu 17,7 milhões de toneladas de soja, segundo a Aprosoja/MS. A Conab estima a produção estadual de grãos em 30,3 milhões de toneladas, e o rebanho é de aproximadamente 17,9 milhões de bovinos. Para a próxima safra, a entidade projeta colheita menor, o que deixa o custo do frete ainda mais sensível para o produtor.

Com quase toda essa produção saindo por caminhão, o desgaste das rodovias estaduais e federais é intenso, e o custo logístico entra no preço final de insumos e mercadorias. Uma ferrovia ativa tende a aliviar as estradas e a reduzir o custo de transporte de cargas pesadas, o que beneficia não só grandes exportadores, mas também transportadoras, fornecedores e o comércio das cidades ao longo da Malha Oeste.

“MS precisa voltar aos trilhos. Não podemos continuar transportando a produção do futuro com a infraestrutura do passado. Precisamos de ferrovias modernas, economicamente viáveis e integradas aos corredores de desenvolvimento do Brasil”, afirmou Reinaldo.

Próximos passos

O primeiro marco é o julgamento do TCU, esperado para novembro. Depois dele, o Ministério dos Transportes prevê o edital em abril de 2027 e o leilão em agosto de 2027. Até lá, a conservação da linha passa ao Dnit a partir de janeiro, sem previsão de trens.

A Malha Oeste divide a carteira federal de 2027 com outros projetos ferroviários, como o Anel Ferroviário do Sudeste (abril), a Ferrogrão (setembro) e o Corredor Leste-Oeste (outubro), num pacote que soma R$ 160 bilhões em investimentos.

Se a ideia de relicitar por trechos vai ganhar espaço no modelo final ainda é uma incógnita. O que está claro é que a decisão sobre a Malha Oeste nos próximos meses vai definir por quanto tempo a produção de MS seguirá dependendo quase só das rodovias.

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Fontes

Ponta Porã Informa: Reinaldo defende relicitação da Malha Oeste por trechos

A Crítica de Campo Grande: Malha Oeste vai a leilão em 2027, e dinheiro da União só vem se a ferrovia chegar a São Paulo

A Crítica de Campo Grande: ANTT promete edital da Malha Oeste até dezembro; J&F, Rumo, MRS e FCA estão no radar do leilão

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