Fundect divulgou o resultado final da terceira edição do programa em Mato Grosso do Sul: R$ 6,5 milhões para tirar do papel negócios de base tecnológica. Quem foi aprovado precisa entregar a documentação agora, e os 53 suplentes ainda podem ser chamados.
Mato Grosso do Sul já sabe quais são as 47 ideias inovadoras que vão receber dinheiro público para virar empresa. A Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de MS) divulgou na quinta-feira, 29 de outubro, o resultado final da terceira edição do Programa Centelha no Estado. Cada projeto aprovado pode receber até R$ 89,6 mil em subvenção econômica, que é dinheiro não reembolsável, e mais até R$ 50 mil em bolsas do CNPq, o que soma até R$ 139,6 mil por iniciativa. O investimento total previsto é de R$ 6,5 milhões, e a fase de contratação começou nesta terça-feira, 3 de novembro, com a entrega de documentos pelas equipes selecionadas.
Além dos 47 aprovados, a lista final tem 53 propostas suplentes, num total de 100 projetos classificados. É o fim de um funil longo: quando as inscrições fecharam, em 25 de maio, o Estado tinha registrado 1.135 ideias, o maior número do Centro-Oeste nesta edição, como o Empreenda MS mostrou em julho na reportagem Mato Grosso do Sul lidera o Centro-Oeste no Programa Centelha e mira recorde histórico em inovação. Na época, o calendário previa o resultado final para 29 de julho. A novidade agora é que a lista está fechada e o dinheiro começa a ser contratado.
O que muda com o resultado final
Na prática, o resultado transforma uma ideia aprovada num compromisso com prazo. Segundo a Fundect, as equipes selecionadas precisam apresentar a documentação exigida no edital a partir de 3 de novembro. A fundação avisa que a aprovação não garante, por si só, a contratação: o repasse depende do cumprimento de todos os requisitos previstos na chamada. Quem deixar de entregar um documento ou não se enquadrar em alguma exigência pode perder a vaga.
É aí que entram os suplentes. De acordo com a Fundect, os 53 projetos em espera podem ser convocados em três situações: desistência de um aprovado, desclassificação durante a contratação ou disponibilidade de recursos adicionais. A convocação segue a ordem de classificação. Para quem ficou na suplência, portanto, a recomendação é acompanhar de perto as publicações oficiais e manter a documentação pronta, porque uma chamada pode vir com prazo curto.
A lista definitiva está publicada em três lugares: no site da Fundect, no portal nacional do Programa Centelha e no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul.
Quanto cada projeto pode receber
O desenho financeiro do Centelha combina duas fontes. A primeira é a subvenção econômica, de até R$ 89,6 mil por projeto. Diferente de um empréstimo, a subvenção não precisa ser devolvida, desde que seja aplicada conforme o plano aprovado e com prestação de contas. É o tipo de recurso que costuma bancar as primeiras etapas de um negócio de base tecnológica: desenvolvimento de protótipo, testes, compra de componentes, serviços técnicos especializados.
A segunda fonte são as bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq, de até R$ 50 mil por iniciativa. As bolsas permitem que pessoas da equipe se dediquem ao projeto, o que muitas vezes é o gargalo de uma ideia nascente: o empreendedor tem a solução, mas não consegue largar outro trabalho para desenvolvê-la.
Somadas, as duas linhas chegam a R$ 139,6 mil por projeto. Multiplicado pelos 47 aprovados, o teto teórico passa de R$ 6,5 milhões, valor que a Fundect informa como investimento total do programa no Estado. Além do dinheiro, o edital estadual previa capacitações, suporte técnico especializado, conexões com o ecossistema de inovação e visibilidade para os selecionados.
Inteligência artificial e impacto social no topo
Os projetos aprovados se distribuem por oito áreas, segundo a Fundect: inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologia social, impacto socioambiental, eletroeletrônica, tecnologia da informação e manufatura avançada.
A lista confirma a tendência que já aparecia nas inscrições. Em julho, a fundação informou que inteligência artificial e aprendizado de máquina respondiam por 27,8% das ideias submetidas, seguidas por impacto socioambiental (19,4%), tecnologia social (15%), TI e telecomunicações (8,6%) e biotecnologia e genética (6%). Ou seja, o empreendedor sul-mato-grossense que procura o Centelha está olhando tanto para as tecnologias em alta no mercado quanto para problemas sociais e ambientais de um Estado com forte peso do agro, do Pantanal e da fronteira.
“São ideias inovadoras que vão contribuir para a transformação e o desenvolvimento no nosso estado de Mato Grosso do Sul”, afirmou o diretor-científico da Fundect, Saulo Moreira, ao comentar o resultado.
Um funil de 1.135 ideias para 47 contratos
O caminho até a lista final teve várias etapas. Depois do fechamento das inscrições, a primeira fase selecionou as 200 melhores ideias. Na segunda, chamada de Projeto de Fomento, os proponentes detalharam suas propostas e as transformaram em planos mais robustos, prontos para desenvolvimento tecnológico e de mercado. Dessa etapa saíram os 100 classificados, agora divididos entre 47 aprovados e 53 suplentes.
A conta mostra o tamanho da disputa. Das 1.135 ideias inscritas, cerca de 4% chegaram à lista de aprovados. Para quem não passou, o processo ainda deixa um aprendizado: transformar uma ideia em projeto de fomento, com metas, orçamento e plano de negócio, é o mesmo exercício exigido por outros editais de inovação, como os da própria Fundect, da Finep e de programas de aceleração.
O volume de inscrições desta edição foi resultado de mobilização. Segundo a Fundect, em 55 dias a Gerência de Inovação da fundação realizou 40 oficinas em 13 cidades, com apoio de Sebrae, Senai, Senac, universidades, prefeituras e coordenadores dos ecossistemas locais de inovação. As inscrições chegaram a 44 municípios, 56% das cidades do Estado. Campo Grande concentrou a maior parte das ideias (589), seguida por Ponta Porã (117), Dourados (86), Três Lagoas (43) e Naviraí (42).
Quem está por trás do programa
O Centelha é um programa nacional. Em Mato Grosso do Sul, a execução é da Fundect, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). A iniciativa tem participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Finep e do CNPq, além de parcerias com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e com a Fundação CERTI.
O modelo é pensado para a fase mais arriscada de um negócio inovador: o momento em que existe uma ideia com potencial, mas ainda não há produto, cliente ou faturamento para atrair investidor privado. Por isso o dinheiro é não reembolsável e vem acompanhado de capacitação. A proposta é que, ao fim do ciclo, a equipe tenha uma empresa constituída e um produto em condições de ir ao mercado ou de disputar a próxima rodada de apoio.
Próximos passos para aprovados e suplentes
Para os 47 aprovados, a agenda imediata é burocrática e decisiva. A partir de 3 de novembro, as equipes devem reunir e enviar os documentos previstos no edital. Vale reler a chamada com atenção, conferir exigências como a constituição da empresa e a regularidade fiscal, e responder rapidamente a qualquer pedido da Fundect. Um atraso nesta fase pode abrir espaço para o suplente seguinte.
Para os 53 suplentes, a orientação é acompanhar o Diário Oficial e o site da Fundect, já que a convocação segue a ordem da lista e depende de desistências, desclassificações ou de recursos extras. Manter a equipe mobilizada e os documentos em dia aumenta a chance de aproveitar uma eventual chamada.
Quem ficou de fora tem outras portas no ecossistema estadual. O Sebrae/MS, por exemplo, mantém programas de aceleração para startups com produto validado, como o Decolagem, e apresentou no fim de outubro resultados das empresas aceleradas no Estado, tema da reportagem i9-67: startups aceleradas pelo Sebrae em MS têm alta de 9,6% no faturamento. A própria Fundect costuma abrir chamadas ao longo do ano para pesquisa aplicada e inovação.
Por que o resultado importa para quem empreende em MS
Para o ecossistema de inovação do Estado, o Centelha funciona como porta de entrada. É um dos poucos instrumentos que financiam negócios ainda na fase de ideia, sem exigir faturamento nem garantia. Quarenta e sete novos projetos com dinheiro em caixa significam, no médio prazo, mais startups em busca de clientes, de parceiros e de investimento, e mais demanda por mentores, laboratórios, incubadoras e parques tecnológicos.
O desafio, a partir de agora, é transformar subvenção em empresa de pé. Negócios em estágio inicial costumam enfrentar o momento em que o recurso de fomento acaba e a receita ainda não chegou. Por isso, conexões com o mercado e com programas de aceleração ao longo do ciclo tendem a fazer diferença. O Empreenda MS vai acompanhar a contratação dos projetos e os primeiros resultados dos negócios apoiados.
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Fontes
Fundect / Agência de Notícias do Governo de MS, via Idest: Centelha MS aprova 47 ideias inovadoras e prevê investimento de R$ 6,5 milhões
A Crítica de Campo Grande: Centelha MS aprova 47 ideias inovadoras; veja o que vem agora
Empreenda MS (dados de inscrições divulgados pela Fundect em julho): reportagem de 15/07/2026
