Esse mês faturamos R$ 100 mil.
À primeira vista, parece uma excelente notícia. Mas quanto desses R$ 100 mil realmente ficou na empresa
Essa é uma das perguntas mais importantes — e mais negligenciadas — por pequenos empreendedores.
Faturamento é o dinheiro que entra pelas vendas. Lucro é aquilo que sobra depois que todos os custos e despesas são considerados. E entre uma coisa e outra pode existir uma distância enorme.
Vender muito não significa ganhar muito
Imagine uma empresa que venda R$ 100 mil em determinado mês. Se ela gastar R$ 65 mil para adquirir os produtos vendidos, já restam R$ 35 mil.
Depois vêm aluguel, salários, impostos, energia, internet, taxas de cartão, sistemas, marketing, manutenção, fretes e uma série de outros custos.
No final, talvez os R$ 100 mil de faturamento resultem em R$ 8 mil de lucro. Ou menos. Dependendo da estrutura do negócio, pode até resultar em prejuízo.
É por isso que comemorar apenas o faturamento pode ser perigoso.
O caixa também conta
Outro erro comum é confundir lucro com dinheiro disponível.
Uma empresa pode ter vendido bastante e ainda assim estar sem dinheiro no caixa. Isso acontece principalmente quando existem vendas parceladas, estoque elevado ou contas a pagar antes de receber dos clientes.
O empreendedor olha para as vendas e pensa: “Está tudo indo bem.”
Enquanto isso, o caixa responde: “Não exatamente.”
Fluxo de caixa não é burocracia. É uma ferramenta para saber se a empresa consegue pagar suas contas no momento em que elas vencem.
O preço também precisa fazer sentido
Existe ainda um problema recorrente: vender barato demais.
Reduzir o preço pode aumentar as vendas, mas não necessariamente aumenta o lucro. Se uma empresa possui margem muito pequena, qualquer aumento no custo de fornecedor, frete, imposto ou taxa pode consumir completamente o resultado.
Preço precisa considerar custo, despesas, impostos, margem e posicionamento.
Não basta olhar para o preço do concorrente e copiar. Talvez o concorrente tenha uma estrutura completamente diferente.
O pequeno empreendedor precisa olhar para poucos números — mas olhar sempre
Não é necessário transformar uma pequena empresa em uma multinacional para começar a controlar as finanças.
Alguns indicadores já fazem uma diferença enorme:
- faturamento;
- custos dos produtos ou serviços;
- despesas fixas;
- despesas variáveis;
- margem;
- lucro;
- contas a receber;
- contas a pagar;
- saldo de caixa.
O mais importante não é ter uma planilha bonita. É tomar decisões melhores a partir dela.
Crescer também pode aumentar o problema
Existe uma ironia no empreendedorismo: crescer pode piorar uma empresa mal administrada.
Mais vendas significam mais compras. Mais compras significam mais necessidade de capital. Mais clientes podem exigir mais funcionários. Mais funcionários significam mais custos.
Se a margem não acompanha o crescimento, a empresa pode vender cada vez mais e ficar cada vez mais apertada.
Por isso, antes de perguntar “como vender mais?”, talvez o empreendedor devesse perguntar:
Quanto sobra de cada venda?
A resposta pode mudar completamente a estratégia.
No empreendedorismo, faturamento chama atenção. Mas é o lucro — acompanhado de um caixa saudável — que mantém a empresa viva.
