Segunda edição da Oficina Iniciativas Inovadoras, do Instituto IPIA com apoio da Sicredi, ensina micro e pequenos empreendedores a estruturar, testar e validar projetos entre 30 de julho e 1º de agosto; inscrições gratuitas vão até 24 de julho
Campo Grande vai sediar, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, a segunda edição da Oficina Iniciativas Inovadoras, iniciativa gratuita voltada a ajudar empreendedores, profissionais e pessoas com uma ideia de negócio a transformar esse projeto em algo viável — usando a inteligência artificial como ferramenta de apoio em todas as etapas do processo. A ação é promovida pela Sicredi Campo Grande MS Goiás em parceria com o Instituto IPIA, e as inscrições, também gratuitas, seguem abertas até 24 de julho.
O recorte da oficina resume um dos gargalos mais comuns do empreendedorismo: ter uma boa ideia é só o primeiro passo, mas transformá-la em algo que efetivamente funcione no mercado costuma ser o maior desafio para quem empreende. É justamente nesse ponto que a iniciativa busca atuar. A metodologia utilizada envolve a criação de modelos de negócios, a definição de propostas de valor e o desenvolvimento de produtos mínimos viáveis — os chamados MVPs —, ferramentas que ajudam o empreendedor a testar uma ideia em pequena escala antes de investir tempo e dinheiro em uma versão completa do projeto.
Um dos principais diferenciais da segunda edição é justamente o uso da inteligência artificial durante o desenvolvimento dos projetos. A tecnologia entra como ferramenta de apoio para testar possibilidades, analisar cenários, buscar informações, identificar públicos-alvo e acelerar etapas de planejamento que, tradicionalmente, tomariam muito mais tempo de um empreendedor sozinho. Segundo o consultor de inteligência artificial e projetos tecnológicos Maicon Alexandre, que participa da iniciativa, a IA pode ir além de apenas apoiar o desenvolvimento do projeto: “A inteligência artificial pode ser usada para desenvolver o projeto, testar, simular, trazer dados e informações, mas ela também pode estar dentro da solução final, resolvendo problemas do público-alvo, do empreendedor ou da empresa”, explicou.
A proposta da oficina também busca desmistificar a ideia de que inovação é assunto restrito a grandes empresas ou a startups de tecnologia. O público-alvo declarado da iniciativa é justamente o oposto: pequenos empresários, profissionais liberais e pessoas que estão começando a empreender e que precisam, antes de mais nada, validar se a ideia que têm em mãos tem potencial real antes de comprometer recursos financeiros e tempo em algo que pode não vingar. Para Hudson Balbuena, assessor de negócios da Sicredi Campo Grande MS Goiás, esse é justamente o ponto onde mora o principal desafio de quem empreende: “Muitas vezes a pessoa sabe vender, conhece o mercado, mas quando precisa trazer isso para o lado do negócio precisa de uma ferramenta, precisa de uma metodologia para fazer acontecer”, afirmou.
A primeira edição da Oficina Iniciativas Inovadoras, segundo os organizadores, já havia mostrado resultados concretos: participantes conseguiram estruturar ideias, criar novos negócios e desenvolver soluções com o apoio de ferramentas de inteligência artificial. Alguns dos projetos gerados na rodada anterior chegaram a receber recursos para aplicar as soluções na prática, incluindo investimentos em desenvolvimento técnico e em divulgação — um indicativo de que a metodologia aplicada consegue, de fato, sair do papel e virar negócio. Para a Sicredi, o apoio à iniciativa está alinhado a um dos princípios do cooperativismo, que é o interesse pela comunidade onde a cooperativa está inserida. “Quando conseguimos desenvolver empresários, conseguimos gerar novos empregos e novas oportunidades dentro da nossa cidade”, destacou Hudson Balbuena.
Na prática, a segunda edição terá encontros noturnos nos dias 30 e 31 de julho e 1º de agosto, formato pensado para não conflitar com a rotina de trabalho de quem já tem um emprego ou um pequeno negócio em funcionamento e busca, nas horas vagas, estruturar um novo projeto ou profissionalizar um empreendimento que já existe informalmente. As inscrições, gratuitas, estão disponíveis nos canais do Instituto IPIA e da Sicredi Campo Grande MS Goiás, e o prazo para se inscrever termina em 24 de julho — ou seja, a janela para quem quer participar está se fechando rapidamente.
A iniciativa se soma a um movimento mais amplo de fortalecimento do ecossistema de inovação em Mato Grosso do Sul, que nos últimos anos passou a contar com um número crescente de programas, editais e ações voltadas a conectar empreendedores, universidades, aceleradoras e investidores — de iniciativas estaduais como a Fundect a programas do Sebrae voltados especificamente a startups e pequenos negócios. O que diferencia a Oficina Iniciativas Inovadoras dentro desse cenário é justamente o público que ela tenta alcançar: em vez de mirar apenas empresas de tecnologia já constituídas, a proposta é levar ferramentas de validação e planejamento — incluindo a inteligência artificial, tema que domina boa parte do debate sobre o futuro do trabalho e dos negócios — para quem está no começo da jornada empreendedora, muitas vezes sem acesso a consultorias especializadas ou capital para testar uma ideia em grande escala.
Esse tipo de iniciativa também tende a ganhar relevância num momento em que o uso prático da inteligência artificial deixou de ser assunto restrito a especialistas em tecnologia e passou a fazer parte do vocabulário de pequenos empresários, comerciantes e prestadores de serviço. Ferramentas de IA generativa, hoje amplamente acessíveis, permitem que um empreendedor sem conhecimento técnico avançado simule cenários de mercado, redija planos de negócio, identifique concorrentes e teste hipóteses de forma muito mais rápida do que seria possível há poucos anos — e é exatamente esse tipo de uso prático que a oficina se propõe a ensinar, de forma guiada, ao longo dos três encontros.
Para os organizadores, o objetivo da segunda edição vai além de simplesmente repetir o formato da primeira: a expectativa é ampliar o número de projetos que efetivamente saem do papel e se tornam negócios, replicando os casos de sucesso já registrados na rodada anterior. Encerradas as inscrições em 24 de julho, o próximo passo será acompanhar, ao longo dos três encontros de fim de mês, quantos participantes conseguem estruturar um modelo de negócio validado — e, nos meses seguintes, quantos desses projetos conseguem repetir o caminho de quem, na primeira edição, saiu da oficina com acesso a recursos para tirar a ideia do papel.
Fonte: RCN67 — Oficina em Campo Grande usa inteligência artificial para validar ideias de negócio
