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Empreenda MS > Economia > Serviços despencam 9,6% e indústria trava: a economia de MS perde tração no meio do ano
Economia

Serviços despencam 9,6% e indústria trava: a economia de MS perde tração no meio do ano

Empreenda MS Publicado em 11/09/2026 100 visualizações
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13 minutos de leitura
Vista do chão de uma fábrica com máquinas industriais e faixas amarelas de sinalização
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Pesquisas do IBGE divulgadas nesta quinta-feira colocam Mato Grosso do Sul na liderança da retração nacional em serviços, enquanto a produção industrial fica estagnada depois de crescer 7,4% no primeiro quadrimestre

A economia de Mato Grosso do Sul chegou ao meio de 2026 com dois sinais amarelos acesos ao mesmo tempo. Dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o setor de serviços do Estado registrou em julho a maior queda entre as 27 unidades da federação — recuo de 9,6% na comparação com o mesmo mês de 2025 — enquanto a indústria, que vinha funcionando como o principal motor do crescimento estadual no ano, ficou estagnada no trimestre formado por maio, junho e julho, depois de ter avançado 7,4% entre janeiro e abril. Os números vêm de duas pesquisas distintas, a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) e a PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física), e desenham juntos um quadro de perda de fôlego que contrasta com o discurso de expansão acelerada que acompanha o Estado desde o início do ciclo de investimentos em celulose.

Serviços: a maior queda do país

O setor de serviços sul-mato-grossense acumula queda de 1,7% entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período do ano passado. É o pior desempenho do Centro-Oeste e vai na contramão do Brasil, que avançou 1,9% no mesmo intervalo. A PMS mede o volume das atividades, indicador que desconta o efeito da variação dos preços — ou seja, mede quanto de serviço foi efetivamente prestado, e não apenas quanto foi faturado.

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O resultado mensal é o que mais chama atenção. Em julho, Mato Grosso do Sul apresentou retração de 9,6% diante do mesmo mês de 2025, a maior entre todas as unidades da federação. Logo atrás vieram Rondônia, com recuo de 9,5%, e Mato Grosso, com 6,8%. A queda representa uma deterioração abrupta em relação aos meses imediatamente anteriores: na comparação anual, o volume de serviços do Estado havia recuado 1,5% em maio e 1,3% em junho. De patamares próximos da estabilidade, o indicador saltou para um recuo de dois dígitos em um único mês.

Na passagem de junho para julho, já descontadas as variações típicas de cada período do ano, o setor encolheu 1,9% no Estado. Foi o primeiro resultado mensal negativo depois de avanços de 0,9% em maio e 0,1% em junho.

O efeito sobre o acumulado do ano foi imediato. Até maio, Mato Grosso do Sul ainda apresentava crescimento de 0,2% no volume de serviços. O índice passou para queda de 0,1% até junho e chegou a recuo de 1,7% nos sete primeiros meses de 2026. Em menos de dois meses, portanto, o Estado saiu do terreno positivo para a pior posição regional.

A comparação dentro do Centro-Oeste reforça o isolamento do desempenho sul-mato-grossense. No acumulado do ano, o volume de serviços caiu 1,7% em Mato Grosso do Sul e 1,3% em Goiás, enquanto Mato Grosso avançou 2,3% e o Distrito Federal cresceu 9,2%. Na leitura mensal contra o ano anterior, a distância é ainda maior: MS recuou 9,6%, Mato Grosso caiu 6,8%, Goiás perdeu 3,5% e o Distrito Federal cresceu 5,9%.

Há, ainda, um resquício de folga no horizonte mais longo. No acumulado dos últimos 12 meses, o volume de serviços de Mato Grosso do Sul ainda registra alta de 1,9%. O problema é a velocidade com que essa margem vem sendo consumida: o mesmo indicador estava em 4,4% até maio e em 4,1% até junho.

Faturamento cresce, atividade cai

A receita nominal do setor — que mede o faturamento em valores correntes, sem descontar a inflação — caiu 2,5% em Mato Grosso do Sul na comparação com julho do ano passado. Também foi a maior retração do país nesse indicador, o que indica que a queda de julho não se explica apenas por efeito de preços.

No acumulado de janeiro a julho, porém, a receita nominal aumentou 3,8%, enquanto o volume de serviços caiu 1,7%. Os índices não são contraditórios: o faturamento cresceu em reais correntes, mas perdeu força quando descontado o efeito da variação de preços. Em outras palavras, as empresas de serviços do Estado faturaram mais, mas entregaram menos. Nos últimos 12 meses, a receita nominal apresenta alta de 6% no Estado; na passagem de junho para julho, houve recuo de 1%.

Um limite importante da leitura: o IBGE não apresenta a divisão por segmentos para Mato Grosso do Sul. Por isso, os dados disponíveis não permitem identificar se a retração foi puxada por transportes, serviços prestados às famílias, informação e comunicação ou atividades profissionais e administrativas. O Estado também não integra o recorte específico de turismo, calculado para apenas 17 unidades da federação. Sem essa abertura, o diagnóstico da causa imediata da queda de julho fica em aberto — e depende de dados complementares para ser fechado com segurança.

Indústria: crescimento acima da média, mas desaceleração forte

Na indústria, o retrato é diferente, mas igualmente ambíguo. A produção industrial de Mato Grosso do Sul acumula crescimento de 3,8% em 2026, segundo a PIM-PF. O desempenho supera com folga a média nacional, de 1,1% entre janeiro e julho, e coloca o Estado na quarta posição entre os locais pesquisados. À frente aparecem Espírito Santo, com 19,3%, Pernambuco, com 16,5%, e Rio de Janeiro, com 6,8%. Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás também cresceram acima da média brasileira.

O problema está na trajetória dentro do ano. A produção havia crescido 7,4% entre janeiro e abril, mas não apresentou variação alguma no período formado por maio, junho e julho. Foi uma das maiores perdas de ritmo entre os locais acompanhados pela pesquisa. No resultado mais recente, a indústria sul-mato-grossense produziu 3,5% menos do que em julho de 2025. Em junho, a comparação anual havia mostrado crescimento de 4,3%; em maio, queda de 0,6%.

A fabricação de produtos alimentícios foi a principal responsável pelo resultado negativo de julho. A atividade recuou 10,7% diante do mesmo mês de 2025 e retirou 5,44 pontos percentuais do resultado geral da indústria estadual. Entre os produtos que puxaram a produção para baixo aparecem carnes bovinas frescas ou refrigeradas, açúcar cristal e resíduos da extração de soja. Em sentido contrário, houve influência positiva dos embutidos e de outros preparados de carne suína, além das carnes suínas frescas ou refrigeradas.

O avanço da indústria de papel e celulose evitou uma queda ainda maior. A atividade cresceu 5,9% na comparação anual e acrescentou 2,02 pontos percentuais ao resultado do Estado, com influência positiva das pastas químicas de madeira, branqueadas ou não. As indústrias extrativas cresceram 6,1%, favorecidas pela produção de minério de ferro em bruto ou beneficiado, ainda que a extração de minério de manganês tenha tido influência negativa. Já a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis caiu 2%, pressionada pela redução na produção de álcool etílico.

No acumulado do ano, a composição se inverte parcialmente. A indústria de alimentos ainda soma crescimento de 5,5% entre janeiro e julho e contribuiu com 2,74 pontos percentuais para a alta de 3,8% da indústria estadual. A fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis avançou 17,8% no período, impulsionada pelo álcool etílico. Papel e celulose ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,1%, enquanto as indústrias extrativas recuaram 10,3%.

O acumulado de 12 meses conta outra história

O cenário muda de sinal quando o recorte se amplia. No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial de Mato Grosso do Sul caiu 5% — o terceiro pior resultado entre os locais pesquisados, atrás apenas de Rio Grande do Norte, com queda de 8,1%, e Maranhão, com 6%.

O principal peso negativo nesse intervalo veio da fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, que despencou 40,9%. As indústrias extrativas recuaram 11,5% e papel e celulose caíram 1,4%. A indústria de alimentos avançou 4,9% e segurou parte das perdas. A leitura de 12 meses, portanto, sugere que o crescimento acumulado de 2026 se apoia em grande medida sobre uma base de comparação enfraquecida em 2025, e não sobre um patamar de produção estruturalmente mais alto.

No Brasil, a produção industrial cresceu 0,2% na passagem de junho para julho e caiu 0,5% diante de julho de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses, houve avanço de 1,1%; em 12 meses, alta de 0,6%.

O que observar daqui para frente

A combinação de indústria estagnada no trimestre e serviços em queda recorde importa especialmente para um Estado que vem sustentando sua narrativa de desenvolvimento sobre grandes projetos industriais e sobre a promessa de adensamento da cadeia de serviços em torno deles. Fábricas de celulose, plantas de biocombustíveis e frigoríficos geram demanda relevante por logística, manutenção, engenharia, alimentação e serviços administrativos — atividades que aparecem justamente na PMS. Quando o volume de serviços recua enquanto a indústria desacelera, o sinal é de que o efeito multiplicador esperado não está se materializando no ritmo previsto, ao menos no curto prazo.

Para o ecossistema empreendedor, o dado tem leitura prática. Setores de serviços intensivos em mão de obra e em capital de giro tendem a sentir primeiro a retração de volume, mesmo quando o faturamento nominal segue crescendo — exatamente o padrão registrado em julho no Estado. Negócios que planejam expansão com base em projeções de demanda regional precisam considerar que o indicador de atividade e o de faturamento estão apontando em direções opostas.

Os próximos meses devem esclarecer se julho foi um ponto fora da curva ou o início de uma inflexão. As leituras de agosto e setembro das duas pesquisas, além dos dados de emprego formal e de arrecadação estadual, darão a medida de quanto da perda de ritmo é sazonal e quanto é estrutural. Até lá, o Estado segue com um paradoxo estatístico nas mãos: quarto maior crescimento industrial acumulado do país no ano e, simultaneamente, a maior queda mensal de serviços entre todas as unidades da federação.

Fontes

Campo Grande News — “Indústria de MS cresce no ano, mas perde fôlego nos últimos três meses” (10/09/2026): campograndenews.com.br
Campo Grande News — “MS lidera queda nacional no volume de serviços” (10/09/2026): campograndenews.com.br
Midiamax — “Indústria recua 3,5% em MS em julho, enquanto produção cresce no Brasil” (10/09/2026): midiamax.com.br
Midiamax — “Serviços ficam estáveis no Brasil em julho, mas MS tem queda de 9,6% em um ano” (10/09/2026): midiamax.com.br

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