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Empreenda MS > Economia > MS bate recorde histórico de carne bovina e mostra indústria que cresce por produtividade, não por novas plantas
Economia

MS bate recorde histórico de carne bovina e mostra indústria que cresce por produtividade, não por novas plantas

Empreenda MS Publicado em 10/09/2026 100 visualizações
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12 minutos de leitura
Rebanho de bovinos pastando em campo aberto
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Estado ultrapassou 1,06 milhão de toneladas em 2025, o maior volume de sua série histórica. Em duas décadas, a receita de exportação de carnes cresceu 1.157% e o emprego formal do setor praticamente dobrou, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems.

Mato Grosso do Sul produziu mais de 1,06 milhão de toneladas de carne bovina em 2025, o maior volume registrado em toda a série histórica do Estado. O número foi divulgado nesta quinta-feira (10) pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), a partir de levantamento do seu Observatório da Indústria, e coroa um ciclo de duas décadas em que a indústria frigorífica sul-mato-grossense ampliou receita, emprego e presença internacional sem depender da abertura de novas plantas.

“Estamos no ponto mais alto da série histórica. Nunca se produziu tanta carne bovina quanto no último ano em Mato Grosso do Sul”, resumiu o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende.

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O dado chega poucos dias depois de outro recorte do mesmo observatório ter apontado a celulose como novo motor industrial do Estado. Desta vez, o retrato é de um setor tradicional — e ainda o maior empregador industrial sul-mato-grossense — que se reinventou por produtividade em vez de expansão física.

Exportação de carnes cresceu 1.157% em duas décadas

Entre 2006 e 2025, a receita das exportações de carnes bovina, suína e de frango produzidas em Mato Grosso do Sul passou de US$ 196,1 milhões para US$ 2,47 bilhões. É um crescimento de 1.157% em 19 anos, ritmo que colocou a proteína animal entre os principais vetores de entrada de divisas no Estado.

O avanço se apoiou em dois movimentos simultâneos. De um lado, a abertura de mercados internacionais, que ampliou a lista de países compradores e reduziu a dependência de poucos destinos. De outro, a valorização da proteína animal no mercado global de alimentos, que elevou o preço médio praticado e melhorou a margem das plantas instaladas no Estado.

Vale notar que o número consolidado de US$ 2,47 bilhões reúne três cadeias distintas — bovina, suína e de frango —, que respondem a lógicas de mercado diferentes. A carne bovina é a mais exposta ao ciclo pecuário e às habilitações sanitárias país a país; as carnes suína e de frango têm ciclos produtivos mais curtos e reagem mais rapidamente ao custo dos grãos, especialmente milho e farelo de soja, ambos produzidos em escala no próprio Estado. Essa integração entre lavoura e granja é um dos fatores que sustentam a competitividade sul-mato-grossense na proteína animal.

No mesmo intervalo, o setor praticamente dobrou o número de trabalhadores formais: passou de 20.651 para 40.656 empregos. Com esse contingente, a indústria frigorífica se mantém como o maior empregador entre os principais segmentos industriais analisados pelo Observatório da Indústria — posição que dá ao setor um peso social que vai além da balança comercial, já que boa parte dessas vagas está distribuída por municípios de médio e pequeno porte do interior.

Mais carne com menos pasto: o ganho de produtividade

O ponto mais relevante do levantamento não é o volume absoluto, mas o modo como ele foi alcançado. Segundo Resende, o desempenho ocorreu mesmo com redução relativa do rebanho bovino ao longo dos anos, num período em que Mato Grosso do Sul reorganizou profundamente o uso do seu território rural.

“O Estado reconverteu áreas para florestas plantadas, cana e agricultura, mas não perdeu participação na produção de proteína animal. Isso mostra ganhos de produtividade e eficiência”, afirmou o economista-chefe da Fiems.

A observação ajuda a explicar uma aparente contradição na paisagem econômica sul-mato-grossense. Ao longo das duas últimas décadas, extensas áreas antes ocupadas por pastagem foram convertidas em eucalipto — insumo da indústria de celulose que se instalou no leste do Estado —, em cana-de-açúcar para as usinas sucroenergéticas e em lavouras de soja e milho. Ainda assim, a produção de carne cresceu.

A explicação está na intensificação do sistema produtivo: mais animais por hectare, ciclos de terminação mais curtos, melhoria genética do rebanho, uso de confinamento e semiconfinamento e melhor manejo de pastagens. Na prática, a pecuária sul-mato-grossense passou a extrair mais arrobas de cada hectare remanescente, em vez de disputar espaço com as demais cadeias.

Crescimento sem novas plantas

Outro traço apontado pela Fiems é que a expansão não veio da instalação de novas unidades industriais. “O setor não cresceu principalmente pela abertura de novas plantas, mas pelo ganho de escala e produtividade das operações existentes. Mato Grosso do Sul ampliou sua presença nos mercados internacionais e alcançou novos consumidores”, completou Resende.

Esse detalhe tem implicações práticas para a política de atração de investimentos. Quando o crescimento vem de eficiência dentro de plantas já instaladas, o efeito imediato sobre novos empregos tende a ser mais moderado do que em ciclos de expansão física, ainda que a base de trabalhadores tenha dobrado no período analisado. Em contrapartida, a competitividade ganha é mais duradoura, porque está incorporada a processo e tecnologia, e não apenas a capacidade instalada.

Atualmente, Mato Grosso do Sul responde por cerca de 10% da produção nacional de carne bovina e ocupa posição de destaque entre os maiores produtores brasileiros. Para a Fiems, a evolução da indústria frigorífica demonstra como o Estado tem agregado valor à produção agropecuária, ampliando sua presença internacional e fortalecendo a competitividade no mercado global de alimentos.

A distribuição territorial desses empregos também importa para o desenvolvimento regional. Diferentemente de setores que se concentram em um ou dois polos, as unidades frigoríficas estão espalhadas por municípios de diferentes portes, o que faz do salário pago pela indústria de carnes um componente decisivo na arrecadação e no comércio local de cidades do interior. Em boa parte desses municípios, a planta frigorífica é o maior empregador privado formal, e a folha de pagamento do setor funciona como base da economia de serviços que se organiza ao redor dela.

O peso da carne dentro da pauta industrial de MS

O desempenho do segmento se soma a um quadro exportador que vinha em alta ao longo de 2026. Levantamento anterior do Observatório da Indústria da Fiems apontou que as exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul somaram US$ 3,83 bilhões no primeiro semestre deste ano, resultado que combina proteína animal, celulose, produtos sucroenergéticos e derivados minerais.

A composição dessa pauta é relevante para entender a vulnerabilidade e a força do Estado ao mesmo tempo. Trata-se de uma cesta concentrada em commodities e produtos de primeira transformação, o que significa exposição direta a variações de preço internacional, câmbio e barreiras sanitárias. Por outro lado, é uma cesta diversificada em cadeias — carne, papel e celulose, açúcar e etanol, minério —, o que reduz o risco de um choque setorial isolado derrubar o conjunto.

Logística é o próximo gargalo

Se a produtividade dentro da porteira e da planta industrial avançou, o desafio seguinte da cadeia sul-mato-grossense está na saída da mercadoria. Boa parte da carne exportada por Mato Grosso do Sul segue hoje por rodovia até portos do Sudeste e do Sul do país, percurso que encarece o frete e adiciona dias ao trânsito internacional.

É nesse ponto que o Corredor Rodoviário Bioceânico entra na conta do setor. Com a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, em fase final de execução, a expectativa do Governo do Estado é abrir um acesso terrestre a portos do Pacífico chileno e reduzir de forma significativa o tempo de travessia até a Ásia, principal destino da proteína brasileira. Para os frigoríficos instalados no oeste sul-mato-grossense, a mudança pode significar economia relevante em logística e em capital de giro imobilizado em mercadoria a caminho.

O que observar daqui para frente

O recorde de 2025 estabelece uma base de comparação exigente para os próximos anos. O ciclo pecuário brasileiro tem oscilações conhecidas entre fases de retenção e de abate de matrizes, e o volume recorde de um ano costuma influenciar a oferta dos seguintes. A ver, portanto, se o patamar acima de 1 milhão de toneladas se consolida como novo piso ou se representa um pico dentro do ciclo.

Há ainda três variáveis externas relevantes: a manutenção e ampliação de mercados habilitados para a carne brasileira, a evolução das exigências sanitárias e ambientais impostas por compradores como União Europeia e China, e o comportamento do câmbio. Para uma cadeia que tirou 1.157% de crescimento em receita de exportação em duas décadas, qualquer uma delas pesa mais do que a produção física em si.

Para o ecossistema produtivo de Mato Grosso do Sul, o recado do levantamento é direto: o Estado seguiu ampliando produção de carne enquanto cedia área para outras cadeias, e fez isso por eficiência. Replicar essa lógica em segmentos que ainda dependem de expansão física — e não de produtividade — é o desafio industrial da próxima década.

Fontes

Correio de Corumbá / Assessoria Fiems — Indústria de MS amplia exportações e alcança maior produção de carne bovina da história (10/09/2026).

Correio de Corumbá / Observatório da Indústria da Fiems — Exportações industriais de MS somam US$ 3,83 bilhões no 1º semestre de 2026.

Semadesc/MS — Ponte Internacional da Rota Bioceânica, informações sobre o andamento da obra.

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