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Empreenda MS > Empreendedorismo > Prêmio Sebrae Mulher de Negócios bate recorde em MS e mostra empreendedorismo feminino que saiu da Capital
Empreendedorismo

Prêmio Sebrae Mulher de Negócios bate recorde em MS e mostra empreendedorismo feminino que saiu da Capital

Empreenda MS Publicado em 10/09/2026 99 visualizações
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13 minutos de leitura
Mulher sorridente atrás do balcão do próprio estabelecimento comercial
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Com 310 inscrições, o maior número já registrado no Estado, a edição 2026 distribuiu 12 troféus a empreendedoras de oito municípios — sete delas fora de Campo Grande. As quatro vencedoras Ouro seguem para a etapa regional e miram a final nacional, em novembro, em Vitória.

O empreendedorismo feminino de Mato Grosso do Sul acaba de registrar seu maior movimento de adesão desde que o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios passou a ser realizado no Estado. Foram 310 inscrições na edição 2026, número que o Sebrae/MS aponta como recorde estadual da premiação. A lista final de vencedoras foi anunciada na noite de terça-feira (8), na sede da instituição, em Campo Grande, em cerimônia que distribuiu 12 troféus entre mulheres de oito municípios diferentes — e apenas cinco deles ficaram com a Capital.

As outras sete premiadas comandam negócios em Bonito, Três Lagoas, Santa Rita do Pardo, Figueirão, Jardim, Itaporã e Camapuã. É um dado que ajuda a corrigir uma leitura recorrente sobre o ecossistema empreendedor sul-mato-grossense: a de que a atividade produtiva de menor porte se concentra quase inteiramente na região metropolitana de Campo Grande. Neste recorte específico, o interior levou a maioria dos reconhecimentos.

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A aritmética da seleção dá a dimensão do funil. Com 310 candidatas e 12 troféus, subiu ao palco uma empreendedora a cada 26 inscritas, o equivalente a 3,9% do total. A premiação é organizada em quatro categorias — Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios, Produtora Rural ou Artesã e Ciência e Tecnologia —, e cada uma delas distribui três posições: Ouro, Prata e Bronze.

Onde estão as premiadas: um mapa desigual por categoria

A distribuição geográfica muda bastante conforme a categoria observada, e essa variação diz mais sobre a estrutura econômica do Estado do que o número agregado. Em Ciência e Tecnologia, as três premiadas são de Campo Grande. Em Produtora Rural ou Artesã, nenhuma: os troféus foram para Jardim, Itaporã e Camapuã. Nas outras duas categorias, MEI e Pequenos Negócios, o interior ficou com dois dos três lugares em cada.

O padrão é coerente com a distribuição da infraestrutura de pesquisa e inovação no Estado. Negócios de base científica dependem de laboratórios, universidades, incubadoras e editais de fomento — ativos concentrados na Capital, onde estão a UFMS, a UEMS e o Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande. Já a produção artesanal e rural nasce onde está a matéria-prima, o que explica a força do interior nessa frente.

Quatro seguem na disputa; oito param na etapa estadual

Apenas as vencedoras Ouro de cada categoria avançam para a fase seguinte. São elas Ana Elizabeth Martinez, de Bonito, em MEI; Sabrina Ellis Ganzala, de Campo Grande, em Pequenos Negócios; Leandra Reis Penajo Dias, de Jardim, em Produtora Rural ou Artesã; e Beatriz Mattos Castello Branco, de Campo Grande, em Ciência e Tecnologia.

As quatro recebem troféu, certificado, seis horas de mentoria e vaga como convidada na cerimônia nacional, marcada para novembro, em Vitória (ES). Nesta fase estadual não há premiação em dinheiro. Segundo o Sebrae, o prêmio em espécie só aparece na etapa nacional: R$ 50 mil para o Ouro, R$ 30 mil para a Prata e R$ 20 mil para o Bronze, com os descontos legais. Antes de chegar lá, as representantes sul-mato-grossenses ainda precisam superar uma etapa regional, na qual disputam com as vencedoras de outros Estados. As oito premiadas com Prata e Bronze ficam com troféu e certificado, sem seguir adiante.

Do biscuit em Bonito ao barbatimão nanoencapsulado

As trajetórias das quatro finalistas ilustram a amplitude do que hoje cabe sob o rótulo de empreendedorismo em Mato Grosso do Sul. Ana Elizabeth Martinez, Ouro entre as MEI, é artesã e responde pela Ana Arte Pantanal, em Bonito, onde produz peças em modelagem e biscuit inspiradas na fauna pantaneira. São 26 anos de atividade, conforme dados do Sebrae.

“É um orgulho muito grande receber esse prêmio. São 26 anos de parceria com o Sebrae, que sempre me direcionou e me ajudou a encontrar soluções para as dificuldades do negócio. É uma parceria para a vida toda”, afirmou.

Sabrina Ellis Ganzala, Ouro em Pequenos Negócios, fundou a Klush Cosméticos em Campo Grande durante a pandemia, com R$ 150 aplicados nos primeiros produtos artesanais. A marca, voltada ao bem-estar íntimo feminino, ultrapassou 5 mil unidades vendidas e 3,5 mil clientes cadastrados, segundo números informados pela própria empresa.

“Estou muito feliz e grata por esse reconhecimento. Quando comecei a empreender, eu não sabia praticamente nada sobre gestão. O Sebrae foi muito importante nessa trajetória, porque, por meio dos projetos e dos conhecimentos que adquiri, aprendi realmente o que é ser empresária, como construir uma empresa sólida e como pensar no crescimento do negócio”, disse.

Leandra Reis Penajo Dias, Ouro entre produtoras rurais e artesãs, é formada em Odontologia e deixou a profissão para viver em um sítio em Jardim. Ao lado do marido, transformou o leite da propriedade em queijos artesanais, mussarela e doce de leite, sob a marca Delícias da Roça — uma trajetória de agregação de valor dentro da porteira que o Sebrae vem estimulando em várias regiões do Estado.

“Estou muito feliz e com o coração cheio de alegria e gratidão. O Sebrae sempre esteve presente na minha trajetória, contribuindo para o desenvolvimento da empresa com cursos, orientações e apoio. Agora, quero continuar aprendendo, fazer novos cursos, aprimorar meus produtos e seguir evoluindo. Estou muito feliz com essa conquista e quero chegar à final”, declarou.

Beatriz Mattos Castello Branco, Ouro em Ciência e Tecnologia, comanda a Ybá Cosméticos, em Campo Grande. A empresa nasceu da experiência da mãe dela, médica ginecologista, e desenvolve cosméticos a partir do barbatimão, árvore do Cerrado cuja casca é usada há décadas na medicina popular para cicatrização. A formulação recorre ao nanoencapsulamento, técnica que envolve o princípio ativo em partículas muito pequenas para que ele seja liberado gradualmente na pele. Conforme o Sebrae, a empresa já transferiu tecnologia para uma indústria nacional.

“Receber esse prêmio é um reconhecimento de que estamos seguindo o caminho certo e de que nosso propósito está sendo construído com dedicação. O Sebrae tem uma importância muito grande nessa trajetória, desde as capacitações até o apoio em novos projetos e decisões. Foi também por meio do Sebrae que abrimos as portas para a internacionalização da empresa. Hoje temos essa veia internacional e seguimos contando com o apoio de consultores para planejar os próximos passos”, afirmou.

Cinquenta voluntárias leram as 310 histórias

Esta foi a primeira edição em que a avaliação das inscrições passou por voluntárias de instituições parceiras — 50 no total. A mudança metodológica ampliou a capacidade de análise em um ano de volume inédito de candidaturas e envolveu entidades do próprio ecossistema empresarial do Estado na leitura dos casos.

A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, tratou o número de inscritas como sinal de vitalidade do empreendedorismo feminino sul-mato-grossense. “Esta edição foi recorde, com 310 inscritas, e contou, pela primeira vez, com 50 voluntárias de instituições parceiras, que se dedicaram a conhecer e avaliar essas histórias. Para nós, o prêmio é, acima de tudo, um prêmio de coragem: coragem de contar a própria história, mostrar os sonhos e falar sobre os desafios. Quando uma mulher realiza o sonho de empreender, o Sebrae também cumpre a sua missão de contribuir para o sucesso dos pequenos negócios”, disse.

Pelas avaliadoras falou Cristiane Bissoni, diretora de operações da Associação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte de Mato Grosso do Sul (AMEMS) e conselheira do Sebrae/MS. “Mais do que atribuir notas, tivemos a oportunidade de conhecer histórias de mulheres que começaram pequenas, muitas vezes sem estrutura ou recursos, movidas por necessidade, oportunidade ou pelo sonho de empreender. Conhecemos trajetórias de quedas e recomeços, mas, acima de tudo, mulheres que decidiram não desistir”, afirmou.

A cerimônia reuniu ainda a reitora da UFMS e conselheira do Sebrae/MS, Camila Ítavo, a secretária adjunta de Governo e Gestão Estratégica de MS e conselheira do Sebrae/MS, Ana Nardes, e a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel.

“Mais do que reconhecer mulheres nos negócios, precisamos enxergar o enorme potencial das mulheres para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Não queremos mais olhar para as mulheres pela perspectiva da vulnerabilidade ou do assistencialismo, mas pela capacidade que elas têm de empreender, gerar renda e transformar a realidade de suas famílias e comunidades”, disse Ana Nardes.

As 12 premiadas, por categoria

MEI — Ouro: Ana Elizabeth Martinez, Ana Arte Pantanal, de Bonito; Prata: Vanessa Alves da Silva, Vanessa Alves Buffet, de Três Lagoas; Bronze: Beatriz do Valle Corregaro de Almeida, Flor de Luz Biojoias, de Campo Grande.

Pequenos Negócios — Ouro: Sabrina Ellis Ganzala, Klush Cosméticos, de Campo Grande; Prata: Ione Aparecida Mendes, Churrisos, de Santa Rita do Pardo; Bronze: Eliane Alves, Trecos e Tarecos, de Figueirão.

Produtora Rural ou Artesã — Ouro: Leandra Reis Penajo Dias, Delícias da Roça, de Jardim; Prata: Marlucia Pereira Alves Morelli, Doce Conquista, de Itaporã; Bronze: Carla Simone de Amorim Borges Rodrigues, Brazi Doces Brasileiros, de Camapuã.

Ciência e Tecnologia — Ouro: Beatriz Mattos Castello Branco, Ybá Cosméticos, de Campo Grande; Prata: Ana Helena Mattos, Yoni Cursos Médicos, de Campo Grande; Bronze: Hanaita Baldissera Camatti, Rise MKT, de Campo Grande.

O que observar daqui para frente

O próximo marco é a etapa regional, em que as quatro vencedoras Ouro de Mato Grosso do Sul disputam com representantes de outros Estados as vagas para a final. A cerimônia nacional está prevista para novembro, em Vitória (ES); data exata e endereço ainda não foram divulgados.

Para além do resultado individual, as 310 inscrições funcionam como indicador do alcance da rede de atendimento do Sebrae no interior e da disposição de empreendedoras de pequeno porte em se expor a um processo formal de avaliação. Se o volume se sustentar, a premiação passa a oferecer uma base de dados relevante sobre os negócios liderados por mulheres no Estado.

Vale a ressalva metodológica: os dados de faturamento, número de clientes e volume de vendas citados pelas empreendedoras foram informados por elas próprias ou pelo material de divulgação do Sebrae/MS e não passaram por verificação independente.

Fontes

A Crítica de Campo Grande — Interior fica com 7 das 12 premiadas do Sebrae Mulher de Negócios; ciência e tecnologia é toda de Campo Grande (09/09/2026).

Sebrae/MS — material de divulgação da cerimônia estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026.

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