Em evento que reuniu a elite política e empresarial do estado nesta segunda-feira (02), governador Eduardo Riedel e Sebrae/MS oficializaram o novo ciclo do programa “Cidade Empreendedora”. A meta para 2026 é ousada: não apenas abrir empresas, mas elevar a maturidade de gestão de 36 municípios através dos eixos “Transforma” e “Excelência”.
O auditório do Sebrae/MS, em Campo Grande, tornou-se o centro nervoso da economia sul-mato-grossense na manhã desta segunda-feira, 02 de fevereiro. Durante a 3ª edição do evento “MS Empreende Mais”, o Governo do Estado e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) renovaram os votos de uma parceria que tem sido o motor silencioso do desenvolvimento local.
Sob o comando do governador Eduardo Riedel e do diretor-superintendente do Sebrae/MS, Claudio Mendonça, foi assinado o novo convênio que garante a continuidade e a expansão do programa Cidade Empreendedora para o ciclo 2026.
Para o leitor do Empreende MS, a notícia vai muito além da formalidade de uma assinatura. Ela representa a garantia de que haverá metodologia, consultoria e orçamento para apoiar a espinha dorsal da economia do estado: as micro e pequenas empresas (MPEs), que hoje representam a esmagadora maioria dos CNPJs ativos e são as grandes responsáveis pela capilaridade do emprego no interior.
A seguir, analisamos os números apresentados, a nova estratégia de segmentação das prefeituras e o impacto direto no ambiente de negócios.
O Balanço: 131 Mil Empresas Impactadas
Os números apresentados durante o evento revelam a escala industrial do atendimento ao empreendedor. Em 2025, a parceria entre o Estado (via Semadesc) e o Sebrae conseguiu alcançar 131.642 empresas distintas em Mato Grosso do Sul.
Esse dado é impressionante porque não se trata apenas de “palestras”. O número engloba consultorias técnicas, acesso a crédito, missões empresariais e suporte para inovação. Segundo Claudio Mendonça, a estratégia de “ir aonde o empresário está” foi fundamental. “Não adianta ficarmos no ar-condicionado em Campo Grande. O desenvolvimento acontece quando o consultor entra na padaria em Ivinhema, na oficina em Coxim, e ensina o dono a calcular o preço de venda e a emitir nota fiscal”, destacou o superintendente em sua fala técnica.
A Nova Estratégia: Prefeituras em Três Níveis
A grande novidade técnica detalhada aos prefeitos presentes foi a sofisticação do programa Cidade Empreendedora. Reconhecendo que “uma solução não serve para todos”, o novo ciclo classifica os municípios parceiros em três níveis de maturidade de gestão:
- Cidade Empreendedora Transforma: Focado nos municípios que estão entrando agora na rota do desenvolvimento ou que ainda possuem gargalos básicos. O objetivo aqui é o “feijão com arroz”: montar uma Sala do Empreendedor funcional, reduzir o tempo de abertura de empresas (que em algumas cidades caiu para menos de 15 horas) e capacitar o atendente local.
- Cidade Empreendedora Avança: Para prefeituras que já fizeram o dever de casa básico. Aqui, o foco muda para políticas públicas mais complexas, como a Educação Empreendedora nas escolas municipais (formando a próxima geração) e a estruturação de compras públicas voltadas para a agricultura familiar.
- Cidade Empreendedora Excelência: A elite da gestão. Cidades que já possuem processos azeitados e agora buscam inovação. Neste nível, o Sebrae trabalha com atração de investimentos, digitalização total de serviços (Governo Digital) e estratégias de Place Branding (marketing territorial) para atrair turismo e indústrias.
Compras Públicas: O Dinheiro Fica em Casa
Um dos pontos mais enfatizados pelo governador Eduardo Riedel foi o poder de compra do Estado e dos Municípios. A estratégia para 2026 é intensificar o uso das licitações exclusivas para MEIs e EPPs (Empresas de Pequeno Porte).
A lógica é econômica: quando uma prefeitura compra merenda escolar, uniforme ou serviços de manutenção de fornecedores locais, o dinheiro dos impostos não “evapora” para outros estados. Ele circula no comércio local, gera emprego na cidade e aumenta a arrecadação do próprio município no ciclo seguinte. O programa ensina o gestor público a perder o medo de aplicar a Lei Complementar 123, que protege o pequeno negócio nas licitações.
O Contexto da Liberdade Econômica
O evento também serviu para reafirmar o compromisso de Mato Grosso do Sul com a Lei da Liberdade Econômica. O estado tem se destacado nacionalmente por dispensar alvarás para atividades de baixo risco. Essa desburocratização na ponta é o que permitiu que MS abrisse mais de 3.000 empresas apenas na primeira quinzena de janeiro de 2026. O ambiente de negócios favorável, construído a quatro mãos pelo Governo e Sebrae, reduziu o “Custo Brasil” localmente, tornando mais barato e rápido empreender aqui do que na média nacional.
Análise Empreende MS: A Política de Estado
O que vimos nesta segunda-feira no MS Empreende Mais foi a consolidação de uma política de Estado, não de governo. A parceria com o Sebrae atravessa gestões e se fortalece a cada ano porque entrega resultados mensuráveis (KPIs).
Para o empresário, a mensagem é de segurança. Saber que o seu prefeito está sendo treinado para facilitar a sua vida — e não para criar dificuldades — é um incentivo ao investimento. Para 2026, o desafio lançado por Riedel e Mendonça é claro: produtividade. Com o pleno emprego técnico no estado, não basta mais abrir empresas; é preciso fazer com que as empresas existentes produzam mais, com melhor qualidade e maior tecnologia. E é exatamente aí que a consultoria do Sebrae fará a diferença.
O pacto está selado. Resta agora às 130 mil empresas aproveitarem as ferramentas que foram colocadas na mesa.
