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Lendo: Indústria de MS mantém produção estável em junho, mas confiança do empresário recua, aponta Fiems
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Empreenda MS > Empreendedorismo > Indústria de MS mantém produção estável em junho, mas confiança do empresário recua, aponta Fiems
Empreendedorismo

Indústria de MS mantém produção estável em junho, mas confiança do empresário recua, aponta Fiems

Empreenda MS Publicado em 22/07/2026
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9 minutos de leitura
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Sondagem do Observatório da Indústria mostra capacidade instalada no pior nível para um mês de junho em seis anos, mesmo com intenção de investimento ainda positiva

A indústria de Mato Grosso do Sul manteve a produção estável em junho de 2026, mas a confiança dos empresários do setor recuou para o menor patamar em meses, aponta a Sondagem Industrial divulgada em 21 de julho pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). O levantamento, feito entre os dias 1º e 10 de julho com 61 empresas industriais do Estado, mostra que 56% dos respondentes relataram que o nível de atividade permaneceu inalterado em relação ao mês anterior, enquanto 23% registraram redução da produção e 21% informaram aumento.

O dado que mais chama atenção no retrato traçado pela Fiems é a utilização da capacidade instalada, que ficou em 67% em junho — o pior resultado para esse mês em seis anos. Na prática, isso significa que as fábricas sul-mato-grossenses estão operando bem abaixo do potencial, mesmo em um momento em que o Estado tem colhido recordes na balança comercial industrial. O contraste chama atenção: enquanto as exportações da indústria de MS somaram US$ 3,83 bilhões no primeiro semestre — maior valor da série histórica para o período —, o uso da estrutura fabril instalada segue aquém do que already se viu em junhos anteriores, sinal de que parte do crescimento recente vem de ganhos pontuais de preço e de mercado externo, não necessariamente de uma indústria operando em ritmo pleno internamente.

Esse descompasso também aparece no humor dos empresários. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 4,4 pontos em julho e fechou o mês em 48,8 pontos. Como a métrica varia de zero a 100 e resultados abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança, o número mostra que, pela primeira vez em um bom tempo, o empresariado industrial de MS está mais cauteloso do que otimista quanto ao cenário à frente. Segundo o Observatório da Fiems, a piora reflete principalmente a avaliação mais negativa que os empresários fazem das condições atuais da economia brasileira como um todo — um fator externo ao desempenho isolado de cada empresa.

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É importante notar que essa cautela não significa pessimismo generalizado sobre os próprios negócios. No segundo trimestre de 2026, 62% dos empresários consultados classificaram a margem de lucro operacional de suas empresas como satisfatória ou boa, e 77% consideraram positiva a situação financeira do próprio negócio. Ou seja: a indústria sul-mato-grossense continua, na avaliação de quem está à frente dela, saudável financeiramente — o desconforto está mais ligado ao ambiente macroeconômico do país do que à saúde interna das companhias.

Do lado dos custos, a pressão segue relevante. A sondagem mostra que 65% das empresas registraram aumento nos preços das matérias-primas durante o período. Entre os principais obstáculos enfrentados pela indústria no segundo trimestre, os empresários apontaram três fatores recorrentes: a elevada carga tributária, a falta ou o alto custo das matérias-primas e as altas taxas de juros — um conjunto de entraves que já é conhecido do setor produtivo brasileiro, mas que ganha peso redobrado num momento em que o Estado tenta consolidar a indústria como novo motor de crescimento, papel que estudos recentes apontam estar sendo assumido do agronegócio.

Apesar do ambiente mais desafiador, as expectativas para o segundo semestre seguem moderadamente positivas — o que talvez explique por que a cautela não se transformou em pessimismo. Em relação à demanda, metade dos empresários (50%) acredita que o mercado ficará estável até o fim do ano, 40% esperam aumento na procura por seus produtos e apenas 10% projetam retração. Um cenário parecido aparece na intenção de compra de matérias-primas: 53% das empresas pretendem manter o mesmo volume de aquisições nos próximos seis meses, 35% planejam ampliar as compras e só 12% devem reduzir os volumes adquiridos.

No campo do emprego, a perspectiva também é de estabilidade com viés positivo. Segundo a sondagem, 63% das indústrias esperam manter o quadro de funcionários no nível atual, 30% pretendem contratar novos colaboradores nos próximos meses e apenas 7% preveem redução do número de empregados. O dado reforça um movimento que já vinha sendo observado no Estado: a indústria de MS registrou, entre janeiro e maio deste ano, o melhor desempenho de sua série histórica para o período, com a criação de mais de 8,8 mil novos postos de trabalho.

O indicador que talvez sintetize melhor o momento é o Índice de Intenção de Investimento. Ele recuou 4,3 pontos em relação ao levantamento anterior, mas permaneceu em patamar positivo, alcançando 56,6 pontos em julho — o índice varia de zero a 100, e quanto maior a pontuação, maior a disposição do empresário em investir. Mais da metade das indústrias consultadas (53%) afirmou que pretende realizar algum tipo de investimento nos próximos seis meses. Ou seja: mesmo mais cautelosos com o cenário macroeconômico e operando com capacidade ociosa acima do habitual, os empresários industriais de Mato Grosso do Sul não estão fechando as torneiras de investimento — apenas reduzindo, moderadamente, o apetite de risco.

A pesquisa da Fiems ouviu empresas de perfis variados: do total de 61 respondentes, 27 são pequenas empresas, 27 são médias e sete são de grande porte, o que corresponde a 4,1% da amostra nacional do levantamento. Os segmentos consultados incluem produtos alimentícios, produtos de metal, químicos, produtos de material plástico, biocombustíveis, produtos de minerais não metálicos, máquinas e equipamentos, produtos de madeira, produtos de borracha, confecção de artigos do vestuário, produtos têxteis, extração de minerais não metálicos, couros e artefatos de couro, metalurgia, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, máquinas e materiais elétricos, reboques e carrocerias, calçados, produtos de limpeza e higiene pessoal, entre outros — um recorte que dá à sondagem um caráter representativo do parque industrial diversificado que o Estado vem construindo nos últimos anos.

O retrato traçado pela Fiems chega em um momento estratégico para o debate econômico de Mato Grosso do Sul. O Estado vive um período em que a indústria vem sendo apontada, por instituições financeiras e por análises recentes, como a nova protagonista do crescimento estadual, num movimento que soma força a um agronegócio historicamente dominante. Nesse contexto, a Sondagem Industrial funciona como termômetro de curto prazo: mostra que o crescimento segue, mas com menos folga do que os números de exportação sozinhos poderiam sugerir. A recomposição da confiança empresarial — hoje abaixo da linha dos 50 pontos — deve ser um dos indicadores mais observados pelo setor produtivo nos próximos meses, assim como a evolução da utilização da capacidade instalada, hoje no pior nível para um mês de junho em seis anos. Caso a percepção sobre a economia nacional melhore no segundo semestre, a expectativa é que o índice de confiança recupere terreno, acompanhando a intenção de investimento que, apesar de tudo, segue positiva.

Fontes: Correio do MS — Sondagem industrial aponta estabilidade da produção em MS em junho, indica Observatório da Fiems; Diário Digital — Exportações industriais de MS alcançam marca histórica em 2026 (dado de contexto).

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