Mato Grosso do Sul costuma ser lembrado pela força do agronegócio, pela produção de alimentos e pela posição estratégica no Centro-Oeste. Mas existe outra transformação acontecendo ao mesmo tempo: uma nova geração de empreendedores está surgindo.
São negócios digitais, empresas de tecnologia, soluções para o campo, serviços especializados, economia criativa, indústria, comércio eletrônico e projetos que misturam diferentes setores. A questão é: estamos preparados para essa mudança?
O empreendedor mudou
Durante muito tempo, abrir uma empresa significava, para grande parte das pessoas, abrir uma loja, prestar um serviço ou montar uma pequena indústria. Hoje, uma pessoa pode criar um produto digital, vender para outro Estado sem sair de Campo Grande ou desenvolver uma solução tecnológica para um problema específico do agronegócio.
A barreira geográfica diminuiu. Isso muda também o tipo de infraestrutura que um ecossistema empreendedor precisa oferecer. Não basta ter espaço físico. É preciso ter conhecimento, capital, conexão, tecnologia e acesso a mercados.
O desafio não é apenas criar empresas
Criar uma empresa é relativamente simples. Criar uma empresa que sobreviva é muito mais difícil. E criar uma empresa capaz de crescer é mais difícil ainda.
Por isso, um ecossistema empreendedor precisa ir além de eventos e discursos sobre inovação. É necessário aproximar empreendedores de universidades, investidores, grandes empresas, órgãos públicos e profissionais especializados. Também é preciso facilitar o acesso ao conhecimento.
O empreendedor de uma pequena cidade não pode depender exclusivamente de estar fisicamente próximo da capital para encontrar oportunidades.
O interior também precisa estar no mapa
Um dos maiores potenciais de Mato Grosso do Sul está justamente na sua diversidade econômica e territorial. Existem oportunidades diferentes em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e em dezenas de outros municípios.
O problema é que muitas iniciativas ainda ficam concentradas nos mesmos lugares. Se inovação significa encontrar novas soluções, ela também precisa encontrar novos territórios.
Uma empresa do interior pode ter uma solução extremamente relevante para o próprio setor produtivo da região. E essa solução pode, posteriormente, ser vendida para o Brasil inteiro.
A conexão com o setor produtivo será fundamental

Talvez uma das maiores oportunidades para o Estado esteja na aproximação entre quem produz e quem desenvolve tecnologia. O agronegócio possui problemas reais. A indústria possui problemas reais. O comércio possui problemas reais. A saúde, a educação e os serviços públicos também.
São esses problemas que podem gerar bons negócios. Em vez de tentar criar uma tecnologia porque ela está na moda, o empreendedor pode começar perguntando:
Qual problema importante alguém está disposto a pagar para resolver?
Essa pergunta é muito mais poderosa.
O futuro não será construído apenas pelas grandes empresas
Mato Grosso do Sul não precisa escolher entre ser um Estado do agronegócio ou um Estado de inovação. Pode ser os dois. E pode ainda desenvolver uma economia cada vez mais diversificada ao redor deles.
A próxima geração de empreendedores provavelmente não terá uma única identidade. Será tecnológica e rural. Digital e industrial. Local e global.
O desafio agora é criar um ambiente em que essas pessoas consigam transformar boas ideias em negócios sustentáveis. Porque oportunidade existe. A questão é se conseguiremos transformar oportunidade em desenvolvimento.
