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Lendo: Vale da Celulose consolida Mato Grosso do Sul como o principal polo do setor no Brasil
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Empreenda MS > Empreendedorismo > Vale da Celulose consolida Mato Grosso do Sul como o principal polo do setor no Brasil
Empreendedorismo

Vale da Celulose consolida Mato Grosso do Sul como o principal polo do setor no Brasil

Empreenda MS Publicado em 24/07/2026 322 visualizações
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10 minutos de leitura
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Estado responde por quase 30% da produção nacional de celulose e deve chegar a 11,1 milhões de toneladas por ano com a entrada em operação da fábrica da Arauco, em Inocência, prevista para o fim de 2027

Mato Grosso do Sul consolidou-se como o principal polo da indústria de celulose do Brasil ao atingir a marca de 7,6 milhões de toneladas produzidas por ano, volume equivalente a aproximadamente 30% de toda a produção nacional do setor. O protagonismo do Estado tende a crescer ainda mais nos próximos anos: com a entrada em operação da fábrica da Arauco, em Inocência, prevista para o fim de 2027, a capacidade instalada sul-mato-grossense deve saltar para cerca de 11,1 milhões de toneladas anuais — um salto que reposiciona de forma definitiva o eixo econômico do Estado em torno da chamada região do Vale da Celulose, no leste sul-mato-grossense.

Os números foram consolidados nesta quinta-feira (23) e acompanham um momento histórico para o setor florestal brasileiro como um todo. Em 2026, o Brasil reafirmou sua posição como maior exportador mundial de celulose, alcançando produção recorde de 25,5 milhões de toneladas, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). O país também ampliou sua base florestal para 10,5 milhões de hectares de florestas plantadas, dos quais 8,1 milhões de hectares são de eucalipto — matéria-prima essencial para a produção de celulose e um dos pilares da vantagem competitiva brasileira no mercado internacional.

Um corredor industrial sem paralelo na América Latina

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Grande parte desse desempenho nacional tem origem na região leste de Mato Grosso do Sul, conhecida como Vale da Celulose, onde se concentra o maior corredor industrial do segmento em toda a América Latina. Além das plantas já instaladas e em operação, o Estado vive um novo ciclo de expansão, com investimentos bilionários que devem ampliar ainda mais sua participação na cadeia global de papel e celulose nos próximos anos.

A futura unidade da Arauco em Inocência, batizada de Projeto Sucuriú, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas anuais, o que deve torná-la uma das maiores fábricas de celulose do mundo construídas em uma única etapa. Paralelamente, a Bracell mantém estudos avançados para a implantação de uma nova unidade industrial em Bataguassu, movimento que, se confirmado, ampliaria ainda mais o cinturão produtivo sul-mato-grossense e consolidaria um novo eixo de expansão para além dos municípios que já concentram fábricas em operação.

Um dos fatores que explica a competitividade internacional do setor no Brasil — e, por extensão, em Mato Grosso do Sul — é o ciclo de produção do eucalipto local, que varia entre seis e sete anos, praticamente metade do tempo observado nos principais países concorrentes. A combinação entre condições climáticas favoráveis, elevado nível tecnológico e avanços em melhoramento genético sustenta esse diferencial, que vem sendo determinante para atrair sucessivos aportes de multinacionais do setor para o Estado.

Três Lagoas, a capital brasileira da celulose

Reconhecida havia anos como a capital brasileira da celulose, Três Lagoas segue como o principal centro industrial do setor no país. O município abriga duas das maiores fábricas de celulose do planeta, pertencentes à Suzano, com capacidade de 3,25 milhões de toneladas por ano, e à Eldorado Brasil, com 1,8 milhão de toneladas anuais — volumes que, somados, respondem por mais da metade de toda a produção estadual e consolidam a cidade como referência internacional em produtividade, logística e competitividade no setor.

A presença dessas duas companhias promoveu uma transformação econômica profunda na cidade ao longo da última década. Além da expansão da infraestrutura urbana, Três Lagoas passou a atrair fornecedores, empresas de logística, prestadores de serviços especializados e novos investimentos privados, formando um ecossistema industrial robusto que impulsiona o desenvolvimento de toda a região. Um exemplo da escala dessas operações: apenas a unidade da Suzano em Três Lagoas serve diariamente mais de cinco mil refeições aos seus colaboradores, dado que ajuda a dimensionar o tamanho da folha de funcionários mobilizada pela planta industrial.

Expansão redesenha o mapa econômico do Estado

O avanço da indústria da celulose já ultrapassa os limites de Três Lagoas e vem criando um novo eixo de desenvolvimento em Mato Grosso do Sul. Ribas do Rio Pardo recebeu, em 21 de julho de 2024, uma das maiores fábricas da Suzano, com capacidade de 2,55 milhões de toneladas anuais — um dos maiores investimentos privados da história do Estado, cujo impacto já é sentido no mercado imobiliário, no comércio, na prestação de serviços e na geração de empregos do município.

Em Inocência, a construção da unidade da Arauco representa um novo marco para o setor no Estado. O Projeto Sucuriú deve posicionar o pequeno município entre os principais polos mundiais de produção de celulose, ampliando de forma significativa as oportunidades econômicas locais e acelerando investimentos públicos e privados em infraestrutura, moradia e serviços — um padrão de transformação que já foi observado em Três Lagoas e mais recentemente em Ribas do Rio Pardo. Já Bataguassu desponta como a próxima fronteira de expansão do setor, com o projeto em estudo da Bracell reforçando o corredor industrial do Vale da Celulose e ampliando a capacidade produtiva estadual para os próximos anos.

Emprego, renda e transformação social

Muito além dos indicadores de produção e exportação, a indústria da celulose se tornou um dos principais vetores de desenvolvimento socioeconômico de Mato Grosso do Sul. O setor é responsável pela criação de milhares de empregos diretos, indiretos e induzidos, movimentando uma ampla cadeia produtiva que envolve silvicultura, transporte, construção civil, manutenção industrial, comércio e prestação de serviços — segmentos que, juntos, sustentam parte relevante da economia dos municípios onde as fábricas estão instaladas.

Os grandes investimentos também elevam a arrecadação municipal, fortalecem as economias locais e estimulam melhorias em infraestrutura urbana, habitação, mobilidade, saúde, educação e qualificação profissional. O efeito multiplicador da atividade beneficia não apenas os municípios que recebem diretamente as fábricas, mas toda a região de influência dos empreendimentos, ampliando oportunidades para pequenos e médios empresários locais e contribuindo para elevar os índices de emprego formal e renda da população — um processo que consolida Mato Grosso do Sul como um dos principais destinos de investimentos industriais do país nos últimos anos.

Sustentabilidade como parte do modelo de negócio

Além da relevância econômica, a indústria da celulose no Brasil mantém, ao menos no discurso do setor, forte compromisso com práticas de sustentabilidade e governança. O modelo brasileiro de produção é baseado em florestas plantadas renováveis, o que reduz a pressão sobre florestas nativas e fortalece a chamada bioeconomia. Segundo a Ibá, as empresas do setor preservam mais de 7 milhões de hectares de vegetação nativa em suas propriedades, integrando produção florestal, conservação ambiental e responsabilidade social. Paralelamente, os investimentos em inovação, eficiência energética e economia circular vêm consolidando a celulose como uma das principais cadeias produtivas da indústria de base renovável do país.

O que esperar dos próximos anos

Com tecnologia de ponta, elevada produtividade e uma estratégia de crescimento que combina expansão industrial com discurso de sustentabilidade, Mato Grosso do Sul consolida o Vale da Celulose como um dos maiores polos industriais do mundo no setor. Nos próximos dois anos, o principal evento a ser acompanhado será justamente a entrada em operação da fábrica da Arauco em Inocência, prevista para o fim de 2027, que deve elevar a capacidade instalada do Estado para 11,1 milhões de toneladas anuais e testar a capacidade de infraestrutura, logística e mão de obra qualificada da região para absorver um novo salto de produção. A confirmação — ou não — do projeto da Bracell em Bataguassu também deve pautar as próximas rodadas de investimento no setor, em um movimento que amplia a relevância de Mato Grosso do Sul não apenas na economia nacional, mas na cadeia global de papel e celulose.

Fontes: Perfil News — Com 7,6 milhões de toneladas anuais, Vale da Celulose consolida o MS como protagonista da liderança mundial do Brasil.

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