O Plano Mais Produção já aprovou R$ 10,48 bilhões para 4.691 projetos em MS desde 2023, com metade do dinheiro na agroindústria; entenda onde estão as linhas e o que ainda falta para a inovação.
O Plano Mais Produção, braço de financiamento da política industrial do governo federal, já aprovou R$ 10,48 bilhões em crédito para 4.691 projetos em Mato Grosso do Sul entre 2023 e junho de 2026. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do BNDES, e foi divulgado pelo Campo Grande News nesta quinta-feira (5).
O dinheiro veio de BNDES, Finep e Caixa Econômica Federal. As operações do Banco do Brasil ficaram de fora da análise. Segundo a reportagem, “os dados analisados não incluem operações do Banco do Brasil, por questões de compliance”.
O retrato mostra uma indústria sul-mato-grossense muito ligada ao campo. Quase metade dos recursos do Plano Mais Produção no Estado foi para a agroindústria, enquanto áreas como inovação de ponta ainda aparecem com pouco peso. Para quem empreende ou pensa em modernizar uma fábrica, os números ajudam a entender onde está o dinheiro e quais portas continuam pouco usadas.
Onde o Plano Mais Produção investiu em MS
A agroindústria ficou com R$ 5,14 bilhões, o equivalente a 49,05% de tudo o que foi aprovado no Estado. A média nacional para o setor é de apenas 19,02%. Em seguida aparece a infraestrutura, com R$ 2,42 bilhões, ou 23,09% do total, bem abaixo da média brasileira de 46,73%.
Outro destaque é a área de descarbonização e bioeconomia, que concentrou 18,3% dos recursos em Mato Grosso do Sul. No Brasil, a fatia é de 10,61%. O desempenho tem relação com a força das cadeias de celulose, bioenergia e proteína animal, que vêm buscando processos mais eficientes e menos poluentes.
No Centro-Oeste, a divisão é diferente: agroindústria com 31,77%, infraestrutura com 23,71% e descarbonização com 8,47%. Ou seja, Mato Grosso do Sul é mais agroindustrial e mais verde que a média da própria região.

O peso de MS no Plano Mais Produção
Os R$ 10,48 bilhões aprovados para Mato Grosso do Sul representam 14,9% dos R$ 70,32 bilhões destinados ao Centro-Oeste. Em relação ao país, a participação é de 1,39% dos R$ 755,2 bilhões aprovados para cerca de 610 mil projetos.
A comparação ajuda a dimensionar o espaço para crescer. O Estado tem uma das indústrias que mais avançam no Brasil, como o Empreenda MS mostrou na reportagem sobre a indústria de MS que cresce quase nove vezes mais que o Brasil. Mesmo assim, a fatia do crédito federal ainda é pequena diante do tamanho da economia nacional.
Os números do Plano Mais Produção também mostram que o crédito no Estado ficou distribuído entre muitas operações. Pelas contas do Empreenda MS, os R$ 10,48 bilhões divididos pelos 4.691 projetos dão uma média de cerca de R$ 2,2 milhões por projeto. A média esconde diferenças grandes entre operações, mas sugere que o Plano Mais Produção não ficou restrito a poucas plantas gigantes.
Fundo Clima oscila e Depreciação Acelerada chega a 87 projetos
Uma das linhas ligadas ao eixo verde do Plano Mais Produção é o Fundo Clima, voltado a projetos industriais com foco ambiental. Em Mato Grosso do Sul, o valor aprovado foi praticamente nulo em 2023, saltou para R$ 340 milhões em 2025 e somou R$ 50 milhões em 2026, até setembro.
No Centro-Oeste, o Fundo Clima passou de R$ 70 milhões em 2023 para R$ 1,76 bilhão em 2025 e chegou a R$ 1,17 bilhão em 2026. No Brasil, os valores foram de R$ 880 milhões, R$ 12,55 bilhões e R$ 7,47 bilhões até setembro, respectivamente.
A Depreciação Acelerada, incentivo fiscal que permite antecipar a dedução de máquinas e equipamentos novos no Imposto de Renda (IRPJ) e na CSLL, também aparece no levantamento. Entre 2023 e 2025, Mato Grosso do Sul teve 87 projetos, que somam R$ 145,73 milhões em investimentos e R$ 49,55 milhões em incentivos fiscais. Isso equivale a 12,1% dos projetos e 15,8% dos investimentos do Centro-Oeste.
Para comparação, o Brasil todo registrou 7.376 projetos, R$ 8,754 bilhões em investimentos e R$ 2,98 bilhões em benefícios com o mecanismo.
Inovação ainda é o ponto fraco
O dado que mais chama a atenção está no BNDES Mais Inovação. Em Mato Grosso do Sul, o programa financiou R$ 550 milhões em 206 operações, com 341 equipamentos de indústria 4.0 e 101 profissionais de pesquisa e desenvolvimento.
O Estado, porém, não registra plantas pioneiras, laboratórios ou centros de P&D, software com inteligência artificial nem novos medicamentos financiados pela linha. No Centro-Oeste, o programa somou R$ 3,36 bilhões em 1.110 operações, com três unidades pioneiras, 18,9 mil metros quadrados de laboratórios e centros de P&D, 14 novos medicamentos, vacinas ou insumos farmacêuticos e um software com IA.
A diferença revela um desafio conhecido do ecossistema local: transformar a força agroindustrial em pesquisa aplicada e produtos de maior valor. É um espaço em que parques tecnológicos, universidades, startups e indústrias podem atuar juntos para apresentar projetos ao Plano Mais Produção.
A inovação é justamente um dos quatro eixos do Plano Mais Produção, com custo de financiamento baseado na TR para pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, a ausência de laboratórios e plantas pioneiras financiados no Estado não decorre da falta de linha específica, mas da carteira de projetos apresentados.
Como funciona o Plano Mais Produção
De acordo com o painel oficial do BNDES, o Plano Mais Produção reúne as soluções de financiamento contínuo da Nova Indústria Brasil (NIB). A previsão inicial era de cerca de R$ 300 bilhões entre 2023 e 2026, e a meta conjunta atual chega a R$ 751,3 bilhões.
Participam BNDES, Finep e Embrapii, que iniciaram o plano, além de Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Caixa, que aderiram depois. As metas atuais são de R$ 402,5 bilhões para o BNDES, R$ 118,5 bilhões para a Caixa, R$ 101 bilhões para o Banco do Brasil, R$ 89,1 bilhões para a Finep, R$ 24,8 bilhões para o BNB, R$ 14,4 bilhões para o Basa e R$ 1 bilhão para a Embrapii.
O plano é organizado em quatro eixos: produtividade, inovação, exportação e verde. Ele também se conecta às seis missões da NIB, que vão das cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais à transformação digital da indústria, passando por saúde, infraestrutura, bioeconomia e defesa.
Como acessar as linhas do Plano Mais Produção
O painel do BNDES descreve dois caminhos principais. As operações diretas, não automáticas, são negociadas com o próprio banco. Já as operações indiretas automáticas passam pelas instituições financeiras credenciadas, como bancos e cooperativas de crédito, que repassam os recursos às empresas.
Na prática, cada eixo tem produtos próprios. No eixo de produtividade, há financiamento para compra de máquinas e equipamentos nacionais, pelo BNDES Finame, e apoio a micro, pequenas e médias empresas pelo programa Brasil Mais Produtivo. Na inovação, o BNDES Mais Inovação financia P&D, plantas pioneiras e difusão tecnológica com custo baseado na TR.
Para exportar, a linha indicada é o BNDES Exim. No eixo verde, os projetos industriais podem buscar o Fundo Clima. Há ainda apoio por meio de fundos de investimento, com aporte aprovado do BNDES de cerca de R$ 12,6 bilhões.
O empresário que quer começar deve procurar o banco ou a cooperativa com que já trabalha e perguntar quais linhas do BNDES e da Finep ela opera. Ter um projeto bem descrito, com orçamento dos equipamentos e retorno esperado, costuma acelerar a análise. O Empreenda MS já explicou como funciona o caminho em BNDES já liberou R$ 8,8 bi a pequenas empresas de MS desde 2023; veja como pedir crédito.
Outra fonte que pode complementar o Plano Mais Produção é o Fundo Constitucional do Centro-Oeste. Em outubro, o portal mostrou que o FCO tinha R$ 1,8 bilhão livre para empresas e produtores de MS.
O que os números indicam para 2027
O levantamento mostra que Mato Grosso do Sul sabe usar o crédito federal para ampliar a produção ligada ao agro e para reduzir emissões. O desafio para os próximos anos é levar o Plano Mais Produção também para a fronteira tecnológica, com laboratórios, plantas pioneiras e software.
A queda do Fundo Clima em 2026, de R$ 340 milhões para R$ 50 milhões até setembro, também merece atenção. Pode refletir a concentração de grandes projetos em 2025, mas reforça a importância de manter uma carteira de novos projetos prontos para disputar recursos.
Para o ecossistema de inovação, a mensagem é clara: há dinheiro disponível e linhas específicas para P&D. O que falta é transformar ideias em projetos financiáveis e aproximar quem pesquisa de quem produz. Associações empresariais, federações e ambientes de inovação podem ajudar empresas menores a montar propostas e a entender as exigências de cada linha do Plano Mais Produção. O Empreenda MS seguirá acompanhando os números do Plano Mais Produção no Estado.
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Fontes
Campo Grande News: Crédito federal para modernização de indústria de MS soma R$ 10,48 bilhões (05/11/2026). BNDES: Painel do Plano Mais Produção.
