O Vale da Celulose Summit reúne governo, indústria, Sebrae e a embaixada finlandesa em 24/11 para discutir fornecedores locais, mão de obra e logística, temas que vão definir quem ganha espaço na nova economia florestal de MS.
O Vale da Celulose vai ganhar uma vitrine internacional em Campo Grande no próximo dia 24 de novembro. O LIDE Mato Grosso do Sul, em parceria com o Sistema Fiems e a Embaixada da Finlândia, realiza o Vale da Celulose Summit, na edição batizada de Momento Finlândia, das 8h às 10h30, no Edifício Casa da Indústria, na Avenida Afonso Pena, 1.206. O encontro terá o embaixador finlandês Antti Kaski e o governador Eduardo Riedel entre os participantes, e as inscrições já estão abertas por formulário on-line.
A proposta é colocar na mesma sala quem decide e quem executa os investimentos florestais do Estado. Segundo a divulgação do evento, publicada pelo jornal A Crítica de Campo Grande, a pauta inclui as mudanças pelas quais o setor passou nos últimos anos, inovação e competitividade, formação de trabalhadores para as novas fábricas, oportunidades para fornecedores locais e a situação de rodovias e logística.
Para quem empreende em Mato Grosso do Sul, o recado é direto: o Vale da Celulose deixou de ser assunto apenas das grandes indústrias. A presença do Sebrae/MS e da Fecomércio MS na abertura mostra que o debate também passa por comércio, serviços e pequenos negócios que querem vender para essa cadeia.
Como participar do Vale da Celulose Summit
O Vale da Celulose Summit acontece na terça-feira, 24 de novembro de 2026, com início às 8h e encerramento previsto para as 10h30. O local é o Edifício Casa da Indústria, sede do Sistema Fiems, na Avenida Afonso Pena, 1.206, em Campo Grande.
As inscrições são feitas por um formulário on-line divulgado pelos organizadores, disponível no endereço forms.gle/KFLBM3saYH8z7Nrs6. A matéria de divulgação não informa se a participação é gratuita nem o número de vagas, por isso a recomendação é preencher o formulário com antecedência e conferir as condições na confirmação enviada pela organização.
O formato curto, de duas horas e meia pela manhã, favorece quem precisa voltar ao trabalho ainda no mesmo dia. Para empresários do interior, especialmente dos municípios do leste do Estado, vale planejar o deslocamento até a Capital na véspera.
Quem fala no Vale da Celulose Summit
A abertura do Vale da Celulose Summit reúne representantes de diferentes frentes da economia sul-mato-grossense. Estão previstos Aurélio Rocha, presidente do LIDE MS; Élcio Trajano, presidente do Sinpacems e diretor de Recursos Humanos da Eldorado Brasil Celulose; Cláudio Mendonça, do Sebrae/MS; Juliano Wertheimer, da Fecomércio MS; o embaixador Antti Kaski; e o governador Eduardo Riedel.
Em seguida, o painel “Os avanços do setor florestal em Mato Grosso do Sul” terá mediação de Jaime Verruck. Participam Artur Falcette, secretário estadual da Semadesc; Celso Tacla, da Valmet; José Márcio Bizon, da Bracell; e Theófilo Militão, da Arauco Brasil.
A composição do painel diz muito. Há governo, uma fornecedora de tecnologia e duas empresas que estão entre as protagonistas da expansão da celulose no Estado. É a combinação de quem planeja, quem equipa e quem opera as fábricas do Vale da Celulose.

Aurélio Rocha, que preside o LIDE MS, também é diretor de Relações Internacionais do Sistema Fiems e tem passagem pelo Itamaraty. Esse perfil ajuda a explicar a aposta em um encontro com recorte diplomático e foco em negócios.
Por que a Finlândia olha para o Vale da Celulose
A Finlândia é uma das referências mundiais em tecnologia florestal, e a ligação com Mato Grosso do Sul já é concreta. A Valmet, empresa com sede em Espoo, na Finlândia, atua no Brasil desde os anos 1960. Segundo entrevista citada na divulgação do evento, a companhia foi a maior fornecedora do Projeto Puma, da Klabin, no Paraná.
No Vale da Celulose, a Valmet aparece em um dos maiores projetos em andamento. Em setembro de 2024, o Campo Grande News informou que a chilena Arauco escolheu a empresa finlandesa para fornecer a linha de produção, a tecnologia, a automação e os serviços do Projeto Sucuriú, em Inocência. Na época, o investimento foi estimado em US$ 4,6 bilhões, o maior da história da Arauco, com capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
O mesmo levantamento apontava que a fábrica deve gerar cerca de 200 MW excedentes de energia para o sistema nacional, que o pico das obras pode chegar a 14 mil trabalhadores e que a operação está prevista para o segundo semestre de 2027. São números que ajudam a dimensionar por que a tecnologia finlandesa tem interesse direto no Vale da Celulose.
O embaixador Antti Kaski comanda a representação da Finlândia em Brasília há cerca de um ano. Em outubro, ele liderou uma missão empresarial a Minas Gerais, o que indica a estratégia de aproximar empresas finlandesas dos polos florestais brasileiros.
O tamanho do Vale da Celulose hoje
O leste de Mato Grosso do Sul, região conhecida como Vale da Celulose, tem cerca de 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas, de acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). Com isso, o Estado ocupa a segunda posição do país, atrás apenas de Minas Gerais.
O Empreenda MS já mostrou que MS respondeu por 90% do avanço das florestas plantadas do país e se aproxima dos mineiros. A distância entre os dois estados encolhe à medida que novas áreas de eucalipto avançam para abastecer as fábricas.
O próximo passo também está no radar. O Governo do Estado negocia uma fábrica de papel depois de atrair cerca de R$ 100 bilhões em investimentos em celulose, com anúncio esperado para 2027. A agregação de valor na cadeia é um dos temas que devem atravessar o debate do Vale da Celulose Summit.
Ao mesmo tempo, a pressão ambiental cresce. As fábricas de celulose de MS terão de entregar plano de emissões de carbono em 2027, o que abre espaço para consultorias, startups de monitoramento e soluções de eficiência energética.
Oportunidades para fornecedores locais
Um dos eixos anunciados do encontro é justamente a oportunidade para fornecedores locais. Na prática, isso significa discutir como empresas de Mato Grosso do Sul podem entrar nas listas de compras das fábricas e de seus fornecedores diretos, que muitas vezes vêm de fora do Estado.
A cadeia do Vale da Celulose envolve desde o viveiro de mudas até o porto de exportação. No meio do caminho há transporte, manutenção industrial, alimentação, hospedagem, segurança, tecnologia e serviços ambientais. Quanto mais esses contratos ficarem com empresas locais, maior é o efeito da celulose sobre a renda dos municípios.
A participação do Sebrae/MS na abertura sugere que a capacitação de pequenos fornecedores deve aparecer na conversa. Para quem já tem uma empresa de serviços no leste do Estado, o evento pode ser uma chance de entender exigências de qualidade, certificação e prazos antes de disputar contratos.
Também há espaço para quem trabalha com inovação. Temas como automação, monitoramento de florestas, rastreabilidade e eficiência no uso de água e energia estão entre as frentes em que a tecnologia estrangeira costuma se combinar com soluções desenvolvidas perto das fábricas. Startups, laboratórios de universidades e empresas de base tecnológica do Estado podem usar encontros como este para mapear problemas reais das indústrias e apresentar propostas de projetos-piloto.
O networking, aliás, é parte importante do formato. Eventos com governo, embaixada e grandes empresas na mesma manhã costumam abrir portas que levariam meses para serem abertas por canais formais.
Mão de obra e logística na pauta
A formação de trabalhadores é outro tema central. Reportagem recente do Empreenda MS mostrou que a indústria de MS cresce quase nove vezes mais que o Brasil, mas a falta de trabalhadores virou o novo gargalo. No Vale da Celulose, a disputa por mão de obra qualificada atinge desde operadores de máquinas até técnicos de manutenção e automação.
A logística completa o quadro. Rodovias que recebem tráfego pesado de caminhões de madeira e celulose estão entre os pontos que o painel deve tratar. O secretário Jaime Verruck, mediador do debate, já alertou que as obras do Corredor Bioceânico não estão prontas e MS deve mirar a Ásia, mercado que também é destino importante da celulose.
Para quem empreende, essas duas frentes são termômetros de oportunidade. Escolas técnicas, empresas de treinamento, transportadoras e prestadores de serviço de manutenção viária ficam diretamente ligados ao ritmo de expansão do Vale da Celulose.
O que esperar depois do Vale da Celulose Summit
Encontros como o Vale da Celulose Summit costumam servir para alinhar discursos e aproximar empresas, mais do que para anunciar investimentos. Ainda assim, a presença do governador, do embaixador e de executivos das principais empresas do setor cria um ambiente propício para novas parcerias.
A expectativa é que o debate ajude a responder perguntas que interessam diretamente ao empresário sul-mato-grossense: quais serviços as fábricas precisam, quais competências faltam e quais gargalos de infraestrutura ainda travam a cadeia. O Empreenda MS vai acompanhar os desdobramentos do Vale da Celulose Summit e as possíveis parcerias com empresas finlandesas.
Quem pretende participar deve garantir a inscrição pelo formulário oficial e chegar cedo. Para quem não puder estar presente, vale acompanhar os canais do LIDE MS e do Sistema Fiems, que costumam divulgar os principais pontos de encontros desse tipo.
Leia também
Leia também: MS negocia fábrica de papel após R$ 100 bi em celulose; anúncio deve sair em 2027 e MS responde por 90% do avanço das florestas plantadas do país e encosta em Minas Gerais.
Fontes
A Crítica de Campo Grande: Embaixador da Finlândia vem a Campo Grande debater o futuro da celulose em MS (06/11/2026). Campo Grande News: Chilena utilizará tecnologia finlandesa para produzir celulose em MS (25/09/2024).
