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Empreenda MS > Empreendedorismo > Inteligência de Dados Salva Vidas: Como a Tecnologia de Monitoramento do MCTI Redefiniu a Gestão de Crises no Brasil em 2025
Empreendedorismo

Inteligência de Dados Salva Vidas: Como a Tecnologia de Monitoramento do MCTI Redefiniu a Gestão de Crises no Brasil em 2025

Empreenda MS Publicado em 05/01/2026 880 visualizações
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13 minutos de leitura
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Com o lançamento do sistema GeoRisk e a expansão da rede de sensores via IoT, o Brasil encerra 2025 sem desastres de grandes proporções. Saiba como a ciência de dados aplicada e investimentos estratégicos em infraestrutura estão blindando cidades e negócios contra eventos climáticos extremos.

Por Redação Empreende MS

Em um mundo onde a incerteza climática se tornou uma variável constante nas planilhas de risco de qualquer empreendimento — do agronegócio à logística urbana —, a informação precisa e antecipada vale ouro. No Brasil, o ano de 2025 marcou uma virada de chave fundamental na forma como o Estado lida com desastres naturais. Deixamos de ser apenas reativos para nos tornarmos preditivos, graças a um investimento massivo em tecnologia e inteligência de dados.

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgou um balanço que serve como um case de sucesso em gestão pública eficiente (GovTech): o envio de alertas de risco e as ações preventivas foram decisivos para salvar vidas e proteger ativos econômicos ao longo do ano.

Para o leitor do Empreende MS, que entende que a estabilidade é o solo fértil para a inovação, os números apresentados revelam um país que está aprendendo a usar a tecnologia para mitigar prejuízos e garantir a continuidade dos negócios e da vida social.

O Poder dos Dados: 5.165 Alertas Estratégicos

A base dessa nova política de segurança é o dado. Entre janeiro e dezembro de 2025, a Sala de Situação do Cemaden emitiu um total de 5.165 alertas para municípios em todo o território nacional. Esse número não é apenas uma estatística; ele representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior (2024), demonstrando uma capacidade operacional muito mais robusta e sensível às alterações do clima.

Deste montante, a divisão técnica dos riscos aponta para dois grandes desafios que afetam diretamente a infraestrutura urbana e rural:

  • 2.560 alertas de risco hidrológico: Relacionados a inundações, enxurradas e alagamentos. Para o comércio e a indústria, esses eventos são historicamente os causadores de maiores prejuízos materiais imediatos, com perda de estoque e paralisação de serviços.
  • 2.605 alertas de risco geodinâmico: Referentes a deslizamentos de terra. Estes eventos afetam criticamente a mobilidade, bloqueando estradas e isolando comunidades, impactando cadeias logísticas inteiras.

O dado mais crítico para a gestão pública e privada é que, desses mais de cinco mil alertas, 2.422 foram classificados como de risco Alto ou Muito Alto. Isso significa que, em quase metade das situações identificadas, havia uma probabilidade iminente de colapso ou desastre severo. A precisão desses alertas permitiu que o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), vinculado à Defesa Civil Nacional, e as defesas civis municipais acionassem protocolos de evacuação e contingência com assertividade.

GeoRisk: A Inovação que Compra Tempo (e Segurança)

Se a quantidade de alertas aumentou, a qualidade da informação deu um salto quântico. O grande destaque tecnológico de 2025, que merece a atenção de todo gestor focado em inovação, foi o lançamento do sistema GeoRisk em fevereiro.

Até então, o horizonte de previsão segura para a tomada de decisão era de 24 horas. No mundo da logística e da gestão de crises, 24 horas é um prazo exíguo. O GeoRisk mudou essa regra do jogo. Utilizando modelagem avançada de risco e maior capacidade de processamento de dados (Big Data), o sistema permitiu a emissão de avisos com até 72 horas de antecedência.

Para um prefeito, isso significa tempo hábil para preparar abrigos. Para um empresário ou gestor industrial, 72 horas (três dias) é um prazo que permite:

  1. Replanejar rotas de distribuição para evitar áreas que serão afetadas.
  2. Proteger maquinário sensível e estoques em áreas vulneráveis.
  3. Organizar escalas de trabalho home office para colaboradores que residem em zonas de risco, garantindo sua segurança e a manutenção da produtividade.

O GeoRisk opera aglomerando mais dados, cobrindo mais territórios e integrando mais sensores. É a aplicação prática da “Internet das Coisas” (IoT) a serviço da segurança nacional. Essa expansão na inteligência do risco transformou a comunicação entre o Cemaden e os setores de energia, transporte e defesa civil, permitindo medidas preventivas muito mais eficazes.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, reforçou em reuniões estratégicas — como a realizada com a Prefeitura de Angra dos Reis (RJ) — que o desenvolvimento dessas tecnologias é indispensável frente à intensificação dos eventos climáticos. “Antecipar os desastres” tornou-se o mantra da gestão, e a tecnologia foi o meio para atingir esse fim.

Infraestrutura 4.0: A Expansão da Rede de Monitoramento

Nenhuma inteligência artificial ou modelo preditivo funciona sem dados brutos de qualidade. Reconhecendo isso, 2025 foi também o ano da expansão física da rede de monitoramento, impulsionada pelos recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

O hardware por trás dessa inteligência foi significativamente ampliado. Ao longo do ano, foram instalados 847 novos equipamentos de monitoramento, incluindo pluviômetros automáticos e estações hidrológicas de nova geração. Essa modernização contemplou 353 municípios em todas as regiões do Brasil.

Para o mercado de tecnologia e telecomunicações, essa expansão representa um aquecimento do setor de sensores e manutenção de redes remotas. O detalhamento dessa expansão revela uma estratégia de preencher “vazios de dados”:

  • 305 municípios passaram a integrar a rede de monitoramento do Cemaden pela primeira vez. São cidades que, até 2024, operavam “no escuro”, sem dados em tempo real sobre o comportamento de seus rios e encostas.
  • 732 equipamentos foram dedicados exclusivamente a esses novos pontos de observação.

Essa capilaridade é vital. Um desastre natural raramente avisa onde vai acontecer com precisão se não houver “olhos” no local. Atualmente, o Cemaden monitora áreas de risco em 1.133 municípios.

O Caso do Rio Grande do Sul: Resposta Rápida e Resiliência

Um ponto de atenção especial no relatório de 2025 foi a resposta aos eventos extremos ocorridos no Rio Grande do Sul em 2024. O estado recebeu um reforço emergencial de infraestrutura, provando a capacidade de resposta do sistema. Foram instalados 258 novos equipamentos em 112 municípios gaúchos, fortalecendo a malha de dados regional. Além da expansão, houve a substituição de 115 equipamentos de primeira geração por modelos mais modernos. Isso aumenta a confiabilidade (uptime) dos dados e a eficiência da transmissão, essencial em momentos de tempestade onde a comunicação costuma falhar.

O Mapa do Risco: Onde a Atenção Foi Redobrada

Para empreendedores que atuam em escala nacional, entender a geografia dos riscos apresentada pelo relatório de 2025 é fundamental para o planejamento estratégico de 2026.

A região Sudeste concentrou a maioria dos alertas emitidos: 55% do total nacional. Isso é natural, dado que é a região com maior densidade populacional e ocupação de áreas de encosta. No entanto, o ranking das cidades com maior número de alertas emitidos traz insights importantes sobre vulnerabilidades específicas:

  1. Petrópolis (RJ): A cidade imperial liderou o ranking com 156 alertas. Historicamente vulnerável, Petrópolis continua sendo um foco de atenção máxima, exigindo do setor de turismo e comércio local uma adaptação constante à realidade climática.
  2. Manaus (AM): A capital amazonense recebeu 94 alertas. Isso destaca a complexidade climática da região Norte, que oscila entre cheias severas e secas históricas, impactando diretamente a Zona Franca e a logística fluvial.
  3. São Paulo (SP): A maior metrópole do país registrou 83 alertas. Para o coração financeiro do Brasil, cada alerta pode significar paralisia no trânsito, impacto no varejo e desafios para a infraestrutura urbana.

Monitoramento Hídrico: A Segurança da Água

Além de evitar tragédias imediatas como deslizamentos, a tecnologia do Cemaden foi crucial em 2025 para a gestão de um recurso vital para a indústria e o agronegócio: a água. O monitoramento de cenários de escassez hídrica foi intensivo, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo. O Centro acompanhou em tempo real a queda acentuada dos níveis dos reservatórios, com foco crítico no Sistema Cantareira.

As informações geradas subsidiaram não apenas alertas, mas classificações de risco que orientaram medidas de contingência. Para a indústria que depende de água intensiva, esses dados permitiram antever restrições de captação e ajustar a produção antes que o racionamento se tornasse uma surpresa. A gestão baseada em evidências científicas evitou o pânico e permitiu uma administração racional da crise hídrica.

O Futuro é Agora: Metas Agressivas para 2026

O relatório do MCTI não olha apenas para o retrovisor. Ele desenha um cenário de crescimento acelerado para a infraestrutura de prevenção em 2026. A meta estabelecida é ambiciosa e abre oportunidades para o setor de inovação e serviços técnicos.

A expectativa é aumentar em 84,9% o número de municípios monitorados pelo sistema de alertas. O objetivo é chegar ao final de 2026 atendendo a 2.095 localidades. Isso significa que, no próximo ano, quase o dobro de cidades brasileiras estará “online” no grid de segurança climática. Para alcançar essa meta, o ritmo de instalação de sensores, integração de sistemas e treinamento de pessoal deverá ser frenético.

Essa expansão planejada indica uma política de Estado consolidada: a de que a prevenção é, economicamente e socialmente, infinitamente mais barata e eficiente do que a reconstrução.

Educação e Cultura: O Software Humano

Por fim, o relatório destaca que a tecnologia (hardware e software) não opera no vácuo. É preciso preparar o “peopleware” — as pessoas. O Programa Cemaden Educação ampliou significativamente suas iniciativas em 2025. Não basta ter um sensor IoT de última geração se a população e os gestores locais não souberem interpretar o alerta ou agir diante dele. O programa focou na formação e mobilização social, desenvolvendo:

  • Cursos à distância para gestores e educadores.
  • Materiais pedagógicos para a educação básica.
  • Campanhas nacionais de percepção de risco.

Essa vertente educativa é essencial para criar uma “cultura de prevenção”. Ao integrar o conhecimento científico gerado pelos supercomputadores com a realidade das comunidades, o Cemaden fortalece a resiliência na ponta da linha.

Conclusão: Tecnologia como Pilar de Estabilidade

O ano de 2025 encerra-se com uma vitória silenciosa, mas monumental: não foram registrados desastres geo-hidrológicos de impacto severo, apesar das condições adversas. Esse resultado não foi sorte. Foi a soma de monitoramento contínuo (24h), expansão da infraestrutura (Novo PAC) e emissão antecipada de alertas (GeoRisk).

Para o ecossistema de empreendedorismo e inovação, a lição que fica é clara. O Brasil está construindo uma camada de inteligência governamental que oferece mais segurança para quem vive e para quem investe aqui. A capacidade de prever o futuro com 72 horas de antecedência e agir sobre essa previsão é, talvez, o maior ativo que o país consolidou neste ano.

À medida que caminhamos para 2026, com a promessa de dobrar a cobertura desse monitoramento, a expectativa é de um ambiente de negócios cada vez menos refém do acaso e cada vez mais pautado pela ciência e pela estratégia.

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