Com 13 ambulâncias, guinchos pesados e socorro 24 horas, a concessionária da Rota da Celulose estreia o atendimento nas rodovias do Leste de MS. Para quem transporta madeira, celulose e grãos, o recado é outro: o pedágio eletrônico pode começar já no início de 2027.
A concessionária Caminhos da Celulose começou nesta segunda-feira (26) a prestar atendimento aos usuários em cerca de 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul. A estrutura, apresentada em solenidade no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, coloca em serviço 56 veículos operacionais, 13 painéis móveis de mensagens e equipes de assistência e resgate que vão funcionar 24 horas por dia, a partir de 13 bases espalhadas pela malha concedida. Segundo a empresa, os investimentos devem chegar perto de R$ 1 bilhão em 2026 e somar pelo menos R$ 2 bilhões em obras em 2027, ano em que está prevista a largada da duplicação da BR-262.
O trecho entregue à iniciativa privada é conhecido como Rota da Celulose e reúne as rodovias federais BR-262 e BR-267 e as estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, que cortam o centro e o Leste do estado. É justamente a região onde se concentram as fábricas de celulose e as áreas de eucalipto que transformaram a economia sul-mato-grossense nos últimos anos. O início do socorro mecânico e médico era uma das obrigações que a concessionária precisava cumprir antes de pedir autorização para cobrar pedágio.
O atendimento pode ser acionado pelo telefone 0800 040 6267, gratuito e disponível a qualquer hora.
O que entra em operação agora
A frota apresentada pela concessionária inclui 13 ambulâncias de emergência, 13 guinchos leves, seis guinchos pesados, sete veículos de inspeção, cinco caminhões-pipa, cinco caminhões guindauto e sete veículos de supervisão operacional.
Os guinchos pesados são um ponto importante para quem vive do transporte de cargas. Eles foram incluídos para atender caminhões de grande porte, como bitrens e tritrens, que dominam o tráfego dos corredores de madeira e celulose.
As 13 bases de atendimento funcionam, por enquanto, em estruturas provisórias. As definitivas estão em construção e devem ser entregues até o 12º mês da concessão. “Quem passa na rodovia já começou a ver, já estão começando a subir, já estão em construção”, disse o diretor-presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, segundo o Campo Grande News.
Ambulância elétrica e câmeras corporais
Entre as novidades está uma ambulância de emergência 100% elétrica, modelo Mercedes-Benz Sprinter, com previsão de pontos de recarga nas bases. A concessionária também adotou ferramentas elétricas de desencarceramento, usadas para retirar vítimas presas às ferragens, que dispensam motores a combustão.
As equipes de resgate vão usar câmeras corporais, as chamadas body cams, que transmitem imagens em tempo real para o Centro de Controle Operacional (CCO). Com isso, o médico que faz a regulação pode acompanhar o atendimento à distância e orientar os socorristas. As unidades terão ainda desfibriladores externos automáticos (DEA) para emergências cardíacas.
O governador Eduardo Riedel (PP) participou da entrega e tratou o início da operação como um marco. “É uma nova era, é um novo momento que a gente está passando no Mato Grosso do Sul, a partir dessa concessão, a partir de outras que estão por vir”, afirmou ao Campo Grande News.
484 câmeras, sensores e pedágio sem cancela
Além do que já está nas rodovias, a concessionária apresentou a estrutura tecnológica que será instalada ao longo do contrato. A lista inclui 484 câmeras de circuito fechado de televisão (CFTV), 43 sensores de pista, 28 sistemas de detecção de altura, 15 sistemas de controle de velocidade, oito sistemas de pesagem, 12 painéis fixos de mensagens e 26 pontos de recarga para veículos elétricos.
A cobrança será feita em 12 pontos eletrônicos, pelo sistema free flow, em que o veículo passa sem parar e a leitura é feita por pórticos. A conectividade é parte do pacote: como o empreendams.com mostrou ao acompanhar a expansão das florestas plantadas em MS, o Leste do estado virou uma das regiões que mais crescem no país, e boa parte das rodovias ainda tem trechos sem sinal de celular.
Torres de 4G devem funcionar no início de 2027
Para enfrentar esse apagão de sinal, a concessão prevê 82 torres de telefonia 4G ao longo da malha. Em reportagem de 20 de outubro, o Campo Grande News informou que 69 estruturas estavam prontas aguardando ativação e que cerca de 84% das torres tinham frentes de obra ativas. Nesta segunda, De Donno disse que a BR-262 está praticamente toda contemplada, faltando ajustes técnicos de integração entre as antenas. A expectativa é que as primeiras torres entrem em funcionamento no começo de 2027.
Recuperação do asfalto já passa da metade
O primeiro ano do contrato é concentrado na recuperação do pavimento e na montagem da operação. Segundo De Donno, os trabalhos de recuperação já passaram da metade do volume previsto para esta etapa. As obras incluem fresagem, que é a retirada do asfalto comprometido, e a recomposição das camadas do pavimento.
Os serviços de recuperação começaram em 31 de julho nas cinco rodovias, com seis empresas contratadas, cada uma responsável por um trecho, segundo o Midiamax. A concessionária quer ampliar de seis para oito as frentes de pavimentação para acelerar os trabalhos antes do período de chuvas mais intensas. Hoje cerca de 2 mil trabalhadores diretos e indiretos atuam na concessão, entre recuperação das pistas, construção das bases e outras estruturas.
Duplicação da BR-262 começa por Campo Grande
A partir de 2027, a concessão entra na fase de obras de ampliação. A principal será a duplicação da BR-262, começando pelos primeiros 10 quilômetros a partir da saída de Campo Grande, no sentido de Ribas do Rio Pardo. O projeto prevê mais de 100 quilômetros de duplicação nesse corredor, que liga a Capital às fábricas de celulose e ao Leste do estado.
“Já estamos trabalhando no projeto. É um trecho bem desafiador, são muitas interferências, mas estamos muito otimistas”, disse De Donno. Além da duplicação, estão previstos acostamentos e outras melhorias de segurança e capacidade.
No plano completo da concessão, segundo o Midiamax, estão 115 quilômetros de duplicação, 457 quilômetros de acostamentos, 245 quilômetros de terceiras faixas, 38 quilômetros de contornos urbanos, 22 passagens de fauna e o alargamento de 20 pontes. O plano de investimentos soma R$ 10,1 bilhões em 30 anos, sendo R$ 6,9 bilhões em obras e equipamentos e R$ 3,2 bilhões em custos operacionais.
Quando o pedágio começa e quanto deve custar
A cobrança está prevista para o primeiro bimestre de 2027. De Donno confirmou que a ideia é pedir autorização entre janeiro e fevereiro, depois de concluídos os trabalhos iniciais exigidos pelo contrato. A liberação depende da agência reguladora.
“A partir do momento que elas estiverem conclusas ou em andamento, aí está autorizado a instalar os free flows”, explicou Riedel, ao se referir às obrigações da concessionária. Segundo o governador, haverá divulgação das regras e um período de testes antes do início da cobrança.
Quando a concessão começou, em fevereiro, De Donno informou ao Campo Grande News que o valor vai variar conforme o trecho, com estimativa de R$ 15 a R$ 15,50 por ponto de cobrança, desconto de 5% para quem usa tag eletrônica e descontos adicionais para usuários frequentes. Os valores finais dependem da autorização e das regras que ainda serão divulgadas.
O que muda para quem empreende no Leste de MS
Para transportadoras, produtores rurais e indústrias que usam a BR-262 e a BR-267, a conta tem dois lados. De um lado, socorro mais rápido, pista recuperada e menos tempo parado devem reduzir perdas com acidentes, quebras e atrasos. De outro, o pedágio passa a fazer parte do custo do frete a partir de 2027, o que exige revisão de planilhas e contratos de transporte.
Vale planejar desde já: verificar quais pontos de cobrança estarão no trajeto mais usado pela empresa, avaliar a adesão a uma tag eletrônica para ter o desconto e acompanhar a divulgação das tarifas pela agência reguladora. Pequenos negócios à beira das rodovias, como postos, oficinas, restaurantes e borracharias, também devem sentir o efeito das obras e do aumento do tráfego nas cidades atendidas.
Riedel ligou a concessão a uma estratégia mais ampla. “Ninguém investe onde não tem segurança jurídica”, disse ao Campo Grande News, citando também ferrovias, hidrovias e outros corredores de transporte. A logística é uma das apostas do governo para atrair indústrias depois do fim dos incentivos de ICMS, como o empreendams.com mostrou na reportagem sobre a subvenção econômica estudada pelo Estado. No Sudoeste, o desafio é outro: o acesso brasileiro à ponte da Rota Bioceânica em Porto Murtinho ainda depende de verba federal.
Contrato de 30 anos e leilão com desconto de 9%
O leilão da Rota da Celulose foi realizado em 8 de maio de 2025, na B3, em São Paulo, e terminou com desconto de 9% na tarifa de pedágio, segundo a Agência Brasil. O contrato tem prazo de 30 anos e prevê recuperar, manter, operar e ampliar 870,3 quilômetros de rodovias. A concessão começou a valer em 2 de fevereiro de 2026, quando a concessionária assumiu a gestão dos trechos.
“O desenvolvimento dessa região do Mato Grosso do Sul está intrínseco ao desenvolvimento da nossa concessão”, afirmou De Donno. Os próximos marcos são a ativação das torres de 4G e o pedido de autorização do pedágio, ambos no começo de 2027, além da entrega das bases definitivas e do início da duplicação da BR-262 no ano que vem.
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Fontes: Campo Grande News (Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras, 26/10/2026; Rota da Celulose começa a operar, mas pedágio só será cobrado daqui a 12 meses, 02/02/2026; Rota da Celulose prevê instalação de 82 torres de 4G, 20/10/2026); Midiamax (Obras de recuperação da Rota da Celulose iniciam em cinco rodovias de MS, 10/08/2026); Agência Brasil (Consórcio vence leilão da Rota da Celulose, 08/05/2025).
