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Empreenda MS > Desenvolvimento > Rodada de negócios em Bonito projeta R$ 296 mil e alinha o turismo do Oeste de MS à Rota Bioceânica
Desenvolvimento

Rodada de negócios em Bonito projeta R$ 296 mil e alinha o turismo do Oeste de MS à Rota Bioceânica

Empreenda MS Publicado em 21/09/2026 2 visualizações
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12 minutos de leitura
Pessoas reunidas em torno de uma longa mesa de madeira durante encontro de negócios
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Circuito Turismo na Rota Bioceânica, promovido pelo Sebrae/MS, reuniu cerca de 40 fornecedores, 16 operadores de destinos e gestores públicos de seis municípios para preparar a região Oeste ao aumento de fluxo esperado com a ponte de Porto Murtinho

Uma rodada de negócios realizada na quarta-feira (16) em Bonito projetou mais de R$ 296 mil em expectativas de novas parcerias comerciais entre pequenos fornecedores e empresas de hotelaria e gastronomia da região Oeste de Mato Grosso do Sul. O encontro foi o núcleo do Circuito Turismo na Rota Bioceânica, evento promovido pelo Sebrae/MS no Wetiga Hotel, que reuniu empresários do trade turístico e gestores públicos de diferentes municípios sul-mato-grossenses.

Além da rodada, a programação incluiu o Road Show Circuito Oeste e o Encontro de Gestores de Turismo. Para viabilizar a presença de empreendedores de fora de Bonito, o Sebrae/MS organizou caravanas que levaram mais de 100 participantes ao município. A informação foi divulgada pela Agência Sebrae de Notícias de Mato Grosso do Sul.

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O desenho do evento tem um pano de fundo explícito no próprio nome: a Rota Bioceânica, corredor que ligará Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico pelo Paraguai, pela Argentina e pelo Chile, e cuja obra mais visível — a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta — está em fase final de execução. A aposta é que o aumento do fluxo de pessoas e cargas pelo Oeste do Estado abra uma janela comercial para destinos que hoje vivem à sombra de Bonito.

Conectar fornecedor pequeno a comprador grande

Na rodada de negócios, cerca de 40 empreendedores apresentaram seus produtos a dez empresas de gastronomia e hotelaria da região. A lógica é a de encurtar a cadeia: em vez de comprar insumos e itens de consumo de distribuidores de fora do Estado, hotéis e restaurantes conhecem fornecedores locais de artesanato, economia criativa e agroindústria.

Segundo o gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS, Matheus Oliveira, o cronograma foi construído para integrar o trade e potencializar oportunidades que já existem no território. “Buscamos promover uma integração regional da cadeia do turismo. Na rodada, aproximamos compradores, como empresas da hotelaria e gastronomia de Bonito, de pequenos fornecedores de artesanato, economia criativa e agroindústrias”, afirmou.

“No Road Show, os produtos turísticos da região puderam ser apresentados às agências de Bonito, que são um importante canal de venda e comercialização. Essa integração fortalece os negócios e amplia as possibilidades para todo o território”, completou o gerente.

Entre os participantes estava a empresária Ana Lúcia Kronbauer, da Shefa Gelateria, de Guia Lopes da Laguna, para quem o encontro serviu principalmente para dar visibilidade a um negócio ainda novo no mercado. “A rodada foi de extrema importância para a nossa empresa porque conseguimos apresentar o produto que desenvolvemos para muitas pessoas. Os resultados foram muito positivos e acredito que daqui poderão surgir grandes negócios”, afirmou.

Já Ednilson Mendes, da Yguaretê Faixa Pantaneira, de Aquidauana, destacou o ganho de repertório. “A rodada permite fazer contatos para melhorar o nosso produto e, ao mesmo tempo, expandir vendas e abrir novas possibilidades de comercialização. Quando essas oportunidades vêm acompanhadas de capacitação, conseguimos estar mais preparados para aproveitá-las”, avaliou.

Da região para a prateleira das agências

Paralelamente à rodada, o Road Show Circuito Oeste transformou o auditório em vitrine de destinos e produtos turísticos. Ao todo, 16 empresários apresentaram suas experiências diretamente às agências de Bonito, na expectativa de integrarem novos roteiros e ampliarem as opções oferecidas aos visitantes que já chegam ao município.

O formato tem uma vantagem prática: Bonito concentra um volume de turistas e uma estrutura de comercialização que municípios vizinhos não têm. Entrar no portfólio de uma agência bonitense é, para um operador de Bela Vista ou Bodoquena, acesso direto a um público já qualificado e disposto a pagar por experiência.

O efeito apareceu ainda durante o encontro. Noni Cáceres, de Bela Vista, que apresentou a FisgaFish, relatou ter encaminhado uma negociação com uma agência logo após a apresentação. “É muito importante unir quem desenvolve o produto turístico com as agências que podem comercializá-lo. Acabamos de fazer um negócio com uma agência, e isso mostra como o evento pode ampliar o alcance dos produtos de Bela Vista e das outras cidades participantes”, contou.

Do outro lado do balcão, a leitura é de diversificação de portfólio. Para Mara Assunção, da Agência Ygarapé, acompanhar o desenvolvimento dos produtos regionais permite ampliar o leque apresentado ao turista. “Não trabalhamos somente Bonito, nosso olhar também está voltado para Mato Grosso do Sul como um todo. Estar presente e acompanhar o crescimento dos produtos do Estado é importante porque nos permite conhecer novas experiências e colocar mais opções na nossa prateleira para o mercado”, explicou.

Seis municípios na mesma mesa

O Encontro de Gestores de Turismo reuniu representantes do poder público de Anastácio, Aquidauana, Bodoquena, Porto Murtinho, Corumbá e Ladário. A proposta era dupla: apresentar destinos e potencialidades de cada município e, ao mesmo tempo, conhecer atrativos e empreendimentos dos vizinhos para identificar complementaridades.

É um ponto sensível na política de turismo regional. Municípios que competem pelo mesmo turista tendem a duplicar esforços de promoção e a disputar a mesma janela de calendário. Quando conseguem se enxergar como etapas de um mesmo roteiro, o efeito é somativo — o visitante permanece mais dias no território e distribui gasto por mais cidades.

Para o diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal da Prefeitura de Corumbá, José de Carvalho Júnior, reunir diferentes atores da cadeia em um mesmo espaço ajuda a transformar conhecimento em cooperação concreta. “É uma oportunidade importante tanto para os gestores públicos quanto para os operadores e para todo o trade turístico. Quando você apresenta o seu destino e, ao mesmo tempo, conhece outros equipamentos, atrativos e cidades, as conexões de fato acontecem e novas possibilidades começam a surgir”, ressaltou.

Por que a Rota Bioceânica entra na conta

A escolha dos seis municípios não é casual. Porto Murtinho é a cabeceira brasileira da ponte internacional; Corumbá e Ladário formam o principal polo urbano do Pantanal sul-mato-grossense e ponto de fronteira com a Bolívia; Aquidauana, Anastácio e Bodoquena estão no eixo rodoviário que liga a Capital à região da Serra da Bodoquena. Juntos, desenham o caminho que o turista tende a percorrer quando o corredor bioceânico estiver em operação.

A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta tem 1.294 metros de extensão e cerca de 20 metros de largura, e teve a união física dos seus trechos concluída em julho, segundo informações divulgadas pelo governo paraguaio e pela Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). A previsão oficial aponta a entrega para o segundo semestre de 2026, com a obra em fase de acabamento.

Já os acessos definitivos do lado brasileiro seguem em outro ritmo. A adequação da BR-267 pelo DNIT, com trecho de rampa, contorno rodoviário e centro de fronteira, está prevista para cronograma posterior à entrega da ponte. Para o turismo, isso significa que a janela de oportunidade se abre de forma gradual, o que dá tempo — e cobra pressa — de estruturação dos destinos.

O gargalo é a estruturação do produto

O ponto que atravessa todas as falas do encontro é o mesmo que o Sebrae/MS vem tratando nas ações de turismo no Estado: não basta haver atrativo natural, é preciso haver produto turístico. Um rio limpo, uma fazenda histórica ou uma experiência de pesca só entram no roteiro de uma agência quando têm preço definido, capacidade operacional declarada, seguro, protocolo de atendimento e material de venda.

É essa transformação — de atrativo em produto comercializável — que explica por que uma rodada de negócios com cerca de 40 fornecedores gera uma projeção de R$ 296 mil. O valor, isoladamente, é modesto para o padrão da economia estadual. Mas ele representa contratos de fornecimento recorrente para microempresas e empreendedores individuais, para quem uma única conta nova pode significar a viabilidade do negócio.

A participação de agroindústrias e da economia criativa no mesmo espaço dos operadores turísticos também aponta para uma tendência consolidada no setor: o turista de natureza valoriza consumo local, gastronomia regional e artesanato com origem identificada. Cada item comprado dentro de um hotel de Bonito com fornecedor de Guia Lopes da Laguna ou Aquidauana é renda que permanece na região.

Próximos passos

O Sebrae/MS informou que mais detalhes sobre as ações de fomento ao turismo podem ser obtidos pela Central de Atendimento, no 0800 570 0800, ou pelo site da instituição. A expectativa do trade é que as conexões construídas no Circuito se convertam em contratos efetivos nos próximos meses — o indicador real do evento não é a projeção anunciada, mas o percentual dessa expectativa que vira nota fiscal.

O calendário de preparação para a Rota Bioceânica também segue em outras frentes no Estado, com iniciativas de qualificação em comércio exterior e logística voltadas ao setor empresarial. Para o turismo do Oeste de Mato Grosso do Sul, o desafio dos próximos meses é chegar à inauguração da ponte com roteiros formatados, preços definidos e canais de venda abertos — antes que o fluxo comece a passar.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias Mato Grosso do Sul — Em Bonito, Sebrae/MS gera negócios ao conectar empresas do trade turístico da região Oeste de MS (17/09/2026). Dados sobre a ponte internacional: Semadesc.

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