A cena não poderia ser mais simbólica: pesquisadores, produtores rurais, estudantes, empreendedores e autoridades reunidos aos pés do Morro do Paxixi, no campus da UEMS em Aquidauana, para celebrar e construir o futuro do Pantanal. Assim começa a segunda edição do Pantanal Tech MS — evento que já desponta como referência nacional ao unir agronegócio sustentável, tecnologia de ponta e economia criativa.
De 26 a 29 de junho, Aquidauana se transforma em vitrine da inovação no setor produtivo pantaneiro, mostrando que o bioma, reconhecido mundialmente por sua biodiversidade, também lidera o uso inteligente de tecnologia, novos modelos de negócios e a valorização do conhecimento científico.
Um hub de inovação e integração
Logo na abertura, a presença do governador Eduardo Riedel e de diversas autoridades evidenciou a importância estratégica do Pantanal Tech para o Mato Grosso do Sul. Em seu discurso, Riedel destacou o papel central da ciência, da pesquisa e da transferência de tecnologia para a competitividade do agronegócio regional.
O Pantanal Tech é mais que uma feira. É um ambiente vivo, onde empresas, instituições, alunos e a sociedade se encontram para trocar experiências, gerar negócios e demonstrar nossa capacidade de produzir com responsabilidade ambiental, afirmou o governador.
Ele também celebrou conquistas recentes do Estado, como a certificação de zona livre de febre aftosa sem vacinação — um marco que amplia o acesso a mercados internacionais.

Durante sua visita, Riedel percorreu as vitrines tecnológicas, com destaque para o trabalho do GEPI (Grupo de Estudo e Pesquisa em Irrigação). “Fiquei impressionado com as soluções para uso eficiente da água e aumento da produtividade, sem abrir mão da conservação do solo. Este é o caminho para rentabilidade e sustentabilidade, especialmente diante dos desafios climáticos”, completou.
Inovação aplicada: do laboratório ao campo
Mais do que uma vitrine, o Pantanal Tech é uma ponte entre pesquisa acadêmica e a realidade do campo. Um dos exemplos é o uso, em campo experimental da UEMS, de produtos desenvolvidos por startups e grupos de pesquisa premiados em edições anteriores. O objetivo é claro: fazer com que soluções inovadoras cheguem ao produtor rural, promovendo ganhos reais em produtividade e redução de impactos ambientais.
Para o reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, o evento traduz o espírito do Pantanal:
Aqui reunimos quem faz a diferença na produção sustentável do bioma, de agricultores familiares a pesquisadores de ponta. Nossa missão é clara: mostrar que é possível prosperar preservando.
A programação inclui palestras, rodadas de negócios, painéis temáticos e exposições de projetos — da agricultura familiar à alta tecnologia aplicada à pecuária e ao manejo integrado de recursos naturais.
Temas em debate: do carbono ao manejo de áreas úmidas
As vitrines tecnológicas do Pantanal Tech MS 2025 convidam o público a conhecer soluções reais para os desafios do setor. Entre os destaques:
- Marco Legal do Carbono
- Pecuária Pantaneira de Baixo Impacto
- Meliponário UEMS (produção de mel de abelhas nativas)
- Experiências em controle biológico, biotecnologia de forrageiras, ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta), entre outros
Especialistas de diferentes áreas conduzem os debates, abordando temas como:
- Empreendedorismo, inovação e sustentabilidade: modelos de negócio que aliam lucro à preservação.
- Tecnologia para produção sustentável: drones, sensores, softwares de gestão e ferramentas digitais.
- Mercado de carbono e serviços ambientais: como monetizar boas práticas ambientais.
- Genética e reprodução animal: avanços que reduzem impactos e aumentam a rentabilidade.
- Políticas públicas: incentivo à economia verde e à transição sustentável no estado.
Fomento à pesquisa e novos investimentos
Durante a abertura, um dos anúncios mais esperados: o investimento de quase R$ 40 milhões em três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) sediados em instituições sul-mato-grossenses. A parceria entre Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia) e CNPq fortalece a base científica regional.
“O apoio à pesquisa é estratégico. Não se faz inovação sem ciência forte e sem atrair talentos para nosso Estado”, afirmou o presidente da Fundect.
O Desafio de Inovação: criatividade como motor do futuro
Inovação é uma palavra-chave no Pantanal Tech. Nesta edição, foi lançado oficialmente o 2º Desafio de Inovação Pantanal Tech MS, uma iniciativa da Semadesc, Sebrae e Fundect. O objetivo é estimular soluções criativas nas áreas de biodiversidade, bioeconomia, agro e turismo sustentável.
O desafio tem atraído estudantes universitários, empreendedores e produtores rurais dispostos a transformar ideias em negócios escaláveis — com potencial até para o mercado internacional.
Economia criativa e integração social
O Pantanal Tech vai além da tecnologia. O evento valoriza a cultura local, promove inclusão e oferece experiências únicas. A abertura contou com apresentações emocionantes da Banda de Fuzileiros Navais e do Projeto Social de Porto Murtinho, com crianças tocando harpa — um exemplo vivo de diversidade e integração.
Personalidades ligadas à ciência e ao Pantanal foram homenageadas, reforçando o papel de quem contribui para o desenvolvimento sustentável da região.
Um laboratório vivo de tendências
Até domingo, o campus da UEMS se transforma em um laboratório vivo de tendências em agro, tecnologia e sustentabilidade. A programação inclui feiras, oficinas, painéis, experimentos, exposições e shows. É um espaço propício para networking, geração de negócios e imersão em desafios reais.
A expectativa é reunir mais de 20 mil participantes, entre produtores rurais, pesquisadores, estudantes, empresários e a comunidade. A presença massiva confirma o interesse crescente por soluções que equilibrem produtividade e conservação ambiental.
O Pantanal no centro das atenções
Mais que um evento, o Pantanal Tech MS 2025 é um convite à reflexão sobre o papel do Pantanal no futuro do Brasil e do planeta. Ao reunir ciência, tecnologia, cultura e empreendedorismo em um só espaço, a iniciativa mostra que é possível — e necessário — unir produção e conservação.
Num contexto de crescente pressão sobre os biomas brasileiros, eventos como o Pantanal Tech são fundamentais para mostrar que inovar para preservar e empreender para transformar não é apenas possível — é o caminho.
E, pelo que se vê em Aquidauana, o futuro do Pantanal passa por aqui — e está em boas mãos.
