Capital sul-mato-grossense sobe 13 posições e chega ao 58º lugar entre 423 cidades no Ranking de Competitividade dos Municípios, a melhor marca da série histórica; destaque em gestão pública e inovação contrasta com a 188ª posição em educação, e Três Lagoas, Dourados e Corumbá também avançam
Campo Grande alcançou a melhor colocação de sua história no Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) em parceria com a Tendências Consultoria, mas ainda ficou fora do grupo das 50 cidades mais bem avaliadas do país. A Capital saltou da 71ª para a 58ª posição entre os 423 municípios analisados, e a Prefeitura apresentou um balanço de números que, segundo a administração, ajudam a explicar o avanço – entre eles, mais de 18 mil empresas abertas e ainda ativas entre janeiro de 2025 e setembro de 2026. O resultado, divulgado no fim de agosto e retomado agora com os dados da administração municipal, mostra uma cidade que se destaca em gestão pública, capital humano e inovação, mas que ainda patina em indicadores como educação.
Além da Capital, outros municípios de Mato Grosso do Sul também subiram na classificação. Três Lagoas, polo da indústria de celulose, ganhou 67 posições e se consolidou como a segunda cidade mais competitiva do Estado; Dourados e Corumbá também avançaram. O retrato, no entanto, é desigual entre os pilares avaliados e entre as próprias cidades, o que oferece um mapa útil para gestores públicos, investidores e empreendedores que acompanham o desenvolvimento regional.
Como funciona o ranking
O Ranking de Competitividade dos Municípios chegou à sua sétima edição avaliando as 423 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes, que juntas concentram 60,5% da população do país. A metodologia reúne 65 indicadores distribuídos em 13 pilares e três grandes dimensões – Instituições, Sociedade e Economia. Entre os pilares estão Sustentabilidade Fiscal, Funcionamento da Máquina Pública, Acesso à Saúde, Qualidade da Saúde, Acesso à Educação, Qualidade da Educação, Segurança, Saneamento, Meio Ambiente, Inserção Econômica, Inovação e Dinamismo Econômico, Capital Humano e Telecomunicações.
Por reunir dados econômicos, sociais e de gestão, o levantamento não mede apenas obras ou ações de uma administração específica. Ele busca captar a capacidade de cada cidade de oferecer um ambiente favorável para viver, trabalhar e investir – razão pela qual costuma ser acompanhado de perto por gestores e pelo setor privado na hora de comparar destinos para novos empreendimentos.
“A competitividade municipal não é resultado do acaso. Ela é construída quando boas políticas públicas se transformam em melhores serviços, mais oportunidades e maior qualidade de vida para a população”, afirmou Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP, na divulgação dos resultados. Segundo ele, mais do que apontar quem lidera, o estudo identifica experiências que podem inspirar gestores de todo o país a tomar decisões cada vez mais baseadas em evidências.
Onde Campo Grande se destaca
O desempenho da Capital é marcado por contrastes. Em Funcionamento da Máquina Pública, Campo Grande ocupa a 11ª posição nacional, um dos seus melhores resultados. Em Capital Humano, aparece em 20º lugar; em Qualidade da Saúde, em 27º; e em Inovação e Dinamismo Econômico, na 30ª colocação – um indicador especialmente relevante para o ecossistema de startups, empresas de base tecnológica e ambientes de inovação da cidade.
A posição em Inovação e Dinamismo Econômico ajuda a contextualizar o movimento recente da Capital nessa área, que inclui a consolidação de espaços como o Parque Tecnológico de Campo Grande e a realização de eventos voltados a profissionais de tecnologia e empreendedores. No campo da atração de investimentos, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon) analisou em 2026 projetos privados que somam cerca de R$ 460,5 milhões, com previsão inicial de 265 empregos diretos, entre eles uma indústria voltada à produção de hidrogênio verde e e-metanol, um grande grupo de panificação e um centro de distribuição de medicamentos, segundo dados divulgados pela Prefeitura em agosto.
A administração municipal atribui parte do avanço no ranking à desburocratização para abertura de empresas e aos investimentos em qualificação profissional. Além das mais de 18 mil empresas abertas e ativas no período, a Prefeitura cita mais de 4,9 mil oportunidades de emprego divulgadas pela Fundação Social do Trabalho (Funsat) entre janeiro e setembro deste ano e investimentos de R$ 240 milhões em pavimentação e drenagem, além de obras de reordenamento viário, unidades de saúde, escolas e moradias.
O desafio da educação
Se em gestão e inovação a Capital aparece entre as primeiras do país, na educação o quadro é outro. Campo Grande é a cidade de Mato Grosso do Sul mais bem colocada nesse indicador, mas ocupa apenas a 188ª posição entre os 423 municípios avaliados. No Centro-Oeste, aparece em quarto lugar.
O dado conversa com outros levantamentos recentes sobre o ensino no Estado, que apontam baixo domínio de Matemática entre estudantes das redes públicas e desafios na oferta de educação infantil e em tempo integral. Para a economia local, a questão vai além da área social: a qualidade da educação básica influencia diretamente a formação de mão de obra qualificada, um dos gargalos citados com frequência por empresas de tecnologia, indústrias e prestadores de serviços que buscam se instalar ou crescer na Capital.
Três Lagoas é a segunda mais competitiva de MS
Entre os demais municípios sul-mato-grossenses avaliados, o destaque ficou com Três Lagoas, que passou da 210ª posição, em 2025, para a 143ª, em 2026 – um avanço de 67 colocações que garantiu à cidade o posto de segunda mais competitiva do Estado, atrás apenas de Campo Grande. Os números foram detalhados pela Prefeitura de Três Lagoas após a apresentação do ranking em São Paulo, no fim de agosto.
O maior salto do município ocorreu em Qualidade da Saúde, pilar em que saiu da 382ª para a 241ª posição, subindo 141 colocações em um ano. Em Acesso à Saúde, Três Lagoas aparece na 29ª colocação nacional e lidera tanto em Mato Grosso do Sul quanto no Centro-Oeste. Em Funcionamento da Máquina Pública, o município passou da 244ª para a 116ª posição, um avanço de 128 colocações e sua melhor marca histórica nesse pilar. O Saneamento também evoluiu, da 84ª para a 77ª posição nacional.
“Três Lagoas já é reconhecida nacionalmente pela força da sua economia e da sua indústria. Nosso compromisso é fazer com que seja reconhecida também pela seriedade e eficiência da gestão pública”, afirmou o prefeito Cassiano Maia, que participou de um dos painéis de prefeitos promovidos pelo CLP durante o evento de lançamento. A administração municipal também destaca a Nota A, classificação máxima, obtida no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal do Siconfi, da Secretaria do Tesouro Nacional, com 95,7% de aproveitamento.
O desempenho de Três Lagoas tem um componente estratégico para o desenvolvimento regional. A cidade concentra parte relevante dos investimentos industriais do Estado, especialmente na cadeia da celulose, e a capacidade da administração pública de acompanhar essa expansão econômica – com serviços de saúde, saneamento e gestão eficiente – é vista como condição para sustentar o crescimento no longo prazo.
Dourados, Corumbá e Ponta Porã
Dourados, segunda maior cidade do Estado, ficou na 164ª posição nacional, depois de ganhar 43 colocações, e figura entre os 30 melhores municípios do país em Acesso à Educação, na 27ª posição. Corumbá aparece em 258º lugar, com avanço de 63 posições e um dos maiores crescimentos do país no pilar Meio Ambiente. Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, ficou na 312ª colocação.
No ranking dos estados, também elaborado pelo CLP, Mato Grosso do Sul caiu uma posição em relação ao ano anterior, passando do 9º para o 10º lugar, embora permaneça entre os mais competitivos do Centro-Oeste. O contraste entre o recuo estadual e o avanço dos principais municípios mostra que a agenda de competitividade passa tanto pelas prefeituras quanto pelo governo do Estado.
O que o resultado indica
Para empreendedores e investidores, o ranking oferece pistas sobre onde estão as vantagens e os gargalos de cada cidade. Campo Grande combina boa avaliação em gestão pública, capital humano e dinamismo econômico – fatores que pesam na decisão de empresas que buscam previsibilidade e ambiente de negócios –, mas ainda precisa avançar em educação para garantir a formação de talentos no médio prazo. Três Lagoas mostra que a força industrial pode vir acompanhada de melhora na gestão, enquanto Dourados e Corumbá sinalizam evolução consistente em áreas específicas.
A próxima edição do levantamento dirá se o salto da Capital é sustentável. Para entrar no grupo das 50 cidades mais competitivas do país, Campo Grande terá de transformar os bons resultados em gestão e inovação em avanços também nos indicadores sociais, especialmente na qualidade do ensino – um desafio que envolve políticas de longo prazo e cujo resultado tende a definir o ritmo do desenvolvimento econômico da cidade nos próximos anos.
Fontes
Correio do Estado – Campo Grande sobe 13 posições em competitividade, mas ainda fica fora do top 50 (02/10/2026) e Campo Grande alcança melhor posição da história no ranking de competitividade (26/08/2026); Prefeitura de Três Lagoas – Três Lagoas avança 67 posições e é a 2ª cidade mais competitiva de Mato Grosso do Sul (28/08/2026); A Crítica de Campo Grande – Campo Grande soma R$ 460,5 milhões em novos investimentos privados em 2026 (10/08/2026).
