Em um cenário econômico volátil, o alinhamento entre políticas públicas e iniciativa privada torna-se o maior diferencial competitivo de Mato Grosso do Sul, impulsionando a inovação sustentável e a abertura de mercados globais.
No mundo do empreendedorismo, costuma-se dizer que ninguém cresce sozinho. Essa máxima nunca foi tão verdadeira quanto no atual cenário do agronegócio sul-mato-grossense. Durante o MS Agro 2024, evento que reuniu as principais lideranças do setor, ficou evidente que o sucesso do estado — agora o 3º maior exportador de soja do Brasil — não é fruto do acaso, mas de uma estratégia deliberada de cooperação.
A união entre o Governo do Estado e o setor produtivo, representado pelo Sistema Famasul, está criando um ecossistema de negócios resiliente, capaz de enfrentar crises climáticas e, simultaneamente, inovar em sustentabilidade.
O “Carbono Neutro” como Ativo de Mercado
Para o empreendedor moderno, a sustentabilidade deixou de ser apenas um cumprimento de normas para se tornar uma ferramenta de acesso a mercados premium.
O governador Eduardo Riedel destacou que o diferencial competitivo de MS reside na meta de tornar-se um Estado Carbono Neutro. Essa política pública não apenas preserva o meio ambiente, mas agrega valor real ao produto exportado.
“Quem dita as regras hoje é o mercado internacional. Ao alinhar a produção com práticas de baixo carbono e preservação, o agronegócio de MS não está apenas ‘cumprindo tabela’, mas posicionando seu produto como uma referência de qualidade e responsabilidade global.”
Essa visão estratégica atrai investidores e abre portas em países com legislações ambientais rigorosas, garantindo a longevidade dos negócios locais.
Resiliência baseada em Dados e Tecnologia
O empreendedorismo exige adaptação rápida. O relatório apresentado pelo Siga-MS (Sistema de Informação do Agronegócio) durante o evento demonstrou a capacidade de resiliência do setor frente às adversidades:
- Desafios Climáticos: O fenômeno El Niño e a estiagem impactaram as lavouras, resultando em uma estimativa de 13,9 milhões de toneladas de soja para a safra 2023/2024 (uma retração de 6,5% em relação ao ciclo anterior).
- Produtividade: A média estimada é de 50,5 sacas por hectare para a soja.
- Milho 2ª Safra: A projeção aponta para 11,4 milhões de toneladas, com produtividade de 86,8 sacas por hectare.
Mesmo com a quebra causada pelo clima, o volume total de grãos (soja e milho) deve atingir expressivas 25,4 milhões de toneladas. Isso demonstra que, apesar dos fatores externos incontroláveis, o investimento em tecnologia de sementes, manejo de solo e gestão agrícola mantém o estado em patamares elevados de produtividade.
Infraestrutura: O Alicerce da Competitividade
Nenhum negócio escala sem logística eficiente. A matéria destaca que a “lição de casa” do setor público tem sido fundamental para reduzir o Custo Brasil para os produtores de MS.
O foco em:
- Segurança Jurídica: Criar um ambiente estável para contratos e investimentos.
- Infraestrutura Logística: Melhoria das rotas de escoamento e acesso aos portos.
Esses pilares permitem que o produtor foque no que faz de melhor — produzir — enquanto o ambiente de negócios favorece a exportação. Marcelo Bertoni, presidente do Sistema Famasul, reforçou que o diálogo aberto com o governo é o que permite agilidade na resolução de gargalos que, em outros estados, poderiam travar o crescimento.
Conclusão: A Lição para Outros Setores
O modelo adotado pelo agronegócio em Mato Grosso do Sul serve de case para outros setores da economia. A fórmula de sucesso apresentada no MS Agro 2024 combina três ingredientes essenciais para qualquer empreendimento inovador:
- Visão de Longo Prazo: Apostar na sustentabilidade (Carbono Neutro) antes que seja uma obrigação inegociável.
- Resiliência: Usar dados para gerenciar riscos (monitoramento de safra).
- Parcerias Estratégicas: Entender que o setor público pode ser um facilitador de infraestrutura e mercado.
Para o empreendedor de MS, a mensagem é clara: o futuro é verde, tecnológico e, acima de tudo, colaborativo.
