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Empreenda MS > Empreendedorismo > O Mercado de Soluções: MS consolida o Programa Estadual CTI “MS Inova Mais” e estrutura a matriz de inovação aberta no Centro-Oeste
Empreendedorismo

O Mercado de Soluções: MS consolida o Programa Estadual CTI “MS Inova Mais” e estrutura a matriz de inovação aberta no Centro-Oeste

Empreenda MS Publicado em 31/03/2026 619 visualizações
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11 minutos de leitura
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Ao transformar a gestão de ciência e tecnologia em uma plataforma de conexão entre quem possui um gargalo operacional e quem domina a pesquisa aplicada, o Governo de Mato Grosso do Sul cria um ambiente de negócios focado na bioeconomia, no agronegócio e na modernização da máquina pública.

O abismo existente entre a produção acadêmica de alta complexidade e a aplicação prática desse conhecimento no chão de fábrica sempre foi um dos maiores gargalos estruturais da economia brasileira. Todos os anos, laboratórios formam doutores e registram teses que, por falta de direcionamento comercial ou de capital semente, nunca chegam a resolver os problemas diários da sociedade. Em Mato Grosso do Sul, a estratégia para corrigir essa falha de mercado atende pelo nome de Programa Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação – MS Inova Mais.

Muito além de um simples edital de fomento, o “MS Inova Mais” foi estruturado como uma Plataforma de Gestão em Inovação e Competitividade do Estado de Mato Grosso do Sul. O formato escolhido pela administração estadual reflete uma leitura moderna da economia digital: o Estado deixa de ser apenas o financiador passivo de bolsas de estudo e passa a atuar como o integrador ativo do ecossistema, criando um verdadeiro balcão de negócios para a inovação.

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A governança do programa é sustentada por uma arquitetura institucional robusta. A execução e a validação do modelo ocorrem por meio da união de forças entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), o Sebrae/MS e o Instituto de Apoio a Universidade de Pernambuco (IAUPE). Esta cooperação interinstitucional garante que as propostas recebam suporte técnico, acesso a mercado e validação metodológica de alto nível.

A Mecânica da Inovação Aberta: O Fim do Achismo

O grande diferencial operacional da plataforma MS Inova Mais reside na sua metodologia de “Inovação Aberta” (Open Innovation). No modelo corporativo fechado, uma empresa precisa manter um laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) interno e caríssimo para tentar prever e solucionar os seus problemas. No formato desenhado pelo Governo do Estado, a lógica é invertida e barateada, operando em quatro passos estruturais claros.

A dinâmica começa com a figura dos “Desafiadores”. Empresas privadas, indústrias, corporações do agronegócio ou mesmo departamentos da própria administração pública acessam a plataforma para cadastrar e publicar um problema real (um desafio) que precisa de uma solução inovadora. É o fim da pesquisa baseada no “achismo”; o mercado dita exatamente onde o calo aperta.

Do outro lado do balcão digital entram os “Solucionadores”. Pesquisadores, estudantes, fundadores de startups e programadores analisam esses gargalos públicos e propõem ideias criativas e, acima de tudo, financeiramente viáveis.

Após a submissão, a plataforma garante uma avaliação técnica rigorosa, conduzida por especialistas do programa e pelos próprios demandantes. As propostas que sobrevivem a esse filtro analítico avançam para a etapa de implementação, onde a tecnologia ou a tese acadêmica se materializa em um produto ou serviço chancelado com o apoio de todo o ecossistema local. Para as novas empresas de base tecnológica, isso significa nascer já com um cliente garantido (o Desafiador) e com a solução validada pelo mercado.

A Aplicação Prática: O 3º Desafio Pantanal Tech MS

Para ilustrar o peso financeiro e científico da plataforma, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém abertas janelas de concorrência massivas. O exemplo mais contemporâneo dessa execução é o 3º Desafio Pantanal Tech MS.

Conduzido pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, em parceria intrínseca com a Fundect e o Sebrae/MS, este desafio possui um propósito inegociável: fomentar a pesquisa científica aplicada e transformá-la imediatamente em soluções de mercado voltadas para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso do Sul.

A convocatória deste edital expõe o nível de talento exigido pelo Estado. O público-alvo engloba pesquisadores seniores, estudantes universitários, professores e demais atores formais do ecossistema de inovação. A exigência é que os projetos apresentem um potencial real de escalabilidade, devendo comprovar a capacidade de se tornarem produtos comerciais, serviços ou novos negócios estruturados.

As verticais de investimento não foram escolhidas ao acaso. O Desafio Pantanal Tech MS aloca seus recursos em áreas estratégicas que formam a espinha dorsal do Produto Interno Bruto (PIB) regional e do futuro comércio global: a biodiversidade, a bioeconomia, o agronegócio e o turismo.

Ao exigir soluções em bioeconomia e biodiversidade, o estado sinaliza que a flora e a fauna locais — como os extratos vegetais do Cerrado e do Pantanal — devem ser pesquisadas para a formulação de novos fármacos, cosméticos e produtos industriais de altíssimo valor agregado, mantendo a floresta em pé. No agronegócio, a busca é por tecnologias de precisão, agtechs focadas na redução de defensivos químicos e sistemas de medição de carbono. No turismo, a gestão de parques ecológicos e a hospitalidade sustentável demandam inteligência de dados constante.

Para suportar o peso intelectual dessa transição, o MS Inova Mais não atua apenas como uma vitrine de prêmios simbólicos. As equipes submetidas passam por funis severos de inscrição, avaliação técnica especializada e uma apresentação final presencial (o tradicional formato de pitch utilizado no Vale do Silício e na Faria Lima). Como recompensa pela aprovação, os projetos vencedores recebem injeções de capital por meio de bolsas de desenvolvimento e um acompanhamento corporativo próximo (mentoring) desenhado para acelerar a implementação comercial da solução.

GovTech: A Inovação Dentro da Máquina Pública

Um dos erros mais crassos no planejamento de desenvolvimento regional é focar todo o fomento à tecnologia exclusivamente no setor privado, mantendo a administração pública operando sob processos burocráticos do século passado. A arquitetura do “Programa Estadual CTI MS Inova Mais” corrige esse desvio ao incorporar um eixo maciço de atuação interna focado na qualificação da governança.

A plataforma mantém trilhas de aprendizado e execução voltadas para a “Inovação para o Governo”. Essa frente de atuação é fundamentalmente baseada em um modelo de GovTech (Tecnologia para o Governo), visando capacitar os servidores públicos estaduais para que eles próprios promovam a disrupção metodológica dentro da gestão pública.

Capacitar o servidor público com ferramentas de gestão ágil, ciência de dados e análise de inteligência artificial é uma medida de alto impacto orçamentário. Quando um gestor estadual aprende a identificar um gargalo logístico na distribuição de merenda escolar ou uma falha de eficiência na marcação de exames de saúde, ele se torna o “Desafiador” ideal para a plataforma. Ao invés de o Estado iniciar um processo licitatório engessado para a compra de um software genérico que raramente resolve o problema regional, o servidor pública o “desafio” no MS Inova Mais, atraindo propostas customizadas, inovadoras e frequentemente mais baratas por parte das universidades locais e de programadores independentes.

A Democratização e a Interiorização do Conhecimento

O acesso aos recursos intelectuais e financeiros da plataforma ocorre de maneira desburocratizada e digital. O sistema fornece a ponte essencial entre a falta de orçamento do inventor e a sobra de demandas do mercado.

A plataforma garante não apenas o espaço de exposição, mas o contato direto com oportunidades financeiras reais, como acesso aos recursos geridos pela Fundect (através do Sigfundect) e o amparo mercadológico do Sebrae/MS. Além do dinheiro formal, a vitrine expõe os solucionadores a fundos de Capital de Risco (Venture Capital) privados que monitoram constantemente essas competições estaduais em busca de startups com alto potencial de tração e crescimento nacional.

Para garantir que as soluções criadas em Mato Grosso do Sul não restrinjam a sua área de atuação à capital Campo Grande, a integração com o Sebrae/MS garante uma capilaridade vital. O fomento atinge os polos industriais da região Leste (focados na transição energética e na celulose), a fronteira comercial do Sul e o agronegócio denso da região Norte e do Cone Sul.

Conclusão: O PIB Baseado em Dados

O lançamento de um planejamento com as ambições do “Programa Estadual CTI MS Inova Mais” sinaliza ao mercado que a economia sul-mato-grossense mudou de prateleira. O estado compreendeu que a exportação de grãos e proteína animal sustentou o seu passado, mas a comercialização de conhecimento, patentes e soluções tecnológicas é a garantia matemática do seu futuro socioeconômico.

Ao consolidar um espaço centralizado, transparente e auditável onde a demanda da indústria (Desafiadores) se encontra com a capacidade produtiva da academia e das novas empresas de tecnologia (Solucionadores), o Governo do Estado assume o papel de investidor-anjo e gestor de talentos.

A exigência por soluções em biotecnologia, energias renováveis e inteligência urbana prova que os recursos do fundo estadual de tecnologia não estão sendo alocados em projetos acadêmicos isolados, mas sim em negócios projetados para reduzir custos, maximizar safras e qualificar a vida do cidadão comum.

Quando a máquina pública se alia à ciência com métricas de mercado claras, os doutores deixam de atuar apenas nos laboratórios universitários para assumirem o comando (CEO e CTO) das startups mais promissoras do país. O “MS Inova Mais” atua, assim, como o passaporte de Mato Grosso do Sul para a economia do século XXI, assegurando que o cérebro formado no estado não migre para fora, mas gere riqueza no seu próprio solo.

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