Em meio à rotina acelerada da capital sul-mato-grossense, um espaço histórico e plural ressurge como exemplo de como passado e futuro podem caminhar lado a lado quando o tema é cultura, inovação e inclusão social. A Casa da Cultura de Campo Grande – instalada no emblemático prédio Mello e Cáceres, na Avenida Afonso Pena – acaba de ter sua cessão de uso renovada pela Prefeitura, em parceria com o Exército Brasileiro, consolidando-se mais uma vez como um dos mais relevantes pontos de fomento à criatividade, formação artística e fortalecimento da identidade local.
O anúncio da renovação, realizado em cerimônia oficial no Paço Municipal na última quarta-feira (25), contou com a presença da prefeita Adriane Lopes e do comandante da 9ª Região Militar, General de Brigada Vasques Robinson. Mais que um ato formal, a assinatura do termo representa a continuidade de um projeto de impacto social que ultrapassa as fronteiras tradicionais do setor cultural. É a garantia de que artistas, educadores, estudantes, empreendedores criativos e a comunidade em geral seguirão contando com um espaço vivo, democrático e inovador.
Muito além das paredes históricas: um ecossistema de criatividade
Fundada em setembro de 2024, a Casa da Cultura rapidamente se transformou em símbolo de resistência e reinvenção do fazer cultural campo-grandense. O prédio centenário, que já serviu a diferentes funções militares, foi restaurado e adaptado para ser uma verdadeira “casa aberta” ao novo e ao diverso.
Nos últimos meses, o espaço recebeu dezenas de atividades e encontros: de exposições de artistas contemporâneos e coletivos emergentes a oficinas de técnicas tradicionais e experimentais nas artes visuais, dança e música. E, talvez mais importante, todas essas ações são oferecidas gratuitamente – ampliando o acesso e democratizando oportunidades para diferentes públicos.
Quando renovamos o termo de uso desse patrimônio, estamos também renovando o nosso compromisso com a educação, a cidadania e a economia criativa da cidade”, afirmou a prefeita Adriane Lopes. “A Casa da Cultura não é apenas um prédio bonito e cheio de história. É um organismo vivo, pulsante, que conecta passado, presente e futuro por meio da arte e da inovação social.
Programas e oportunidades: democratização da arte e geração de valor
A programação da Casa reflete sua vocação plural. Desde a inauguração, mais de 30 cursos, oficinas e eventos abertos à comunidade foram realizados, reunindo nomes reconhecidos no cenário regional e talentos em ascensão. Entre as atividades mais procuradas estão as aulas de música (violão, saxofone, acordeon e, mais recentemente, canto), oficinas de pintura e colagem, workshops de danças – do flamenco à dança urbana – e experiências que resgatam e reinventam elementos da cultura local.
O espaço também funciona como vitrine do artesanato sul-mato-grossense, com uma mostra permanente e venda de peças autorais, fortalecendo o ciclo da economia criativa. A biblioteca valoriza escritores e pesquisadoras da região, aproximando leitores das múltiplas narrativas que compõem o mosaico cultural de Mato Grosso do Sul.
Outro destaque são as rodas de conversa, lançamentos de livros, debates temáticos e encontros institucionais. Nessas ocasiões, o público pode dialogar com artistas, produtores culturais e gestores, ampliando seu repertório e, muitas vezes, encontrando inspiração para seus próprios projetos.
Inovação como estratégia de inclusão e impacto social
Mais que garantir acesso à cultura, a Casa da Cultura se apresenta como um verdadeiro laboratório de inovação social. A proposta, segundo a equipe gestora, é romper com a ideia de que o setor cultural está restrito a nichos ou pequenas parcelas da população.
Acreditamos no potencial transformador da cultura, especialmente quando ela dialoga com educação, tecnologia e empreendedorismo. Queremos que a Casa seja um espaço de formação de público, mas também de novos empreendedores criativos, artistas-educadores e agentes de mudança, explica um dos coordenadores do espaço.
Um exemplo prático dessa visão é o programa de visitas mediadas para escolas, universidades e grupos comunitários. Nessas atividades, além do tour pelo prédio e sua história, instrutores trabalham conceitos de arte, cidadania, patrimônio e inovação, incentivando os participantes a desenvolver projetos próprios – desde intervenções artísticas em suas comunidades até startups de impacto cultural.
Patrimônio, memória e futuro compartilhado
Localizada em um dos pontos mais tradicionais da cidade, a Casa da Cultura ocupa uma construção de 1922, declarada patrimônio histórico municipal. O edifício abriga, além da galeria de artes visuais, ambientes multifuncionais como ateliê coletivo, sala de artes cênicas, pátio para apresentações ao ar livre, salas de ensaio para música e teatro, biblioteca e até um pequeno museu dedicado à trajetória do Exército na região.
Essa estrutura diversa permite a realização de eventos para públicos variados – de exposições intimistas a grandes apresentações culturais, passando por feiras de inovação, hackathons criativos e encontros de formação para educadores e gestores. A Casa também é plataforma para o lançamento de políticas públicas e projetos colaborativos, aproximando o poder público da sociedade civil e do ecossistema empreendedor.
Modelo de gestão colaborativa: o valor das parcerias
A manutenção e o sucesso da Casa da Cultura resultam da articulação entre diferentes atores: Prefeitura, Exército Brasileiro, artistas independentes, coletivos culturais, organizações do terceiro setor, além do apoio de empresas e startups ligadas à economia criativa.
Para o General Vasques Robinson, comandante da 9ª Região Militar, o projeto é exemplo de como a colaboração intersetorial pode gerar ganhos reais para a cidade:
É uma parceria que beneficia todos: o Exército, ao ceder um espaço histórico para uso social, cumpre seu papel institucional e se aproxima da população; já o município e a sociedade colhem os frutos desse ambiente de arte, conhecimento e integração.
A experiência da Casa da Cultura pode servir de inspiração para outras cidades que buscam alternativas para valorizar seu patrimônio, impulsionar a economia criativa e promover o desenvolvimento humano por meio da arte.
Cultura como fator de desenvolvimento e inovação urbana
Iniciativas como a da Casa da Cultura de Campo Grande reforçam uma tendência global: cidades que investem em cultura colhem benefícios em diversas frentes – do turismo à educação, passando pelo fortalecimento do senso de pertencimento e pela atração de novos negócios.
O impacto social dessas ações é visível não apenas no público diretamente atendido, mas no entorno do espaço – dinamizando a região central, gerando oportunidades para artistas e empreendedores e promovendo a ocupação saudável de áreas historicamente subutilizadas.
Em tempos em que tecnologia e inovação são palavras de ordem, resgatar e reinventar espaços culturais públicos é uma estratégia essencial para quem acredita em cidades mais criativas, inclusivas e resilientes. A Casa da Cultura se posiciona exatamente nesse ponto de convergência: onde tradição e futuro dialogam, promovendo protagonismo local e desenvolvimento sustentável.
Como participar, visitar ou apoiar
A Casa da Cultura está aberta ao público de segunda a sábado, com horários acessíveis tanto para quem deseja consumir cultura quanto para quem busca oportunidades de formação, troca de experiências ou espaço para desenvolver seu próprio projeto.
- Endereço: Avenida Afonso Pena, 2.270 – Centro
- Funcionamento: Segunda a sexta, das 9h às 18h | Sábados, das 9h às 12h
- Programação: @casadecultura.cg
- Visitas mediadas: Agendamento pelo e-mail casadeculturacg@gmail.com
- Mais informações: Site oficial da Casa da Cultura
Se você é artista, educador, empreendedor criativo ou simplesmente apaixonado por cultura, vale a pena visitar, participar e colaborar. O espaço está sempre aberto para novas ideias, parcerias e ações que ajudem a consolidar a Casa da Cultura como referência nacional em acesso, inclusão e inovação social.
