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Empreenda MS > Empreendedorismo > A Industrialização do Conhecimento: Mato Grosso do Sul lança o ‘MS Inova Mais: Deep Techs’ para converter patentes académicas em empresas de base científica
Empreendedorismo

A Industrialização do Conhecimento: Mato Grosso do Sul lança o ‘MS Inova Mais: Deep Techs’ para converter patentes académicas em empresas de base científica

Empreenda MS Publicado em 29/04/2026 509 visualizações
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11 minutos de leitura
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Com a execução confiada à Emerge e o fomento da Semadesc e do Sebrae-MS, o novo braço do programa estadual foca-se na elite da inovação. O objetivo é ultrapassar o modelo das startups de serviços e financiar o nascimento de “Deep Techs” – negócios alicerçados em ciência pura capazes de redefinir o agronegócio e a bioeconomia global.

O ecossistema de inovação brasileiro atingiu um ponto de inflexão. Após uma década dominada pela proliferação de startups focadas na criação de aplicações de entrega, marketplaces e plataformas de gestão financeira (Fintechs), o mercado de capital de risco e as políticas públicas começam a direcionar o seu orçamento para a raiz dos problemas estruturais: a ciência pura. Em Mato Grosso do Sul, esta transição metodológica e financeira foi oficialmente cimentada com o lançamento do programa MS Inova Mais: Deep Techs.

A iniciativa, apresentada como a nova ponta de lança da governança tecnológica do estado, é o resultado de uma engenharia institucional que une os principais promotores do desenvolvimento regional. O programa foi estruturado através de uma aliança formal entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MS). Para garantir que a execução deste plano não esbarre na tradicional burocracia governamental, a gestão operacional e a tração do programa foram entregues à Emerge, uma organização amplamente reconhecida no mercado por deter expertise na integração entre cientistas de laboratório e a matriz industrial.

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O mandato conferido a esta tríplice aliança (Semadesc, Sebrae-MS e Emerge) obedece a uma meta pragmática e urgente: mobilizar de forma exaustiva todo o ecossistema científico e de inovação que se encontra adormecido ou subaproveitado em Mato Grosso do Sul. O propósito central desta prospecção é rastrear, identificar e lapidar as tecnologias de vanguarda e as pesquisas de mestrado e doutoramento que ostentem um potencial comercial real e tangível para se transformarem em empresas e negócios de base estritamente científica — as corporações que o mercado financeiro classifica atualmente como Deep Techs.

O Que Define uma Deep Tech e a Nova Economia

Para os investidores institucionais e formuladores de políticas públicas, compreender a diferença entre uma startuptradicional e uma Deep Tech é o primeiro passo para justificar a injeção maciça de capital em investigação. Enquanto uma startup convencional costuma utilizar tecnologia de prateleira (já existente) para inovar no modelo de negócios — como a Uber fez com a logística urbana —, uma Deep Tech inova na própria fundação da física, da biologia ou da engenharia dos materiais.

Estas empresas nascem da pesquisa aplicada e prolongada. São organizações que desenvolvem soluções baseadas em inteligência artificial generativa profunda, edição genética (como o método CRISPR), biotecnologia avançada para a formulação de novos fertilizantes, novos materiais que substituem o plástico ou algoritmos complexos de previsão climática.

O lançamento do “MS Inova Mais: Deep Techs” assume a missão de mapear precisamente esse tipo de talento nas universidades e nos polos de pesquisa do estado. A lógica económica subjacente ao programa postula que as Deep Techsdetêm a capacidade de resolver problemas globais gigantescos — como a segurança alimentar e as alterações climáticas — possuindo, em contrapartida, barreiras de entrada (dificuldade de replicação pela concorrência) extremamente altas. Quando um investigador sul-mato-grossense patenteia uma nova enzima capaz de aumentar a absorção de água pela raiz da soja em períodos de seca extrema, ele não está a criar uma simples funcionalidade digital; está a redefinir o limite da produtividade do agronegócio global.

A Estrutura do Edital e o Papel da Organização ‘Emerge’

Transformar um académico brilhante, habituado ao isolamento dos laboratórios universitários, num CEO de uma corporação lucrativa é a tarefa mais árdua da nova economia do conhecimento. É aqui que entra a execução cirúrgica confiada à Emerge.

No mercado brasileiro, a passagem da tese académica para a abertura da empresa é conhecida como o “Vale da Morte”. Muitos cientistas desistem neste ponto devido à ausência absoluta de formação comercial, desconhecimento das leis de propriedade intelectual e falta de acesso a capital semente. O programa encarrega-se de atuar como uma ponte sobre este abismo. Através do regulamento oficial (disponibilizado aos investigadores via plataforma bit.ly/regulamentoMSInovaMais), a equipa executora promoverá a formação corporativa intensiva destes talentos.

A intervenção passará por auxiliar os investigadores na estruturação rigorosa de business plans (planos de negócio), na proteção jurídica das patentes e na formatação de apresentações profissionais (pitches) direcionadas a grandes corporações da indústria agroquímica, farmacêutica e energética. O Governo, aliado ao Sebrae-MS, entende que não basta financiar a aquisição do microscópio; é mandatório financiar e guiar a estratégia de colocação desse produto no mercado mundial.

As Verticais de Investimento: Alinhamento ao DNA do Estado

O programa MS Inova Mais não atua no vazio, operando de forma alinhada com as vocações macroeconómicas que já sustentam o Produto Interno Bruto (PIB) do estado. Os fundos e a atenção institucional serão rigorosamente direcionados para apoiar a investigação naquelas áreas que são categorizadas como vitais e estratégicas para alavancar e acelerar o desenvolvimento intrínseco de Mato Grosso do Sul.

O escopo definido pela gestão da Semadesc engloba setores de altíssima rentabilidade técnica. As soluções procuradas pelos editais deverão ter aplicabilidade prática no agronegócio, na estruturação da promissora bioeconomia, no campo da biotecnologia pura, na formatação de cidades inteligentes (smart cities), nas energias renováveis e de transição, na conservação da biodiversidade transnacional, e fundamentalmente na proteção da saúde animal e da saúde humana. As tecnologias sociais e assistivas também encontram amparo nas diretrizes de financiamento, provando que a pauta social pode e deve ser auxiliada por hardware e software proprietário.

O foco destas verticais é transparente: a premissa visa promover, por intermédio da ciência, uma antecipação cirúrgica dos cenários do futuro. O estado quer encontrar a tecnologia que garantirá a rentabilidade em áreas cruciais e inadiáveis voltadas para a agenda da sustentabilidade, a complexa transição energética, a otimização da produção massiva de alimentos e a garantia férrea da segurança alimentar. Complementarmente, a inovação baseada nestas Deep Techs deve atuar ativamente na mitigação das falhas e na promoção da inclusão social, conduzindo a uma competitividade sistémica do território.

A Transformação da Matriz Produtiva Regional

Na perspetiva económica, a prospeção por empresas de base científica representa a política de industrialização mais agressiva que um estado pode adotar no século XXI. Mato Grosso do Sul lidera hoje os índices nacionais de crescimento económico apoiado num pilar robusto e inegável: a exportação trilionária de proteínas e grãos, assim como a atração de megaprojetos focados na transformação de papel e celulose. Contudo, na cadeia de valor internacional, quem aufere o maior volume de capital não é quem detém a semente e a planta, mas sim quem detém os direitos autorais da patente biológica que faz essa planta crescer com metade do volume de água outrora necessário.

Através do “MS Inova Mais: Deep Techs”, o Estado subverte a lógica da mera exportação de commodities e assume a intenção de começar a exportar patentes e royalties. O programa sinaliza que o Centro-Oeste brasileiro não pretende continuar a consumir tecnologia desenhada nos laboratórios de Israel, da Alemanha ou do Vale do Silício para gerir a sua agricultura tropical. O objetivo é que, ao empoderar o ecossistema local, a tecnologia de precisão seja desenvolvida pelos próprios investigadores do Pantanal e do Cerrado, retendo os lucros colossais provenientes dessas licenças tecnológicas dentro das fronteiras estaduais.

O Apelo à Mobilização e o Capital Paciente

Para as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), Centros de Investigação e universidades estaduais e federais sediadas na região, o programa estabelece um convite imediato à ação. A mobilização dos atores deste ecossistema exige que os coordenadores de pesquisa e os reitores incitem os seus pós-graduados a retirarem os estudos das estantes das bibliotecas e os submetam ao escrutínio dos consultores da iniciativa.

Ao operar sob a tutela do Governo e com o capital institucional do Sebrae-MS, a iniciativa converte-se naquilo que o mercado de risco denomina “Capital Paciente”. Diferente de um fundo de investimento privado que frequentemente exige retornos e lucros no curto espaço de três ou quatro anos — um período demasiado exíguo para a consolidação de descobertas científicas complexas —, o dinheiro e a consultoria advindos de fontes como o “MS Inova Mais” possuem a resiliência temporal exigida para suportar o longo ciclo de testes que compõem o desenvolvimento de uma Deep Tech.

O desafio foi lançado de forma oficial através das plataformas do executivo estadual e das ligações de submissão aos regulamentos. Ao fomentar este grau de disrupção académica, Mato Grosso do Sul sinaliza às grandes multinacionais do setor da saúde e do agronegócio que a sua próxima grande aquisição corporativa (M&A) pode, muito provavelmente, encontrar-se agora mesmo a ser codificada, sob microscópios ou supercomputadores, nalgum laboratório de Campo Grande ou Dourados.

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