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Empreenda MS > Empreendedorismo > O Preço da Inovação: 70% dos fundos de Corporate Venture Capital perdem dinheiro no Brasil, aponta estudo
Empreendedorismo

O Preço da Inovação: 70% dos fundos de Corporate Venture Capital perdem dinheiro no Brasil, aponta estudo

Empreenda MS Publicado em 03/03/2026 352 visualizações
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5 minutos de leitura
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Levantamento da Spectra Investimentos joga luz sobre a realidade do CVC após o “boom” de 2021. Com taxa média de retorno negativa, corporações descobrem que o verdadeiro ganho de investir em startups está na absorção de tecnologia, e não na multiplicação do capital.

A euforia de ter uma startup no portfólio deu lugar à sobriedade das planilhas financeiras. Um levantamento recente divulgado pela Spectra Investimentos revelou um dado que serve como um balde de água fria para o mercado corporativo: mais de 70% dos fundos de Corporate Venture Capital (CVC) no Brasil apresentam retornos financeiros negativos.

O Corporate Venture Capital é a prática em que grandes empresas tradicionais criam fundos próprios para investir em startups emergentes. O modelo viveu seu auge entre 2021 e 2022, quando quase metade dos programas atuais foram criados. Contudo, a retração dos últimos dois anos — com apenas dois novos veículos criados em 2024 — reflete um movimento de cautela e reavaliação estratégica.

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Para o leitor do Empreende MS, especialmente gestores de grandes indústrias e do agronegócio que flertam com a inovação aberta, a pesquisa da Spectra é um mapa dos riscos inerentes a esse ecossistema.

Abaixo, dissecamos a matemática desses fundos e explicamos por que “perder dinheiro” na cota pode não significar, necessariamente, um mau negócio para a corporação matriz.

A Matemática do Risco

A análise da Spectra focou na distribuição de retornos de 32 veículos de investimento no Brasil, baseando-se em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os números evidenciam a dificuldade de bater o mercado tradicional:

  • TIR Negativa: A Taxa Interna de Retorno (TIR) média dos fundos de CVC é de dolorosos -10%.
  • Poucos Vencedores: 72% dos programas têm TIR negativa. Entre a minoria que consegue ficar no azul, apenas 10% alcançaram resultados robustos (na faixa entre 25% e 50% de retorno).

Apesar de 30% dessa amostra ser composta por fundos jovens (com menos de três anos), que ainda sofrem o efeito da “Curva J” (período inicial onde os investimentos dão prejuízo antes de maturar), o estudo conclui que a juventude dos fundos não explica sozinha o desempenho fraco.

Estratégia de Compra disfarçada de Investimento

Se o retorno financeiro é ruim, por que as empresas continuam mantendo seus CVCs? A resposta está na estratégia de M&A (Fusões e Aquisições).

Muitas vezes, a corporação não quer multiplicar o dinheiro investido na startup para vendê-la a terceiros; ela quer ser a compradora final. O levantamento identificou 23 startups que receberam aporte de um CVC e, posteriormente, foram adquiridas de forma integral pela mesma corporação.

Isso demonstra um movimento claro de absorção de tecnologias, talentos e competências. O fundo funciona como um “radar pago”: a grande empresa investe um pouco para testar a startup de perto. Se a solução for boa para o negócio principal (ex: uma nova tecnologia logística para uma transportadora), ela compra a operação inteira.

Investir Sozinho ou Acompanhado?

O estudo também cruzou o comportamento dos investimentos em três frentes:

  1. Investimentos Independentes (Só o CVC): Apresentam o menor risco de perda (apenas 25% com TIR negativa), mas também os menores ganhos. São apostas conservadoras e altamente focadas em sinergia com o negócio da matriz.
  2. Co-investimentos com Fundos de Venture Capital (VCs tradicionais): Apresentam maior risco de perdas (cerca de um terço ficam no vermelho), mas concentram as grandes tacadas financeiras, com múltiplos de retorno que chegam a superar de 5 a 10 vezes o capital investido.

Análise Empreende MS: Lições para o Setor Produtivo

Mato Grosso do Sul vive uma fase de sofisticação de sua base produtiva. Grandes players da Rota da Celulose, usinas sucroenergéticas e cooperativas do agronegócio estão estruturando seus próprios hubs de inovação.

O recado da Spectra Investimentos para as corporações sul-mato-grossenses é cirúrgico: não abra um CVC esperando lucrar como um banco de investimentos. O valor real do CVC está na defesa do seu core business (negócio principal). Se uma usina investe em uma AgTech de inteligência artificial e essa tecnologia reduz o custo de colheita em 5%, o fundo cumpriu seu papel estratégico, mesmo que a cota da startup na CVM registre desvalorização. O erro não está em ter um CVC, mas em medir seu sucesso com a régua errada.

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