Programa gratuito oferece 117 vagas para formação técnica de 1.200 horas em cinco cidades. A meta é atacar diretamente o déficit de mão de obra qualificada que encarece as contratações das empresas locais de tecnologia e agronegócio.
Empregar não é o desafio; o desafio é encontrar quem saiba fazer o trabalho. Este é o mantra repetido por 9 entre 10 empresários do setor de tecnologia em Mato Grosso do Sul. Para atacar esse gargalo de produtividade, o Governo do Estado e o Senac deram início, nesta semana, à segunda etapa do Programa Voucher Desenvolvedor.
A iniciativa, que integra as ações do programa MS Qualifica, está abrindo 117 vagas para o curso de Técnico em Desenvolvimento de Sistemas. O alvo são estudantes do ensino médio e egressos da rede pública, que receberão capacitação gratuita e focada nas linguagens de programação mais demandadas pelo mercado.
Para o leitor do Empreende MS, a relevância desta política pública está na carga horária: são 1.200 horas de curso. Diferente de “bootcamps” rápidos de fim de semana, a proposta do Senac (via Programa Senac de Gratuidade – PSG) é entregar profissionais de nível Júnior verdadeiramente prontos para sentar na cadeira e codificar, reduzindo o custo de treinamento (onboarding) para as empresas contratantes.
A seguir, detalhamos como o programa está estruturado e o seu impacto na economia regional.
O Mapa da Capacitação
O Voucher Desenvolvedor II não ficou restrito à capital. A distribuição das vagas foi desenhada para atender polos econômicos que demandam tecnologia aplicada (como a agroindústria e a logística). As 117 vagas estão divididas entre cinco municípios:
- Campo Grande: 31 vagas (período vespertino).
- Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas: 86 vagas distribuídas.
A seleção não é por sorteio, mas por mérito lógico. Os candidatos são classificados com base no desempenho obtido em um teste de raciocínio lógico, habilidade fundamental para a escrita de algoritmos.
O Gargalo do Mercado
Durante a aula inaugural realizada na última quinta-feira (19), o secretário-executivo de Qualificação Profissional e Trabalho, Esaú Aguiar, tocou na ferida do mercado local: “Temos áreas que estão em plena ascensão no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, com uma demanda de vagas que só não são preenchidas por falta de capacitação”.
O diagnóstico é preciso. Startups de Campo Grande e indústrias da Rota da Celulose em Três Lagoas frequentemente perdem meses em processos seletivos ou acabam contratando desenvolvedores remotos de outros estados (São Paulo e Santa Catarina) por salários mais altos, o que encarece a operação local.
O sucesso da iniciativa já tem lastro. Na primeira edição do programa, 238 alunos concluíram o curso, e boa parte já foi absorvida pelo ecossistema de inovação do estado.
Análise Empreende MS: Investimento em Infraestrutura Intelectual
Quando pensamos em infraestrutura estatal, geralmente imaginamos pontes, rodovias e hospitais. No entanto, na “Nova Economia”, a infraestrutura mais valiosa é o cérebro humano capacitado.
Ao subsidiar a formação técnica pesada de mais de 100 jovens em Desenvolvimento de Sistemas, Mato Grosso do Sul dá um passo vital para se consolidar como um polo atrativo para empresas de tecnologia. Um empresário de fora só vai instalar sua Software House ou seu centro de dados no estado se souber que, ao abrir uma vaga de emprego, haverá currículos locais para preenchê-la.
O Voucher Desenvolvedor é a prova de que o Estado entendeu que exportar soja é excelente, mas desenvolver localmente o software que gerencia a colheita dessa soja é o que realmente agrega valor ao PIB e retém a riqueza dentro de nossas fronteiras.
