A professora Letícia Couto conquistou o 1º lugar na categoria Estímulo do “2º Prêmio Mulheres e Ciência”. Seu trabalho com restauração dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica é um ativo estratégico para o setor produtivo que busca se adequar à nova economia verde.
Em uma economia que depende cada vez mais de sua biodiversidade para gerar riqueza e atrair investimentos internacionais, a ciência produzida dentro das universidades deixa de ser apenas uma pauta acadêmica para se tornar o motor da inovação corporativa. É sob essa ótica que o ecossistema de negócios de Mato Grosso do Sul deve celebrar a mais recente conquista da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Neste mês, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou os resultados do 2º Prêmio Mulheres e Ciência, e o estado cravou seu nome no topo. A professora Letícia Couto, do Instituto de Biociências (Inbio) da UFMS, foi a vencedora nacional na categoria Estímulo (área de Ciências da Vida), superando dezenas de concorrentes de todo o país em um edital que recebeu 684 inscrições.
Para o leitor do Empreende MS, a premiação é um atestado da qualidade da inteligência desenvolvida localmente. A cerimônia de entrega ocorrerá na sede do CNPq, em Brasília, no dia 05 de março, mas o impacto do trabalho da pesquisadora já é sentido na prática no estado.
A seguir, dissecamos por que a pesquisa premiada é tão relevante para a nossa economia e o papel da liderança feminina na ciência.
O Laboratório que “Conserta” Biomas
Letícia Couto é a fundadora e coordenadora do Laboratório de Ecologia do Inbio, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal. O foco de seu projeto? A restauração, intervenção e conservação dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica — exatamente as três grandes caixas d’água e de biodiversidade sobre as quais a economia sul-mato-grossense está assentada.
Para o agronegócio e para indústrias de base florestal (celulose), a pesquisa de restauração ecológica deixou de ser “perfumaria” para se tornar exigência regulatória e financeira. Saber como recuperar uma área degradada no Cerrado ou no Pantanal com eficiência técnica e base científica é o que permite a um grande produtor rural emitir CPRs Verdes (Cédulas de Produto Rural), acessar fundos de crédito com juros subsidiados ou exportar carne para mercados exigentes, como a União Europeia.
A ciência produzida pela equipe da professora Letícia entrega o “como fazer” para o produtor que precisa se adequar às regras de ESG (Ambiental, Social e Governança).
A Força da Liderança Feminina na Inovação
O prêmio, que conta com a chancela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério das Mulheres, British Council e Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), tem o objetivo claro de fortalecer a equidade de gênero.
A categoria Estímulo, na qual a pesquisadora sul-mato-grossense venceu, é voltada para mulheres que concluíram o doutorado a partir de 2010. Em sua fala após a premiação, Letícia destacou o efeito multiplicador de seu trabalho: “Sinto que é muito gratificante ter essa oportunidade de representar tantas mulheres que são nossas parceiras de pesquisas e (…) servir para incentivar a futura geração de mulheres na ciência que estamos formando”.
Para o mercado de tecnologia e pesquisa corporativa, a diversidade não é apenas uma bandeira social, mas uma estratégia de eficiência. Equipes de pesquisa lideradas por mulheres tendem a apresentar abordagens metodológicas mais plurais, resultando em inovações mais rápidas e resilientes.
Análise Empreende MS: A Ciência Sustenta o PIB
A vitória de Letícia Couto no Prêmio Mulheres e Ciência é a prova viva de que Mato Grosso do Sul exporta mais do que commodities; nós exportamos capital intelectual.
Quando o estado se compromete a ser “Carbono Neutro” até 2030, essa promessa não é cumprida com discursos políticos, mas sim nos laboratórios do Inbio, onde pesquisadoras testam o que funciona e o que não funciona na hora de replantar uma floresta ou recuperar um solo.
Empresas inovadoras precisam manter o radar ligado na UFMS. É dessa fonte que sairão as patentes, as soluções de bioeconomia e os profissionais altamente qualificados que o mercado precisará para continuar crescendo sem destruir sua própria base de recursos naturais.
