Dados divulgados nesta quarta-feira (18) revelam que o estado atingiu 100% de cobertura nos municípios e realizou quase 85 mil exames cardíacos à distância em 2025. Estratégia reduz filas, economiza combustível de ambulâncias e abre mercado para HealthTechs.
Se a imagem tradicional da saúde pública é a fila de espera, Mato Grosso do Sul está usando fibra óptica para mudar essa fotografia. O estado consolidou-se como o líder absoluto em Telessaúde na região Centro-Oeste, registrando um crescimento explosivo de mais de 500% no volume de atendimentos remotos entre 2022 e 2025.
Os números, detalhados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e corroborados pelo monitoramento do Ministério da Saúde, mostram uma operação de escala industrial: foram 63.862 telediagnósticos em cardiologia apenas em 2025, além de milhares de teleinterconsultas que conectaram médicos do interior a especialistas da capital e de centros de excelência como o Hospital Albert Einstein.
Para o leitor do Empreende MS, gestor ou investidor, essa notícia deve ser lida sob a ótica da eficiência. Cada laudo emitido remotamente significa um paciente a menos viajando centenas de quilômetros em uma ambulância do TFD (Tratamento Fora de Domicílio), gerando uma economia milionária em logística para as prefeituras.
A seguir, analisamos como essa rede foi montada e onde estão as oportunidades de negócios.
A Escala: Números de uma “HealthTech Estatal”
O sistema montado pelo governo estadual funciona com a capilaridade de uma grande rede de varejo. Hoje, todos os 79 municípios do estado ofertam algum tipo de serviço de telessaúde.
O “Carro-Chefe” Cardíaco: O destaque absoluto é o Tele-ECG (Eletrocardiograma). Em 60 municípios, o paciente faz o exame na unidade básica local e o laudo é emitido à distância por um cardiologista em minutos.
- Volume: 84.880 exames realizados em 2025.
- Impacto: Cidades como Caracol, Aquidauana e Pedro Gomes praticamente zeraram a demanda reprimida por cardiologia básica sem precisar contratar um especialista residente (o que seria caríssimo e difícil de encontrar).
Além do coração, a rede expandiu para a Teledermatologia (presente em 28 cidades) e realizou campanhas itinerantes de Teleoftalmologia, com quase mil exames que detectaram cataratas e outras patologias em tempo recorde.
Gestão de Filas: O “Gargalo” Desentupido
A telessaúde atacou o maior problema de gestão do SUS: a regulação. Segundo a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, a tecnologia permitiu “limpar” as filas. Pacientes que aguardavam há meses por uma consulta de triagem foram atendidos via teleinterconsulta (onde o médico generalista discute o caso com o especialista via vídeo).
Resultados de Gestão:
- 14 municípios apresentam alto índice de resolutividade, ou seja, o paciente entra e sai com o problema resolvido localmente.
- Redução de Custo: Menos encaminhamentos desnecessários para Campo Grande ou Dourados significam menos gastos com diárias, combustível e manutenção de frota para os municípios.
O Futuro: Inteligência de Dados e Oportunidades
Com a infraestrutura de conectividade (Infovia Digital) avançando, o próximo passo é a inteligência de dados. A Superintendência de Saúde Digital da SES, liderada por Márcia Tomasi, já sinaliza que o foco agora é a qualificação do uso.
Para o setor privado, isso abre um leque de oportunidades:
- Integração de Sistemas: Startups que desenvolvam APIs para conectar prontuários eletrônicos municipais à rede estadual terão mercado.
- Dispositivos IoT: A demanda por equipamentos médicos que já nascem conectados (balanças, medidores de pressão, oxímetros com Bluetooth) vai explodir nas prefeituras que querem aderir ao modelo.
- Consultoria: Municípios precisarão de ajuda para treinar suas equipes no uso dessas novas ferramentas (letramento digital).
Análise Empreende MS: Eficiência é o Novo Padrão
O sucesso da Telessaúde em MS prova que o setor público pode ser inovador quando foca em resolver problemas logísticos. Para 2026, a tendência é que essa “cultura digital” transborde. O paciente que foi bem atendido por telemedicina no posto de saúde vai começar a exigir o mesmo nível de digitalização do seu plano de saúde privado, da sua farmácia e do laboratório de análises clínicas. Mato Grosso do Sul não está apenas “usando computadores”; está criando um ecossistema de saúde digital maduro, pronto para atrair investimentos e melhorar a vida de quem vive longe dos grandes centros.