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Empreenda MS > Empreendedorismo > Mato Grosso do Sul fecha 2025 com quase 20 mil novos empregos e expõe o gargalo do crescimento: “Vaga tem, falta gente”
Empreendedorismo

Mato Grosso do Sul fecha 2025 com quase 20 mil novos empregos e expõe o gargalo do crescimento: “Vaga tem, falta gente”

Empreenda MS Publicado em 30/01/2026 753 visualizações
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5 minutos de leitura
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Enquanto a Construção Civil lidera o ranking de contratações impulsionada por grandes obras industriais, o estado consolida um estoque recorde de 689 mil trabalhadores formais. O desafio agora, segundo a Semadesc, deixa de ser a criação de vagas e passa a ser a qualificação da mão de obra para preenchê-las.

Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2025 com um saldo positivo robusto no mercado de trabalho, consolidando sua posição de “ilha de prosperidade” em meio a um cenário nacional desafiador. Segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (29), o estado criou 19.756 novas vagas com carteira assinada no acumulado do ano.

O resultado é fruto de uma dinâmica econômica acelerada: foram 419.472 contratações contra 399.716 desligamentos ao longo de 12 meses. Com isso, o estoque total de trabalhadores formais em MS atingiu a marca histórica de 689.951 vínculos ativos, um crescimento de 2,91% em relação ao ano anterior.

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Para o leitor do Empreende MS, esses números contam uma história de maturidade econômica. Diferente de anos anteriores onde apenas um setor puxava a fila, em 2025 todos os cinco grandes setores da economia fecharam no azul. No entanto, a análise detalhada revela que o motor do emprego mudou de rotação, exigindo atenção de gestores e empresários.

O Mapa da Oportunidade: Quem Contratou Mais?

A grande estrela de 2025 foi a Construção Civil. Impulsionada pelas obras estruturantes da “Rota da Celulose” e pela expansão imobiliária nas grandes cidades, o setor liderou a geração de vagas com um saldo de +5.873 empregos.

O desempenho setorial ficou assim distribuído:

  1. Construção Civil: +5.873 vagas.
  2. Serviços: +4.835 vagas (reflexo direto do aumento de renda e consumo).
  3. Indústria: +4.536 vagas (mantendo a consistência do processo de industrialização).
  4. Comércio: +3.258 vagas.
  5. Agropecuária: +1.256 vagas.

Esse equilíbrio entre setores é um indicador de saúde econômica. Quando a indústria cresce, ela demanda obras (Construção); quando a obra termina, o trabalhador consome (Comércio) e demanda lazer e suporte (Serviços).

Geografia do Emprego: O “Efeito Inocência”

Ao olharmos para o mapa municipal, a capital Campo Grande naturalmente lidera em volume absoluto, com um saldo de +4.160 vagas. No entanto, a grande surpresa — e um sinal claro de onde está o dinheiro novo — vem do interior.

A pequena cidade de Inocência saltou para a segunda posição no ranking estadual, com +2.349 vagas criadas, superando polos tradicionais como Dourados e Três Lagoas. Esse fenômeno é explicado pela instalação da nova fábrica de celulose (Projeto Sucuriú), que transformou a dinâmica local.

Ranking dos Municípios:

  1. Campo Grande: +4.160
  2. Inocência: +2.349
  3. Dourados: +1.859
  4. São Gabriel do Oeste: +1.341
  5. Três Lagoas: +1.272
  6. Nova Alvorada do Sul: +1.185

O Alerta de Dezembro e o “Paradoxo do Pleno Emprego”

Apesar do saldo anual positivo, o mês de dezembro de 2025 registrou o fechamento de postos, um movimento sazonal típico devido ao fim de contratos temporários e entressafra. Quase todos os setores ficaram no vermelho no último mês do ano, com exceção da Construção Civil, que incrivelmente continuou contratando (+1.942 vagas em dezembro), provando que o canteiro de obras em MS não pode parar nem para as festas de fim de ano.

O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, fez uma análise cirúrgica sobre o momento. Segundo ele, o estado vive um “desafio significativo”: existem vagas abertas que não são preenchidas. “Há um conjunto de vagas formais abertas no Estado que não estão sendo preenchidas… o principal desafio do Estado a curto prazo reside na qualificação da mão de obra”, alertou Verruck.

Isso configura um cenário técnico de pleno emprego, onde a dificuldade não é mais gerar a vaga, mas encontrar o profissional preparado para ocupá-la.

Análise Empreende MS: O Que Esperar de 2026?

Para o empresário, 2026 será o ano da retenção de talentos. Com a economia aquecida e cidades como Inocência e Ribas do Rio Pardo sugando mão de obra operacional e técnica, o custo de contratação vai subir.

O programa MS Qualifica, citado pelo governo como resposta estratégica, precisará ganhar escala para evitar que a falta de gente freie o crescimento. Para quem busca trabalho, a mensagem é clara: o diploma técnico vale ouro. Para quem contrata, a dica é investir em treinamento interno, pois esperar o profissional “pronto” do mercado está cada vez mais caro e demorado.

Mato Grosso do Sul provou em 2025 que sabe crescer. O dever de casa para 2026 é aprender a formar.

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