O cenário econômico de Mato Grosso do Sul tem passado, nos últimos anos, por uma transformação silenciosa, porém robusta, guiada por um tripé estratégico: qualificação profissional, investimentos direcionados e inclusão produtiva. Na última semana, lideranças políticas e empresariais — entre elas o governador Eduardo Riedel, deputados estaduais, representantes da indústria e do Sistema S — reuniram-se para debater o futuro do desenvolvimento industrial e social do Estado. O encontro ocorreu em um local simbólico: o novo refeitório da Assembleia Legislativa, concebido não apenas para servir refeições, mas também como espaço de diálogo e construção coletiva de soluções.
Qualificação profissional como eixo central
Não há desenvolvimento sem pessoas preparadas. Essa máxima tem norteado as políticas públicas do Governo de MS, que enxerga na educação profissionalizante uma ponte crucial para o avanço industrial e a redução das desigualdades. Atualmente, cerca de 47% dos estudantes do ensino médio da rede estadual participam de cursos profissionalizantes — um índice acima da média nacional, impulsionado pela forte parceria com o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac).
Parcerias são o motor da gestão pública moderna, especialmente na qualificação profissional. Só avançamos porque unimos esforços com o Sistema S e com as empresas, formando uma grande aliança pela empregabilidade e transformação social, destacou Riedel.
Esse esforço tem refletido não apenas nos índices de formação, mas também na capacidade do Estado de atrair investimentos e ampliar vagas formais de trabalho. Programas como o MS Qualifica e a atuação direta do Senai têm sido fundamentais para suprir demandas específicas do setor produtivo — como no caso da nova planta da Arauco, em Três Lagoas, que já conta com mais de 2.300 alunos matriculados em cursos técnicos, principalmente na área de celulose.
Pleno emprego e novos desafios
Mato Grosso do Sul inicia o segundo semestre de 2025 com um cenário próximo ao pleno emprego, contabilizando mais de 165 mil trabalhadores formais apenas no setor industrial, e com previsão de expansão contínua. O Estado abriga mais de 8,2 mil indústrias ativas e exporta para mais de 150 países, consolidando-se como protagonista em segmentos como celulose, alimentos, mineração e, mais recentemente, tecnologia.
Segundo Robson Del Casal, diretor de sustentabilidade da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de MS), o PIB industrial deve alcançar R$ 47 bilhões em 2025, com projeções crescentes: R$ 52 bilhões em 2026, R$ 56,6 bilhões em 2027 e R$ 61,2 bilhões em 2028. Esses números são impulsionados por mais de R$ 90 bilhões em investimentos privados já contratados, voltados à expansão de fábricas e instalação de novas plantas industriais.
Apesar do crescimento acelerado, o setor enfrenta um gargalo nacional: a escassez de mão de obra qualificada. A resposta de MS tem sido inovadora, com o lançamento do programa Acende Brasil, que une formação técnica rápida, inclusão social e conexão direta com as demandas do setor produtivo. O objetivo é claro: transformar pessoas em vulnerabilidade em protagonistas do novo ciclo industrial.
Inclusão produtiva contra a pobreza extrema
Além dos indicadores econômicos, o Estado tem priorizado a erradicação da pobreza extrema como parte de sua estratégia de desenvolvimento. Nas palavras do governador, a atuação tem sido ativa e assertiva, com busca ativa de mais de 17 mil famílias que estavam fora de qualquer programa social.
Estamos monitorando os resultados de perto. A meta é não deixar ninguém para trás e garantir mobilidade social real, afirmou Riedel.
A inclusão produtiva, aliada à qualificação, tem sido o caminho para romper o ciclo da pobreza e criar um ambiente de oportunidades para todos.
Sustentabilidade no centro da agenda industrial
O encontro também destacou a sustentabilidade como pilar do desenvolvimento contemporâneo. O setor industrial sul-mato-grossense, historicamente ligado a modelos tradicionais, avança com firmeza na agenda ESG (Ambiental, Social e Governança).
Projetos que vão da redução de emissões ao reaproveitamento de resíduos mostram como as empresas vêm incorporando práticas mais limpas, eficientes e inclusivas. A expectativa é de que, cada vez mais, a competitividade industrial esteja ligada à adoção dessas práticas — não apenas por exigência de mercados internacionais, mas como diferencial estratégico para atrair investimentos e conquistar consumidores.
Parcerias e diálogo como motores de transformação
Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, a presença de diferentes setores em um mesmo espaço reforça a importância da construção coletiva.
Este espaço (refeitório) foi inaugurado com a missão de ser um ambiente de diálogo e ideias. Receber a Fiems aqui para discutir o futuro industrial do Estado reforça esse propósito, afirmou.
Um ecossistema de oportunidades
O caso de Mato Grosso do Sul mostra que é possível construir um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento econômico quando há sinergia entre governo, setor produtivo, educação e sociedade civil. Com investimentos recordes, programas de formação técnica, combate à exclusão social e práticas sustentáveis, o Estado se firma como referência nacional em políticas públicas para indústria e empreendedorismo.
Com uma indústria que emprega mais de 160 mil pessoas e cresce acima da média nacional, os próximos anos serão decisivos. O desafio é manter o ritmo da qualificação, ampliar a inserção produtiva e consolidar a sustentabilidade e a inovação como pilares centrais das estratégias empresariais.
O futuro da indústria sul-mato-grossense está sendo desenhado agora — e depende de um compromisso coletivo com a geração de oportunidades, o respeito ao meio ambiente e a busca contínua por soluções inovadoras. É esse movimento que transforma realidades e posiciona o Estado como um dos polos mais dinâmicos do país.
