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Empreenda MS > Empreendedorismo > Revolução no Varejo Farmacêutico: Campo Grande sanciona lei pioneira e destrava mercado de produtos manipulados “de prateleira”
Empreendedorismo

Revolução no Varejo Farmacêutico: Campo Grande sanciona lei pioneira e destrava mercado de produtos manipulados “de prateleira”

Empreenda MS Publicado em 08/01/2026 811 visualizações
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8 minutos de leitura
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Capital sul-mato-grossense torna-se a primeira cidade do país a permitir a exposição e venda direta de produtos magistrais isentos de prescrição. A medida transforma o modelo de negócios das farmácias de manipulação, que agora podem competir no varejo de impulso com cosméticos e suplementos personalizados.

Por Redação Empreende MS

Uma “canetada” dada na tarde desta quarta-feira (07) pela prefeita Adriane Lopes tem potencial para redesenhar a dinâmica de um dos setores mais tradicionais da saúde em Campo Grande. Foi sancionada a lei municipal que autoriza as farmácias de manipulação a produzirem, exporem e venderem diretamente ao consumidor final produtos isentos de prescrição médica — os chamados MIPs magistrais.

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Até ontem, o modelo de negócios dessas empresas era passivo e reativo: o cliente precisava chegar com uma receita (ou solicitar um orçamento específico) para que o produto começasse a ser feito. A vitrine era vazia por força de regulações sanitárias antigas.

Com a nova legislação, Campo Grande assume a vanguarda nacional — sendo citada como o primeiro município do Brasil a flexibilizar essa regra — e permite que as farmácias de manipulação tenham “prateleira”. Isso significa que shampoos antiqueda, cremes hidratantes, suplementos vitamínicos e complexos de aminoácidos (desde que isentos de receita) poderão estar prontos para levar (grab and go), gerando novas oportunidades de faturamento.

Para o leitor do Empreende MS, analisamos a seguir como essa mudança regulatória impacta o caixa das empresas, a concorrência com as grandes drogarias de rede e a experiência do consumidor.

O Fim da “Loja Sem Produto”

Historicamente, entrar em uma farmácia de manipulação era uma experiência de balcão: você entregava um papel e voltava dias depois para buscar um pote branco. A nova lei ataca justamente esse gargalo de experiência.

Segundo a farmacêutica Silvia Letícia, proprietária de estabelecimento na capital e membro da ANFARMAG (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais), a legislação anterior impunha uma barreira comercial severa. “Tínhamos a limitação de não poder oferecer produtos prontos (…) Agora, isso facilita o acesso do cliente e fortalece o setor”, explica Silvia.

Análise de Negócios: Do ponto de vista de gestão, a lei permite a criação de estoque estratégico. O laboratório pode aproveitar momentos de ociosidade da equipe técnica para produzir lotes de produtos de alta saída (como um hidratante de ureia ou uma vitamina C), reduzindo o custo unitário e aumentando a margem. Além disso, abre-se a porta para a compra por impulso. O cliente que vai buscar um remédio controlado pode acabar levando um protetor solar manipulado que viu na prateleira, aumentando o ticket médio da venda.

O Mercado em Números

Para entender o tamanho desse mercado, a Prefeitura de Campo Grande levantou dados do setor:

  • 39 estabelecimentos de manipulação ativos na capital.
  • 80 farmacêuticos atuando diretamente na produção e supervisão.
  • Potencial de impacto direto em toda a cadeia de fornecedores de insumos e embalagens.

Embora 39 empresas pareça um número modesto se comparado às centenas de drogarias de rede, o Valor Agregado do produto manipulado é muito superior. Estamos falando de medicina personalizada. A nova lei permite que essa personalização ganhe escala.

Segurança Jurídica e Sanitária

Um ponto crucial da nova legislação é que ela não libera o “vale-tudo”. A venda direta é restrita a produtos isentos de prescrição médica. Ou seja, antibióticos e controlados continuam exigindo o rigoroso processo de receituário e conferência.

A presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF-MS), Daniely Proença, foi enfática ao defender a segurança do novo modelo. Segundo ela, a lei mantém a garantia de rastreabilidade e qualidade que é a marca registrada do setor magistral. “A farmácia de manipulação oferece um tratamento individualizado (…) Com essa lei, abre-se um novo leque para que produtos estejam disponíveis de forma mais acessível, sempre com garantia de qualidade”, pontuou Daniely.

Para o consumidor, a vantagem é a curadoria. Diferente de comprar um cosmético industrializado na gôndola de um supermercado, ao comprar um produto pronto em uma farmácia de manipulação, ele leva um item que foi produzido sob a supervisão técnica de um farmacêutico local, muitas vezes com concentrações de ativos mais potentes do que as versões comerciais de massa.

O Efeito na Economia Local

Durante a solenidade de sanção, a prefeita Adriane Lopes tratou a medida como uma pauta de desenvolvimento econômico, não apenas de saúde. “Hoje, essas possibilidades estão aqui. O desenvolvimento econômico acontece em várias áreas ao mesmo tempo”, afirmou a prefeita.

A leitura é correta. Ao permitir que as farmácias locais vendam produtos prontos, o município retém riqueza. O consumidor que antes comprava um dermocosmético caro de uma marca multinacional francesa na grande rede de drogarias (dinheiro que sai do estado), agora pode optar por uma fórmula manipulada de qualidade equivalente, produzida por uma empresa do bairro (dinheiro que fica no município e paga salários locais).

Mirella Ustulim Santos, também farmacêutica e empresária, reforça esse ciclo virtuoso: “Com o fortalecimento das vendas, conseguimos investir mais em equipe, qualificação profissional e melhoria dos serviços.”

Tendência: O “Self-Care” em Alta

A nova lei chega em um momento onde o mercado de bem-estar (wellness) e autocuidado (self-care) explode globalmente. O consumidor pós-pandemia busca proativamente produtos para imunidade, saúde da pele, sono e performance mental (nootrópicos). As farmácias de manipulação de Campo Grande agora têm a ferramenta jurídica para criar linhas próprias (“Private Label”) para atacar essas dores. Imagine uma farmácia lançando sua própria linha de “Shots Matinais” ou “Cremes Anti-Age” exclusivos, expostos em gôndolas de design, prontos para levar. É a transformação da farmácia em uma boutique de saúde.

Conclusão: Campo Grande como Laboratório

O pioneirismo de Campo Grande coloca a cidade sob os holofotes do setor farmacêutico nacional. Outros municípios e conselhos regionais observarão atentamente os resultados dessa flexibilização.

Para o empreendedor do setor, a hora é de investir em marketing e visual merchandising. Se antes a farmácia não precisava ser “bonita” (pois era apenas um local de entrega), agora ela precisa ser atrativa. A vitrine importa. A embalagem importa. A lei destravou a burocracia; agora, cabe ao empresário destravar o potencial de vendas, transformando a competência técnica do laboratório em produtos desejáveis na prateleira.

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