Maior evento de ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo de MS chega à décima edição com recorde de 2.190 trabalhos aprovados, 41% vindos dos câmpus do interior, e reúne na mesma semana a Fetec-MS, a Feira das Profissões e uma sala imersiva estreante
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vai abrir a Cidade Universitária, em Campo Grande, para a edição comemorativa de dez anos do Integra UFMS, entre 19 e 23 de outubro. Considerado pela instituição o maior evento de Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo de Mato Grosso do Sul, o Integra 2026 alcançou um recorde de 2.190 trabalhos aprovados, a partir de mais de 2 mil submissões, e terá, na mesma semana, a Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul (Fetec-MS), voltada a estudantes da educação básica, e a Feira das Profissões, que apresenta os cursos de graduação, mestrado e doutorado da universidade.
O número, divulgado pela UFMS no início de outubro, consolida o evento como a principal vitrine anual da produção acadêmica do Estado. Desde a criação, em 2017, o Integra já recebeu mais de 40 mil visitantes, teve mais de 11 mil trabalhos apresentados e contou com mais de 30 mil participações de estudantes e servidores, segundo a universidade. A instituição não detalhou, porém, como esses totais se distribuem ano a ano.
Recorde e interiorização
Mais do que o volume, a UFMS chama atenção para a origem dos trabalhos. Os nove câmpus do interior responderam por 41% do total aprovado neste ano, a maior participação já registrada, segundo a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Esporte (Proece). A universidade mantém unidades em Aquidauana, Chapadão do Sul, Coxim, Corumbá, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas, além da sede em Campo Grande.
“Celebrar os 10 anos do Integra UFMS com o recorde de 2.190 trabalhos aprovados é motivo de muito orgulho. Esse resultado expressa o envolvimento dos nossos estudantes, professores e técnicos e a força da produção científica e das ações de ensino, pesquisa e extensão da Universidade”, afirmou o diretor de Extensão da Proece, Filipe Quevedo. Para ele, a distribuição geográfica é um dos pontos altos da edição. “A distribuição dos trabalhos mostra que o Integra é construído por toda a UFMS, com participação de todos. Essa diversidade enriquece o evento ao reunir diferentes perspectivas, experiências e contribuições para a sociedade, tornando ainda mais significativa a celebração dos seus 10 anos”, disse.
A interiorização tem respaldo logístico. Ao abrir as inscrições, em agosto, a UFMS informou que os estudantes dos câmpus do interior com trabalhos aprovados poderiam solicitar apoio financeiro de R$ 150 para hospedagem e transporte urbano, além de contar com transporte entre os câmpus e Campo Grande e alimentação no Restaurante Universitário durante o evento.
A reitora Camila Ítavo resumiu o espírito da edição comemorativa. “É uma grande festa da ciência, da inovação e do empreendedorismo e a presença dos nossos estudantes e das escolas de todo o estado mostra a força da pesquisa e da Universidade, nesse ambiente plural com várias iniciativas que fazem diferença na vida das pessoas”, declarou.
Do laboratório à empresa júnior
O Integra nasceu com a proposta de reunir, em um mesmo espaço, todos os programas e projetos desenvolvidos pela universidade, com foco em graduação, pesquisa e pós-graduação, extensão e popularização da ciência, UFMS Digital, empreendedorismo e inovação. O edital de 2026 reflete essa amplitude: podem ser apresentados trabalhos de ensino, pesquisa, extensão, cultura, empreendedorismo, inovação e internacionalização, incluindo produções de ligas acadêmicas, empresas juniores, programas de iniciação científica e à docência, monitoria, grupos do Programa de Educação Tutorial (PET), programas de pós-graduação e equipes de competição.
Para participar, estudantes, egressos e servidores precisavam estar vinculados a projetos institucionais desenvolvidos entre 2024 e 2026 e submeter, além do resumo, um banner e um vídeo de até cinco minutos com objetivos, metodologia, resultados e relevância social, científica, cultural ou tecnológica do trabalho. Os resumos aprovados serão publicados nos Anais do Integra UFMS 2026.
Para o ecossistema de inovação, o evento funciona como uma espécie de mostruário do que sai dos laboratórios e pode, no futuro, virar produto, serviço ou empresa. A universidade mantém, por meio da Agência de Inovação (Aginova), uma esteira de programas voltados a esse caminho, como o Programa de Iniciação em Empreendedorismo e Inovação, a capacitação UFMS Tech Labs em modelagem de negócios, o processo seletivo de incubação do Hub Pantanal Inovação e Modelagem Empreendedora (PIME) e a seleção de invenções para análise de patenteabilidade. A Aginova também passou a ter sede no Parque Tecnológico da UFMS, inaugurado em julho de 2025.
Fetec-MS leva a educação básica para dentro da universidade
A semana também abriga a Fetec-MS, feira de ciências voltada a alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas, federais e privadas de todo o Estado. O edital da Proece trata a edição de 2026 como a 16ª da feira; em uma das notas da universidade, porém, aparece a numeração 26ª, divergência já apontada pela imprensa local. Pelo calendário do edital, a programação dirigida à Fetec-MS e à Fetec-MS Jr. se concentra no início da semana, e a do Integra, voltada à graduação e à pós-graduação, nos dias seguintes.
A pró-reitora de Extensão, Cultura e Esporte, Lia Brambilla, define a semana como uma grande vitrine científica. “É uma experiência muito rica e abrangente. O contato direto com a pesquisa abre um mundo de oportunidades para cada estudante, tanto o que já está na graduação, quanto o aluno que participa da Fetec. É uma iniciativa muito gratificante e que reúne num só local uma variedade de temas e iniciativas”, disse, ao lançar as inscrições.
A Feira das Profissões, por sua vez, ocupará o espaço do Mercado Escola, com a participação de todos os cursos da UFMS. A proposta é apresentar as características de cada graduação e orientar os estudantes do ensino médio sobre as especificidades das carreiras, num momento em que muitos se preparam para o Enem e os vestibulares.
Sala imersiva estreia na programação
Além da apresentação de trabalhos no ginásio Moreninho, a programação científica terá 22 atividades selecionadas por edital entre propostas de professores e técnicos-administrativos: palestras, oficinas, mesas-redondas, minicursos e rodas de conversa. Elas serão distribuídas em três espaços da Cidade Universitária, a Livraria UFMS, a sala de aula do Mercado Escola e a Sala Imersiva do Museu de Ciência e Tecnologia, que somam 97 lugares por horário, em sessões pela manhã e à tarde. Cada proposta precisava estar ligada a pelo menos um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
A Sala Imersiva, equipada com um videowall ultralargo e telas interativas, é apontada pela Proece como uma das novidades do ano. “Uma das grandes novidades deste ano vai ser a realização de atividades na sala imersiva do Museu de Ciência e Tecnologia, um novo espaço para apresentar o conhecimento de forma mais dinâmica e proporcionar uma experiência diferente para os estudantes, tanto da Educação Básica, que estarão conosco na FetecMS, quanto da graduação e da pós-graduação da UFMS”, afirmou Quevedo.
A seleção das 22 atividades levou em conta quatro critérios, com nota máxima de 10: relevância do tema para a sociedade ou para a pesquisa e inovação de método e conteúdo, ambos com peso 3, além de contextualização teórica e capacidade de comunicação com o público, com peso 2 cada, sendo este último eliminatório. Os proponentes não recebem pagamento nem bolsa; a contrapartida prevista no edital é um certificado de cinco horas de carga horária extensionista por atividade realizada, num modelo que reforça a curricularização da extensão nas universidades federais.
Repórteres mirins na cobertura
A edição de 2026 também marca a nona edição do projeto de extensão Prática Educomunicativa: Repórter Júnior, conduzido pela Agência de Comunicação Social e Científica (Agecom) em parceria com a Empresa Júnior Brava, do curso de Jornalismo. Estudantes da educação básica participam de oficinas de texto, rádio, TV e mídias sociais e produzem conteúdos sobre o evento para a Rádio Educativa UFMS 99.9, a TV UFMS e a página do Integra. Segundo a diretora da Agecom, Rose Pinheiro, a iniciativa amplia a popularização da ciência e aproxima os alunos da escola básica dos cursos de graduação.
Por que importa
Num Estado que tenta ampliar a base de empresas de base tecnológica e reter talentos, eventos como o Integra cumprem um papel que vai além da celebração acadêmica. Eles colocam lado a lado o estudante do ensino médio que apresenta seu primeiro projeto na Fetec-MS, o graduando da empresa júnior, o pós-graduando com resultados de pesquisa e os programas que podem transformar esse conhecimento em patente, startup ou serviço. O recorde de trabalhos e o peso crescente dos câmpus do interior indicam que essa produção está cada vez menos concentrada na capital.
A expectativa da universidade é repetir, na edição de dez anos, o movimento intenso de escolas e visitantes das edições anteriores. As atividades são abertas à comunidade, e a programação completa e as orientações para visitação devem ser divulgadas pela Proece nos canais oficiais da UFMS ao longo dos próximos dias.
Fontes: UFMS – Integra UFMS 2026 celebra 10 anos com mais de 2 mil trabalhos; UFMS – Integra UFMS 2026 abre inscrições e promove ciência, inovação e profissões; A Crítica de Campo Grande – UFMS seleciona 22 atividades para FetecMS e Integra 2026; Aginova/UFMS – Oportunidades na UFMS: Aginova lança editais de empreendedorismo e inovação.
